Se eu mergulho em mim, derramo amor...prazer... ódio... rupturas. Se eu te mergulho, deságuo em fúrias...feras...feridas...e amar. É sobre o encontro de mágoas às vezes, mas em um vigoroso oceano há sempre vida!
terça-feira, 14 de setembro de 2021
E eu vou te dizer...essa situação de nenhum interesse nisso ou naquilo também já se torna um pouco idealização, sabe... Uma pessoa que saiba se relacionar respeitando as pessoas para além de qualquer rotulação ou mesmo diferença subjetiva... já é muito muito muito bom. Significa que perto de você te fará bem também. Eu sou uma mulher bissexual (muito mais homoafetiva) que se relaciona com muitas mulheres de maneira respeitosa em todos os sentidos. Tenho irmãs, mulheres admiráveis em meu redor, sabe... Homens que fazem parte da minha história de modo saudável...dentro da medida do possível... Então, vejo por esse lado... heterossexualidade masculina não é a única característica de interação social do ser humano identificado com o gênero masculino, também assim se dá com homens trans por exemplo. Assim como hetero ou homossexualidade não são fins de sujeitos complexos... são alguns de seus meios, absolutamente instáveis, inconstantes e históricos...
terça-feira, 24 de agosto de 2021
feminismo é ruim mesmo para as mulheres...e outras formas de demonizar a luta por dignidade e humanidade feminina no século XXI
Não entendi por que o feminismo é o culpado da péssima atitude dessa mulher? Feminismo e sororidade são duas importantes ferramentas para encontrarmos vias contra a rivalidade feminina. Sororidade não é o dogma, uma doutrina de FEMINISMOS... é uma possibilidade de lidar com a própria disputa entre mulheres por causa do lugar de "privilégio" no patriarcado. Veja, "disputa por privilégios", sendo que aí começa o problema para um posicionamento que se coloca como feminista. O problema para as mulheres, que o feminismo luta contra esse problema, é disputar por LEGITIMAÇÃO, autorização e fantasia de "privilégios" em um contexto que só privilegia homens (que são privilegiados por fazerem mulheres se autodepreciarem e até se enfraquecerem por causa do privilégio que esse homem parece dispôr). Nenhuma mulher, nunca, se beneficia do patriarcado mas muitas de nós somos privilegiadas de modo condicionado sim, por isso fazemos a manutenção do sistema de mentalidade, de crença e de ESCRAVIZAÇÃO de nossas vidas. Porque acreditamos no privilégio. Um homem vir falar com você porque a mulher falou pra ele é a culpa dela? A culpada foi ela dele ter essa postura? Talvez, não. Talvez ele seja até a fonte dessa alienação dela. Muitas mulheres acham que a felicidade é um macho escroto do seu lado...sem nem pensar nos abusos que sofre...isso é dispositivo amoroso-materno, formas de violência de gênero que estão na cultura há milênios a fim de perpetuar o patriarcado até em mulheres que parecem proteger suas próprias celas. Me desculpe se eu tiver entendido errado. Se quiser e se puder, me explique. Mas não é o feminismo, a ferramenta da sororidade ou a mulher a total culpada dessa situação. Ao contrário, o feminismo existe porque esse tipo de mentalidade (machista e protetora de macho) é uma violência para as mulheres. O feminismo não é paz e amor, não. É luta. E luta com muita dor. Se o feminismo for usado como uma bandeira de "serenidade" e "sossego" para mulheres, ele é liberalismo. Ou seja, ele é capitalismo fantasiado de "liberdade" e "vida zen" o que nunca combinou com a história dessa batalha constante de sobrevivência entre mulheres que lutam por si (isso é muito importante, se cuidar, se amar e se defender mesmo) e também assumem uma postura coletiva de emancipação.
segunda-feira, 23 de agosto de 2021
Quando eu era muito pequeno, uns três pra quatro anos, minha tia mais velha, minha amada segunda mãe, me deu uma lição muito clara sobre corpos femininos. Sobre corpos femininos em geral.
Eu tomava banho com ela. Com qualquer tia. Eu era neném. Elas eram minhas pessoas favoritas no mundo. Só minha tia mais nova que era mala. Depois desmalizou e virou minha comadre.
Eu estava lá, todo trabalhado nas espumas do Francis azul quando fiz minha graça.
- Tia , porque você não tem piupiu?
- Homens tem piupiu e mulheres tem Tutuca.
- E por que?
- Porque é assim. O corpo da mulher é diferente do corpo do homem. ( Estamos falando de 1978. Não militem, por favor. Tô ocupadíssimo até às 17 horas de quarta feira).
Aí comecei a rir. Criança ri de tudo, né? Eu tinha quatro anos.
Minha tia continuou:
- Tá rindo de que garoto? Lava esse pinto. Puxa essa pele ( fimose, sabe? Corpos equipados com pinto às vezes vem com essa sambaquirinha peniana. Perdão pelo #oversharing).
- É muito engraçado isso
- Tem graça nenhuma. Coisa da natureza. Tudo muito normal. Quem não tem uma coisa tem outra, quem não tem morreu. E quando eu ficar bem velhinha você que vai cuidar de mim e vai ter que me dar banho e ver minha Tutuca todo dia. Para de bobeira.
Ela me enxugou.
- Deixa a tia ver se esse suvaco tá cheiroso.
Levantei meu braço. Ela me fungou. Fingiu um espirro.
- Atchim! Que cheiro de inhaca. Vamos passar um talco aí, seu cocô enfeitado. (Ela me chama assim até hoje. Mimoso, né? A beça).
Eu ri. Ela riu.
A vida seguiu.
Tempos depois meu pai ficou internado mais de um ano. Até ficar em um quarto particular ele passou por três enfermarias masculinas que ficavam de frente pras femininas. Meu bem... Só lembrava da lição singela da minha tia. Era senhor chorando que tinha perdido o pinto, era senhora em surto correndo pelada, era ajudar na higiene do meu pai... Era ajudar enfermeiras a tirar o corpo pesado de uma cama e passar pra maca.. Ihhhhhh...
Hoje fico meio astrazênico quando problematizam as amigas ximbicas. Fico com cara de "ué'. Mas meu lugar de fala é lugar de falo. Comento um pouco, mas depois solto no éter porque não quero parecer FEMINISTO (HAHAHAHA A CHAKOTA) e nem me apropriar do protagonismo alheio. Mas pra mim é a coisa mais normal do mundo. E também sou assim com pintos adjacências. Corpo nu, sem o verniz dos ofertórios safados e das seduzências safadificantes ou confeitos fetichistas, é só um corpo nu.
Sou muito simplinho, gente.
Algumas palavras eu acrescentei porque o tempo já roeu o filó das memórias.
#artistasuburbanoreflexivo
o falo não poupa ninguém, nem eu... campanha MISÓGINA no discurso popularizado em favor da presidência de Lula em 2021
Eu tive essa impressão ruim... inclusive, lembrei da pior fala MISÓGINA que o ciro (minúsculo mesmo) teve quando presidenciável em 2018 era preciso ter "mais testosterona" para ser presidente do brasil (minúsculo que está também). Então, a misoginia escondida nesse tipo de discurso passa longe dos debates feministas engajados, sabe... Ninguém diz pra não "magoar" amiguinho. Mancha mesmo. Falar mal do "falo" não pode. Um espelho reverso do bozismo que chegou com o discurso de que não broxaria...coisas assim. O sexual humano à parte, segundo consta, Freud até explicaria...eu ainda vejo um reducionismo no sexual humano, genitalista, binário, tipo guerra de sexos do início do século passado... Precisamos avançar muuuuuuuuuuuuito nessas discussões. Não à toa estupro é até hoje ARMA DE GUERRA. QUEM falaria de "cultura do estupro" por trás disso? Quem colocaria essa repercussão na roda? A gente que é feminista e à esquerda na política... poderíamos? Gosto de pensar que ser feminista não é nada agradável, sabe... Se está agradando...ainda mais à machologia (patriarcado de elite intelectualizada)... Não me agrada. Nem pontuei no meu Facebook porque decidi ignorar. Eu quis fingir que era só uma areia no discurso pobre das redes...mas é tipo uma ervilha que não deixa a mulher dormir no colchão da vida...descansar não dá... "Meu descansa, militante" acaba sendo quetiapina... é um fato triste.
o Afeganistão e o crime chamado de "sonho americano"
Qual o PROBLEMA da visão que o fantástico está expondo sobre o AFEGANISTÃO de hoje?
A omissão, por exemplo, das heranças da União Soviética ANTES DO TALIBÃ SER PATROCINADO E TREINADO PELOS ESTADOS UNIDOS.
Tentar mostrar que a ÚNICA forma de liberdade para o AFEGANISTÃO é a visão neoliberal ocidental e cristianizada não ajuda em nada a DEMOCRACIA para nenhum país que luta por uma real independência política.
As mulheres afegãs estão assustadas e aterrorizadas também porque existe uma visão de mundo (ocidental e xenofóbico) fazendo do país delas o lugar em que o inferno se estabeleceu porque o "super-heroi estados unidos" saiu de lá. Porém, essa é a fantasia capitalista mais INÚTIL e CRUEL para a humanidade pois AJUDA a manter guerras intermináveis em que vidas são menos importantes do que armas.
O Talibã é sim um regime MISÓGINO, FEMINICIDA e radical religioso... porém, as saídas possíveis para esse conflito étnico-econômico precisam ser construídas dentro do país, por seus cidadãos e serem apoiadas e respeitadas - cultural e economicamente - por todas as nações solidárias que RESPEITAM A CONSTRUÇÃO de uma DEMOCRACIA possível.
A visão errada e omissa que o fantástico apresentou não consegue dar conta da realidade porque quer mais uma vez vender o "sonho americano" como o melhor destino possível para a humanidade. Isso é uma mentira, já que quem aparelhou de armas os talibãs foi exatamente os estados unidos. Foi por isso que ele TEVE obrigação de estar por 20 anos tentando amenizar os danos do seu patrocínio bélico para os radicais.
Foi a "guerra contra o comunismo" - que estava ajudando a população a melhorar mesmo de vida - o que provocou a tragédia que o Afeganistão vive desde meados do século XX.
Então, estar posicionada FRONTALMENTE contra o talibã e a sua VIOLÊNCIA exterminadora de mulheres, crianças e direitos democráticos NÃO SIGNIFICA APOIAR A VISÃO CAPITALISTA genocida do país (Estados Unidos) que massacrou a nação afegã.
quinta-feira, 19 de agosto de 2021
a solidão compulsória da mulher
E quase não se discute a solidão compulsória das mulheres, sabe. Existe um processo ultraviolento relacionado aos esteriótipos de "encalhada", "mal comida", "frígida", etc e tal. Eu estou sem nenhuma paciência para discurso até fantasioso que coloca o perebado, como diz a professora Zanello, no lugar de troféu, sabe. Não é uma mana lésbica ou BI trocada no palco do patriarcado por macho (desconstruído de Taubaté)... E haja pegar mil tapas na cara que a sociedade só sabe dar na nossa cara. É o ranking dos contatinhos vencendo até na roda feminista mais estudada, mana. Cansa, olha. Lendo a Federici, a Audre, Waleska Zanello e a bell, me sinto indigesta ao papo comum heteronormativo...nada me dá tesão nesse sentido. Mulheres são todos os dias consumidas e se colocam de bandeja por migalhas sociais (financeiras, afetivas, culturais e religiosas)... Cansa ter que dizer...cansa
Eveny Da Rocha Teixeira talvez um dos melhores debates a se construir seja a solidão compulsória sabe...existe um glamour na palavra "solitude" que me incomoda...eu vejo lésbicas idosas (tenho amigas de 50+) que vivem sozinhas ou solitárias...dentro de famílias que NUNCA oportunizaram uma conversa acolhedora. Tenho amigas pretas que passaram anos a fio...tipo uma infância inteira escolar...uma adolescência inteira sozinhas...vendo as amigas namorando...tiveram que ficar de "outra secreta" pra macho branco com fetiche, que todo santo ano tinha nova namorada e deixava ela na geladeira tipo ao menos 5 anos a fio... Eu não sei nem o que dizer quando sinto a solidão em mim e em muitas mulheres, mais velhas, mais atarefadas, mais fora do padrão social aceito...sabe..COISA FODA. Mulheres mães solo então...eu tenho minha mãe e minha mãe de prova... solidão compulsória...nada de paz porque eu escolhi... não que não seja bom...tem seu lado perfeito...estar longe do relacionamento opressor heterossexual, mas mesmo assim é só...e não é nada fácil. Eu sinto forte isso
liberalismo sexual e o mercado do "prazer acessível", a falácia que pode gerar ESCRAVIZAÇÃO das sexualidades das mulheres por trás da propaganda
É sobre isso, mana. Muito do discurso que se aproveita do feminismo para vender o liberalismo sexual (falsa "liberdade sexual") em relação às mulheres de fato SOTERRA, APAGA e SILENCIA as outras situações absurdas também produzidas por ELE (patriarcado sempre também leia-se capitalista) contra nós. Por exemplo, tratar da "necessidade" de orgasmos e da oportunidade de relações de múltiplas facetas sem PROBLEMATIZAR a realidade, a cultura, o contexto histórico, a experiência subjetiva, os signos de violência que atravessam as sexualidades das mulheres dentro de um mundo brutalmente MISÓGINO... é muita lista. Eu não digo que não se possa tratar da vivência sexual com espontaneidade, não é sobre a voz de mulheres sendo ouvidas em relação às suas sexualidades plurais...mas sobre a heteronormatividade que coloca o "ranking" do orgasmo, a lista de consumo sexual atualizada, a demanda e a procura como "natureza", as possibilidades de combinações afetivas com limites sobre responsabilidade afetiva flexíveis ao extremo...muito mais de consumo sexual do que de vivências da sexualidade...além de tudo o pior...a alienação do discurso da luta sexual feminista por uma agenda nojenta liberal que mais parece vender a mulher na prateleira do "mercado" (onde o prazer é "acessível"). É isso. Um desabafo aqui
quinta-feira, 12 de agosto de 2021
a defesa do monopólio heterossexual (o casamento)
A postagem:
Todo casamento que deu certo, tem sempre uma corna que perdoa um traste que não controla seus instintos sexuais.
A defesa que a heteronormatividade FAZ do casamento monopólio heterossexual...
(...) não vejo como uma defesa da fidelidade masculina. Defendo que há possibilidade de uma mulher ser feliz no casamento. Minha defesa é sempre por relacionamentos respeitosos, equilibrados, justos para ambas as partes. Ser feliz em qualquer tipo relacionamento dá trabalho e muito. Penso que a relação homem-mulher possa ser muito feliz e prazerosa para ambos. Jamais aceitaria uma relação em que um homem achasse que tem o direito à relacionamentos sexuais fora da minha cama, não apenas porque nesse contexto sou possessiva, mas porque respeito meu corpo e minha saúde e não me sujeitaria a uma DST. Brinco com o meu marido que eu capo ele se eu descobrir algo, rsrs. Não sou adepta de uma guerra dos sexos. Penso que, por nossos direitos, muitas vezes temos que brigar, gritar, expor, mas não preciso, sempre, agredir.
Eu
Essa não é uma postagem CONTRA "felicidade no casamento", mas sobre a VIOLÊNCIA que se perpetua em casamentos - que você vendo, experienciando, vivendo, convivendo, ouvindo ou sabendo OU NÃO - são verdadeiros terrores, onde tortura, estupro, adultério com filhos e doenças sexualmente transmissíveis, dão apenas a ponto do iceberg. Os números, os dados estatísticos, as pesquisas em censos, no Atlas da VIOLÊNCIA (vide IPEA), em tantas e tantas INSTITUIÇÕES nacionais e internacionais COMPROVAM. Me perdoe, honestamente, a resposta direta, mas não é porque na sua vivência não se pode dizer do que o resto CONSTATADO do planeta já sabe que de fato o que é a sua vida compõe o todo. Chega a ser uma porção quase novelesca querer dizer que a realidade, infelizmente esmagadoramente maior, é apenas uma parte do casamento, quando, por exemplo, filósofos (Foucault, Adorno e Simone de Beauvior), escritores (Virgínia Woolf, Machado de Assis séc. XIX, Clarice Lispector), antropólogos (Margareth Meed, Débora Diniz e Roberto da Mata), historiadores (Mari Del Priore, Gerda Lerner, Silvia Federici, Júlia Kristeva) e tantas e tantos demais estudiosos estejam sendo "tendencios" ao tratar da VIOLÊNCIA no casamento (em especial heterossexual). Por favor, leia, se atualize, se coloca pela dor dos outros, sei lá... só não pondere o imponderável, chega a soar cinismo.
Você não foi apontada como "corna mansa" afinal não se afirma desse modo. Não é para nós que a defesa da sua honra como mulher não traída faz a diferença, mas para o seu marido na roda de amigos e nos grupos de whatsapp que ele pode ou não saber da existência, se não participa. Enquanto a sua "necessidade" de colocar a "integridade da sua honra" de não ter chifre - pois você parece dizer que "dá conta do trabalho que é ter uma boa relação afetiva" -, enquanto essa "necessidade" parece até "culpar as mulheres" ou subliminarmente "apontar para elas a falha" , eu lhe digo que seu marido pode até não te trair, mas conhece homens que traem e NADA DIZ, NÃO SE POSICIONA DE MODO ENFÁTICO como você fez aqui. Isso é algo bastante individualista e burguês, me perdoe se soou ofensivo, mas é apenas terminologia sociológica mesmo. Dizer que não acontece com você, mas "e daí" se acontece com sua amiga, sua prima, sua vizinha, sua irmã...é até absurdo. Se seu casamento é "feliz" você pelo visto e seu marido e sua família não estão nada preocupados com o casamento e a felicidade de outros...o que me faz pensar: você veio defender "o casamento feliz" ou a sua "honra" em não ser traída, ou corna... Por que se ofender se não é com você? E por que não fazer uma bandeira justa e ética para que outros casamentos ao seu redor prestem para as mulheres que estão sendo violentadas ao seu redor e você nem está aí para isso.
terça-feira, 29 de junho de 2021
segunda-feira, 28 de junho de 2021
Hoje eu tive a necessidade masoquista de ver o criminoso "apresentador" de tv que se faz de "justiceiro" tratando dessa notícia. Não assisto quase nada de tv, mas tenho uma antena que apenas me deixa ver os canais que ela aceita😕. Então, hoje tive esse estômago de assitir bem na hora que o "palhaço" bozista estava falando sobre esse caso. Ele fez um espetáculo de bizarrice, pronto para o bozonazismo rir e se enlamear. Uma situação deprimente, medíocre de ser entendido com algo histórico, sabe. Mas precisei ver para ouvir algo. É inacreditável que ontem assisti ao filme RoboCop 3. E lembro demais de Tropa de Elite...ele é a triste cópia de um personagem abutre como ele. Está claro como a morte desse personagem trágico do brasil foi ENCENADA em cada ato. Uma lastimável midiatização do genocídio e de um assassinato passado a crediário como um Big Brother macabro. Sinceramente, jogos mortos é uma balela perto da tristeza que é o fascismo no nosso país. Esse personagem foi usado para lavar dinheiro e fazer fumaça enquanto o dono do circo ganha com corrupção. Essa narrativa é totalmente fictícia.
"Lázaro, venha para fora" disse Pilatos sobre a humanidade de Jesus.
*Não comemorem. Está tudo errado.*
*O matador foi contratado.*
Por semanas, aterrorizaram toda uma região, onde pequenos agricultores mantinham suas terrinhas com água perto.
A TV ajudava o bando a aterrorizar a população, com boatos sobre demônios e sacrifícios.
Milicianos com foro privilegiado faziam apologia às armas que o matador colecionava a cada assalto executado.
Fundamentalistas aproveitavam a boataria para invadir terreiros de umbanda.
Lázaro foi contratado para aterrorizar esse Brasil sem Lei, sem autoridade, sem remédio e sem juízo.
Sem ordem, nem mandato, policiais ameaçaram os familiares do bandido. O que saberia a mãe, a esposa de Lázaro? Nada que algumas ameaças de morte não as fizesse esquecer.
Descobrem o bandido na casa de um fazendeiro local. Só depois da desconfiança de um caseiro, invadem a propriedade e apertam o fazendeiro. Ele confessa: era crime de mando.
Antes que Lázaro delatasse quantos o ajudaram, quantos o contrataram, quem estava com ele na barbárie, fazem do homem menos perigoso que Jair, peneira. Com tantos tiros na cara, nem a mãe vai reconhecer aquele pedaço de corpo que sobrou da queima de arquivo.
Não comemorem. Os serial killers que mandam matar e tacar terror no país, estão livres e sequer serão revelados.
Pela capacidade de zombar desse país ingênuo e crédulo em crendice, é capaz dos contratantes ainda ressuscitarem seu demônio.
Não comemorem. A festa é dos assassinos.
Malu Aires
segunda-feira, 21 de junho de 2021
Se ele comprou de quem roubou, o dinheiro dele tem que ser devolvido. Se há a acusação de possível "receptação", comprovar que ele se beneficiou é antes de tudo tarefa de quem acusa. Suspeitar antes de tudo de que o bem dele é proveniente de um "furto" está claramente baseado no racismo estrutural que logo "suspeita" por causa, sabemos eu, você e muitos mais, exclusivamente da sua etnia. Ele está CLARAMENTE RACIALIZADO. O debate não pode ser "o que é certo é certo", e eu não preciso dar aula sobre racismo para ninguém, quem nasce no Brasil sabe de racismo sim, embora haja quem se faça de desentendido quando convém. Antes dele passar por esse processo de INVESTIGAÇÃO a sentença PARA ELE me parece está GARANTIDA. MAS o que me indigna é POR QUE O CASAL RACISTA está impune? Por que não se faz uma MOBILIZAÇÃO A FIM DE GARANTIR o que quer que seja de DIREITO E DIGNIDADE ao Matheus, ele é um jovem negro brasileiro e deveria TER TODO O DIREITO DE TER seus bens. Ele pagou por um OBJETO que "supostamente" foi furtado...mas eu me pergunto, eu te pergunto, eu pergunto para todos nós: QUEM VAI DEVOLVER PARA ELE O VALOR DELE antes de ter, na minha opinião, o valor da bicicleta (supostamente furtada) TAMBÉM RESSARCIDO. Não é direito de consumidor aqui, não. É valor humano, INESTIMÁVEL. RACISMO é um CRIME que está se institucionalizando nesse caso. Não pense que eu quero que ele fique com essa merda de bicicleta dos infernos. Isso não! Eu quero ele NO TOPO, irmão. No topo! Se ele vai ser JULGADO com todas as pompas RACISTAS porque comprou a bicicleta "a baixo do custo", porque não tem a NOTA FISCAL...se vierem na MINHA CASA não tem UMA NOTA FISCAL, meus cachorros COMEM. MAAAAAAAS eu sou branca. Minha BRANQUITUDE passa igual merda pelo ralo que é esse país, privada .... E eu sinceramente espero que NUMA VAQUINHA VIRTUAL ele ganhe uma LOJA lotada de bicicletas PRA BRANCO MERDA ir lá comprar... Insulto pra mim é essa acusação de "receptação" vir bem na hora que o branquinho loirinho do surf TÁ SOLTO...mas o Matheus ACUSADO POR RACISTAS de ladrão ter que SER ACUSADO porque aqui não tem direito nem da sua humanidade validada.
O que eu acho PATRIARCAL em alguns discursos de alguns feminismos (radfem aproximado de libfem, por exemplo) é que não se discute de fato a VIOLÊNCIA de gênero produzida como um esmagador onipotente da humanidade de pessoas. Se fala em superiores (opressores) e inferiores, que muitas vezes parecem tomar para si uma "vontade", ainda que inconsciente ou menos velada, de OPRIMIR. Em outras palavras, é o que Freire já traduzia na expressão "pedagogia do oprimido", isto é, a cultura ensinada (transmitida) do opressor, como um vitorioso, e do oprimido, como um perdedor. Mas, gente, PERDEDOR DE QUÊ? GANHADOR DE QUÊ? Pensemos bem... Quem ganha MASSACRA, VIOLENTA, OPRIME, ESMAGA E DESUMANIZA e quem perde sai soterrado, silenciado, apagado, invisibilizado e desumanizado. Eu canso, sabe. Canso. Tô exausta. Pouquíssimos são os discursos de feminismo na internet que realmente eu compartilho, ou que me trazem aprendizado. Infelizmente. A esmagadora, literalmente, maioria, de fato me esmaga, me causa sofrimento psíquico, só repete opressão. Tão feminista que FALA O DIA TODO DE MACHO, nessa buceta! Tem feminista que RIVALIZA toda hora com a mana. Tem feminista que na hora de LER e ESCUTAR a dor real (crua) de outras mulheres DEBOCHA na postagem com comentário. E eu me coloco na posição de chamar para algumas leituras ATRAVESSADORAS de feminismos para além da bolha, especialmente branca, de classe média alta, centro-sulista, DESPREPARADA, OPRESSORA e (mesmo com oportunidade) LEITORA DE TRECHOS e não de LIVROS inteiramente, sem pular NENHUMA PÁGINA. Uma leitura honesta, de quem não sabe MESMO, não vai ter nenhum certificado MAS SE VÊ enlouquecer ou morrer devagarinho perdendo sangue a conta gotas. Existe alguns discursos que ABUSAM do termo feminista por sadismo, perversidade e OPRESSÃO.
sexta-feira, 18 de junho de 2021
que merda
"empregada do marido" é um termo já do senso comum e realmente não reflete a luta por conscientização política sobre a exploração do trabalho doméstico e da reprodução (gestação) compulsória - que são duas importantíssimas condições de controle e ESCRAVIZAÇÃO dos corpos de mulheres e que sustenta a base do capitalismo (por exemplo, segundo Silvia Federici). Não é exatamente sobre o termo, mas sobre a limitação da própria situação... Ser "empregada do marido" é uma forma restrita de expressar o fato de que a família patriarcal, a casa e a sociedade exercem uma exploração a partir da restrição radical da dinâmica pública de uma mulher, apenas por ela ter nascido mulher - o que é uma VIOLÊNCIA de gênero (violência no sentido de produção de meios e fins AGRESSORES, ABUSIVOS, ESCRAVIZADORES e CONTROLADORES). Violência significa PRODUÇÃO DE SOFRIMENTO. Infelizmente, existe uma banalização do significado de VIOLÊNCIA que é por si chocante, e denuncia DESPREZO, DESUMANIZAÇÃO e descaso com quem sofre - talvez sejam as veias fascistas correndo em corpos que não têm como entender sua própria alienação ou agenciamento ao sistema que lhe violenta.
sobre o impedimento cultural liberal para o feminismo como ética
No meio do feminismo tinha uma pedra...
Tinha uma heteronormatividade "sutil" liberalzinha no meio do feminismo
terça-feira, 15 de junho de 2021
consumismo no afeto ou consumo de afeto
Liberalismo sexual é consumismo afetivo, isto é, exploração compulsória do afeto de modo a escravizar corpo e mentalidade de quem está alienado pela heteronormatividade COMPULSÓRIA. Não importa a forma da relação, seja ela homoafetiva, heteroafetiva, poliamor, relação aberta, monogâmica, polígama, extraoficial... Não importa, a heteronormatividade é uma maneira de se conceber, de se vivenciar, de se estruturar relações interpessoais sexuais ou afetivas... É a dominação do outro (consciente ou inconsciente), é a exploração do afeto e do corpo do outro (financeira, sexual ou por meio do trabalho doméstico ou não). A heteronormatividade reflete o pensamento de ativo x passivo que é manutenção de privilégios e obrigações realmente violentadoras. Uma mulher, por exemplo, que trabalha mas faz todo o trabalho (indireto) para seu "companheiro" enquanto ele cresce, aparece, ganha visibilidade e notoriedade profissional está presumidamente em uma relação que se confunde entre o afetivo e o laboral...deixando visível os "enlaces", os "elos", os contratos sociais comuns ao patriarcado ... Explicar esse tipo de coisa é constrangedor, porque somos obrigadas a ver "ROMANTIZAÇÃO" como "idealismo", "sonho bobo", quando de fato É VIOLÊNCIA. MAS ainda não estamos de fato preparadas para essa conversa franca
romantização é o CARALHO
E tem bobo que acha que "ROMANTIZAÇÃO do amor" é "monogamia". Sinceramente, eu sou ZERO paciência para explicar, justificar, me humilhar até pras manas (especialmente as héteras, mas não só elas) que ROMANTIZAÇÃO [nesse c@r&lh#! 🤬🤬😡😡😡 É VIOLÊNCIA e sofrimento IGNORADOS na relação "afetiva-sexual" em que, especialmente na HETEROSSEXUALIDADE, as mulheres "pensam" que estão "ganhando" algo mas de fato o que se parece com algum "privilégio" é migalha e exploração - geralmente, sexual, emocional, psicológica, física (no trabalho doméstico compulsório, por exemplo), moral e estrutural. Romantizar NÃO É ACREDITAR EM AMOR, não é se apaixonar, não é transar (fazer amor?) ou querer um relacionamento ""”"fechado""""". Poligamia não é liberdade sexual de mulher. Relacionamento aberto NÃO É MODERNIDADE só por ser. Que coisa chata demais ter que dizer o óbvio até para as manas do rolê que militam. C@r&lh*!!!! Quando a gente vai aprender que "meu corpo, minhas regras" NÃO É SOBRE mulher livre, mas sobre PARAR DE MORRER, sobre o trabalho doméstico compulsório e escravizador ser REPENSADO, sobre os corpos das mulheres não serem ALIENADOS pelo patriarcado a servir à sexualidade DE QUALQUER OUTRO , seja homem, mulher, ET, planta, etc. Cansada! Essa mana da publicação que você compartilhou É A PROVA que falta MUUUUUUUUUUUUITO para o feminismo em sua ética LUTAR (fora do liberalismo, individualista, consumista, alienado) por mulheres em sua DIGNIDADE. Como grita, implora e escancara FEDERICI, em "Calibã e a bruxa", NÃO foi antigamente que fomos queimadas, sequestradas, estupradas e DESUMANIZADAS. Esse é o modus operandi do capitalismo DESDE SEMPRE. É preciso olhar pela REALIDADE COLETIVA das mulheres urgentemente. Eu não posso me sentir "a livre" se ainda há ESCRAVIZAÇÃO, EXPLORAÇÃO E MORTE do meu lado nessa merda. (Desculpa o desabafo)
A "outra"
Segundo Gerda Lerner, no livro "A criação do patriarcado" (obra de 1979- traduzido para o português só em 2019), as concubinas (segundas esposas ou as "outras" e hoje em dia substituídas pelas "amantes") sempre foram uma classe ainda mais SUBALTERNIZADA, ainda mais ESCRAVIZADA, ainda mais EXPLORADA SEXUAL e com o trabalho DOMÉSTICO, além de serem ESCORRAÇADAS pelo próprio patriarcado (em mentalidades de mulheres e homens) que usam do privilégio heteronormativo PARA ESMAGAR a humanidade, portanto, desumanizando-as. Por isso, que não se trata, de modo mais analítico histórico, de uma "opção" ou de uma "escolha", mesmo porque se assemelha demais com a origem e com a permanência do sistema de prostituição (ainda que seja uma "outra família"). É de fato UMA VIOLÊNCIA simbólica, psicológico, verbal, moral, quando não FÍSICA e , inegavelmente, INTERROMPE a própria existência/vivência até subjetiva dessa mulher alienada pelo patriarcado em forma de heterossexualidade romantizada e, por isso, compulsória. Precisamos ainda saber que não há por que para rivalizarmos, disputamos ou competimos por esse "alecrim dourado" de pênis entre as pernas - posto que a mais do que isso, só a VIOLÊNCIA ele terá como herança. Não há dinheiro ou "suposto" amor (heterossexualidade compulsória e alienada) que valha a pena.
segunda-feira, 14 de junho de 2021
Por que Bolsonaro não usa máscara?
Por Roberto DaMatta
09/06/2021
Fiz a pergunta a muitas pessoas de ambos os polos e a uma minoria centrista que procurei como um detetive. Todos se assombraram com minha inocência. Como é que eu — professor titular de Antropologia Social e pesquisador da “alma brasileira” — não sabia que, entre nós, quem manda não obedece?
Como é que eu podia ignorar que, no Brasil, mandar anula o obedecer, essa desagradável anormalidade democrática que inverte a velha ordem? Como é que eu esquecia que “estar no poder” é sinônimo de não seguir coisa alguma, porque obedecer é o carimbo dos fracos e dos pobres?
É claro que Bolsonaro não usa máscara!
Como é que ele aceitaria tal banalidade, se o sinal que envia é que pode tudo? No Brasil, ser superior é não estar com a lei, mas situar-se acima dela, é claro.
É ter o privilégio de não ser cidadão. De provocar e abusar, na certeza de não ser punido. É ser “impunível” e, se preso for, ter a plena confiança de que um jurisconsulto ponderado vai livrá-lo da prisão, que será especial — um xadrez hierárquico e diferenciado...
Ninguém definiu tais condições com mais clareza que o próprio Bolsonaro quando, em 12 de maio do corrente, numa de suas tiradas absolutistas, declarou que “só Deus me tira daqui” e, no dia 17, afirmou ser “imorrível, imbrochável e também incomível”. O incomível é curioso. Ele salienta a qualidade bolsonaresca de ser duro de roer, mas deixa de lado outras implicações que Freud explica, e eu prefiro não comentar...
A arrogância expõe as propriedades conhecidas, mas pouco discutidas, de todos os que “sobem”, “chegam” ou “tomam” o poder no Brasil.
Aqui (como na América Latina), ser irremovível ainda é o sonho de quem encabeça um sistema que transforma eleições em rituais dinásticos, ministros em fidalgos ou criados e o eleito, em salvador (ou matador) da pátria. O populismo é o modelo resistente à igualdade do presidente perante a lei.
Aprendemos que o dono da bola pode mudar as regras do jogo e, sendo contrariado, ele acaba com o jogo.
O “golpe” é uma possibilidade constante em países onde verdade e mentira se contestam. É preciso perceber que crimes políticos hediondos, como “o rouba, mas faz”, ainda são vistos como piadas e folclore.
O que mostra como evitamos examinar o protagonismo dos costumes sobre as instituições. Aquilo que é positivo na família, e até mesmo no partido, contraria a ética democrática.
É preciso compreender como a ambiguidade ética corrói a impessoalidade obrigatória das democracias, cuja disciplina se baseia na separação de pessoas e cargos. O atualíssimo e atrasado “manda quem pode, obedece quem tem juízo” é um mote escravocrata. É uma prova da desigualdade como valor no Brasil.
A decepção bolsonarista tem tudo a ver com a incapacidade de negar o pedido de um amigo e de ver essa incapacidade como normal. Como se lei, civilização, costumes e comportamentos fossem seres de planetas diferentes, quando são dimensões necessariamente relacionadas nos regimes democráticos.
Caso a “casa” continue a englobar a política e a “rua”; caso os elos pessoais sejam mais valorizados que a moralidade coletiva, temos incesto. O que iguala estruturalmente incesto e “corrupção” é romper com uma norma pública universal em favor de desejos particulares. Pois, como adverte sabiamente a revista “Playboy”, “o incesto é legal desde que seja mantido em família”.
Mas como manter a muralha da família (e dos compadrios) ao lado da liberdade do mercado e das gravações reveladoras da verdadeira máscara do invocador do Tribunal de Nuremberg e também das facções de ataque e defesa do governo, que são (com a devida vênia) contumazes potoqueiras? Por que — essa é a grande questão — o campo político virou um espaço de mentiras, malandragens e desenganos?
O abominável no comportamento de Jair Bolsonaro é que ele ainda não conseguiu entender a magnitude do papel de presidente da República. É claro que tudo tem a ver com a crença de que ele se pense, como disse com uma ingenuidade embaraçosa, como “imorrível, incomível e imbrochável”. Delas todas, eu invejo a mais humana, a última.
Como dizia o velho e querido brasilianista Richard Moneygrand, dificilmente se faz democracia com faraós.
Roberto Damatta - assinatura
Por Roberto DaMatta
quinta-feira, 10 de junho de 2021
amamentação compulsória e outras formas de escravização de mulheres e pessoas com útero no sistema tirano do patriarcado
E, é sempre bom lembrar de mulheres que não quiseram ou tiveram sérios problemas para amamentar. Afinal de contas, faz parte do discurso da violência simbólica misógina a amamentação compulsória. Por exemplo quando uma menina, ainda muito nova engravida, é obrigada a gestar, a parir, a amamentar...por causa do dispositivo materno (violência de gênero). Um sofrimento devastador e muito solitário invade essa menina. Da mesma forma, mulheres e pessoas com útero que são obrigadas (são um enésimo dado silenciado e amordaçado) a levar gestações - indesejadas e adoecedoras, talvez enlouquecedora - e ouvem uma voz social que naturaliza o aprisionamento das fêmeas que devem ser a fábrica da humanidade. Esse é um ponto que me toca porque minha irmã é mãe solo, de uma gravidez não planejada, amamenta até hoje (depois de já 3 anos do filho), sem poder trabalhar, sem poder ter sua autonomia legitimada e muitas vezes silenciadas em vozes que repetem " a mãe é sagrada", mas esquecem que somos compulsoriamente obrigadas a nos reproduzir em muitas situações de circunstâncias diversas. A amamentação é também um direito da criança conforme as prerrogativas de aleitamento como princípio de desenvolvimento saudável de pequenas gentes. E, mais uma vez, o discurso da maternidade compulsória e violenta se faz sem nem a declaração de direitos humanos perceber. Afinal, mulheres ou pessoas que possuem útero têm mesmo o direito de decidir? Somos iguais em "liberdade" e integridade do nosso corpo como qualquer um? Será que é assim? São indagações necessárias para um feminismo político e prático. A vida de mulheres e pessoas que possuem útero não deveria se resumir às consequências biológicas de gestar, parir e amamentar como se fossemos fêmeas, animalizadas, escravizadas pelo controle externo que o patriarcado retém sobre o nosso existir. Apesar de tudo isso, eu sou plenamente a favor da garantia dos direitos das pessoas que possuem útero de gestar, parir e amamentar se assim for minimamente para o seu próprio bem e da sua própria vontade. Mas eu acho que o que eu defendo anda utópico demais.
quarta-feira, 9 de junho de 2021
oxalá
Segundo os mitos, Oxalá permaneceu injustamente preso durante sete anos no reino de seu filho, Xangô, sem que este soubesse do fato. Grandes calamidades ocorreram em todo o reino devido a essa injustiça e quando Xangô finalmente descobriu o que havia acontecido com o próprio pai, resgatou-o da prisão e ordenou que fossem organizadas grandes festas em todo o reino, em sua homenagem.
A festividade conhecida hoje como Águas de Oxalá remonta a esse acontecimento. No entanto, Oxalá estava muito alquebrado, ferido e entristecido. Apesar de toda a atenção que recebeu, a única coisa que desejava era retornar ao seu próprio reino, em Ifé, onde Yemanjá, sua esposa, o aguardava. Xangô não podia acompanhá-lo pois precisava colocar em ordem o próprio reino e pediu a Airá que fizesse isso em seu lugar.
Foi assim que Airá tornou-se o companheiro de Oxalá, pois a viagem foi muito longa já que Oxalá andava muito devagar (conta-se também que Airá carregava Oxalá nas costas) pelo fato de ainda estar se recuperando dos ferimentos que adquirira durante os sete anos de prisão. Durante o dia, eles caminhavam. À noite, Oxalá sentia frio e precisava descansar. Para aquecê-lo e distraí-lo dos próprios pensamentos, Ayrá mandava que acendessem uma grande fogueira no acampamento. Oxalá observava o fogo e Ayrá passava longas horas contando-lhe histórias do povo de Oyó.
Desse modo, tornou-se tradição acender a fogueira no dia 29 de junho de cada ano (no Brasil), em homenagem a Airá e à viagem que fez em companhia de Oxalá.
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Áyrà ójó mó péré sé
Á mó péré sé
Áyrà ójó mó péré sé
Á mó péré sé
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A chuva de Airá apenas limpa e faz barulho como um tambor
Ela apenas limpa e faz barulho como um tambor
A chuva de Airá apenas limpa e faz barulho como um tambor
Ela apenas limpa e faz barulho como um tambor
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Amo o Candomblé
#Povodafloresta 🍃🌿
terça-feira, 8 de junho de 2021
planeta lixo
É sobre isso.
Não adianta mais dizer, como o pensador do século passado, o trabalhador "produz riqueza" por isso essa "riqueza" lhe pertence...
A lógica da propriedade não está fora desse lugar de "dono de fato de tudo que é produzido" porque O QUE É FABRICADO, camarada, É LIXO.
Incluindo o LIXO HUMANO. A humanidade dona, proprietária de lixo é a nossa nova era...
Que LIXO!
Não deveríamos mais "lutar para dominar os meios de produção", para poder "consumir", sabe...
Consumir, minhas companheiras...meus companheiros de mundo, É DESTRUIR, SUGAR TODA A VIDA, TORNAR TUDO O LIXO...o planeta lixo é o resultado...um iPhone tem, sem pecado nenhum, ALUMINA do solo sagrado DA AMAZÔNIA, banhado de morte e extinção...
Verdade...não só o iPhone que custa pouco perto da VIDA e do APAGAMENTO, do SILENCIAMENTO dos povos originários...
Estamos consumindo, classe produtora de lixo, DESTRUIÇÃO...
Romantização da pobreza ?
Não!
Ooooooooodio ao capitalismo, ao rastro de cemitérios, ao cheiro de sangue podre, ao veneno do chorume em nossas veias ...lençóis freáticos.
Ooooooodio à sociedade que pensa que consumir é algum poder...quando de fato é a própria morte em acelerado processo de produção...é voraz a mentalidade que aliena...engole tudo a sua volta e se chama NEOLIBERALISMO RADICAL ou necropolítica para os íntimos...
O século XXI exige outras ideias...que estão sendo ditas...estamos gritando. Mas o academicismo CLÁSSICO patriarcal e antiquado nos torna reféns do ontem em forma de reprodução...por certo, nenhum pensador no mundo gostaria de morrer com as mesmas palavras de sempre na boca.
Sempre pense o que seu filósofo, seu mestre preferido lhe diria agora...ou será que é você quem deveria dizer algo a ele sobre esses novos tempos...aliás...NOSSOS tempos.
quarta-feira, 19 de maio de 2021
Goza, burguesia do inferno! ou sobre o "direito" de gozar no liberalismo necropolítico radical dessa nossa era... vergonha
Que gozar e transar não são motivos RELEVANTES quando UMA PANDEMIA e um governo neofascista JÁ MATARAM juntos e aliançados...mais de 400 mil brasileiros. #ForaBol卐onaroGenocida #forasallescriminoso
#forabolsonaro
Obs. Não adianta me mandar transar, gozar...dá meu isso...meu aquilo...eu sou daquelas idiotas que NÃO SAI de casa PORQUE ATÉ PRIVILEGIADA sou... um privilégio VERGONHOSO no país que mais mata negros, lgbt, indígenas, mulheres e crianças...um país que EM MAIO LUTA PELO COMBATE ao abuso e à exploração sexual infantil... O que a PORNOGRAFIA escancara, incentiva e máscara. O que pornografia tem a ver com tudo isso? O liberalismo sexual fantasiado de "novidade"...tem cor, tem classe social e tem alvos, tem VÍTIMAS pois muitas são as mulheres que se tornam prostitutas, que não estão em nenhuma estatística de morte, fome, covid-19 ou violência de gênero.... então , goza, aí, CARALHO... goza...bando de burguês do inferno
sexta-feira, 30 de abril de 2021
Possível é. Pra mim a ética na nossa relação com os animais precisa ir muito além desse dilema "comer ou não comer carne".
Em geral, dietas com menos proteína animal podem ser bem mais saudáveis ou não. É possível não comer animais e, ainda assim, contribuir enormemente para a destruição dos ecossistemas (a soja, por exemplo, é um grande vilão). Há muitos alimentos originados de trabalho infantil e escravo. Há muitos outros comportamentos nocivos ao meio ambiente que são pouco falados (descarte e mesmo excreção de psicofármacos em rios que alteram o comportamento dos peixes e outros animais). Poderíamos até contabilizar o uso de eletricidade vinda de hidrelétricas que destroem muitos ecossistemas.
Enfim, pra mim, a lógica da REDUÇÃO no consumo, escolha consciente e outras iniciativas, de maneira geral, são mais interessantes do que focar apenas na lógica de "comer ou não" outros animais. E na verdade me irritam um pouco pela hipersimplificação (igual a onda de banir canudos). Nossa biologia inclui a alimentação com base em proteína animal, assim como a de muitos outros animais. O maior ponto de discussão, para mim, não deveria ser este. Até pq escolher não comer carne tbm passa por uma série de outras questões socioeconômicas.
Comentário sensatíssimo de Anna Carolina Ramos
quarta-feira, 28 de abril de 2021
Companheiros.
Concordo plenamente. Além disso, acho muito importante que seu posicionamento enquanto negro homem cis esteja sendo exposto porque a manutenção desse sistema de exploração e controle das sexualidades se dá por meio do patriarcado arraigado em nossa cultura, sendo os homens muitas vezes os que mais são privilegiados, embora estejam em certa medida sofrendo de uma compressão subjetiva (alienação da sua sexualidade também). Ouvir de um homem é importante porque entre pares, muitas vezes o discurso é de reforço, de estímulo e até policiamento. Ler o que teu lugar de negro militante manifesta é inquestionavelmente próprio, ético e orgânico - são essas as bandeiras que eu já te vi carregando -, então, muito obrigada por estar muitas vezes na trincheira com coragem de ser até agredido, de diversas formas. Uma das violências simbólicas mais destrutivas produzidas contra negras e negros a hipersexualização de seus corpos, o estupro moralizado pela desumanização das etnias africanas e a limitação das qualidades aos "atributos" de aparência que é um nojo praticado pela indústria cosmética e da medicina estética. Absurdos de um fascismo DESGRAÇADO que nos comanda pela necropolítica ou neoliberalismo radicalizado. Como és CISgênero essa pauta te coloca no fronte com todes que são explorades, OBJETIFICADOS feitos de produtos para a venda na prateleira do CONSUMO "afetivo" que destrói muitos sonhos, oportunidades e fecha as portas, colocando transgeres em uma classe INUMANA. O que é ANTES DE TUDO uma derrota para a humanidade. É um posicionamento francamente feminista assim como o meu. Não tenho nada a me opor. MUITO OBRIGADA pela sua manifestação. ♀️💜
terça-feira, 27 de abril de 2021
😔
Não foram as bruxas que queimaram.
Foram mulheres!
Mulheres que eram vistas como:
Muito bonitas,
Muito cultas e inteligentes,
Porque tinham água no poço, uma bela plantação (sim, sério),
Que tinham uma marca de nascença,
Mulheres que eram muito habilidosas com fitoterapia,
Muito altas,
Muito quietas,
Muito ruivas,
Mulheres que tinham uma forte conexão com a natureza,
Mulheres que dançavam,
Mulheres que cantavam,
ou qualquer outra coisa, realmente.
Qualquer mulher estava em risco de ser queimada nos anos 1600.
Mulheres eram jogadas na água e se podiam flutuar, eram culpadas e executadas. Se elas afundassem e se afogassem, eram inocentes.
Mulheres foram jogadas de penhascos.
As mulheres eram colocadas em buracos profundos no chão.
Por que escrevo isso?
Porque conhecer nossa história é importante quando estamos construindo um novo mundo.
Quando estamos fazendo o trabalho de cura de nossas linhagens e como mulheres.
Para dar voz às mulheres que foram massacradas, para dar-lhes reparação e uma chance de paz.
Não foram as bruxas que queimaram.
Foram mulheres...😔
Texto de Fia Forsström
pátria pútrida, burocrática, patriarcal: brasil da fome, do lado, da morte e do genocida
Essa informação é fato. E também absolutamente triste, porque conforme a produtividade em atividades remotas os alunos podem ficar SEM O VALOR de R$80,00 que recebem O QUE JÁ É DRAMÁTICO, honestamente.
Quando eu falo em desigualdade social na escola, eu estou apontando essa realidade de abismo entre escola e comunidade, porque dentro das próprias escolas A DESIGUALDADE ENTRE os indivíduos é um abismo. Por isso que mesmo o CANCELAMENTO do vale alimentação deveria ser REPENSADO.
Eu tenho vários relatos de pessoas (alunos) que tiveram ALIMENTAÇÃO na mesa por causa desse vale, o que do contrário seria FOME. Fome.
Outro ponto que concordo plenamente com sua fala, professor, é de que o cancelamento de matrículas pode sim prejudicar a vida escolar dos alunos - mas o que se está pensando de fato é no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) que tanto conta com as frequências, matrículas, evasão e retenção de alunos, quanto com as notas por meio do SAEB.
Sabemos que o SAEB traz ou tira RECURSOS das escolas por meio da redução de alunos, por exemplo.
Em meio a uma pandemia de fome, a um holocausto de injustas mortes, a uma letalidade revoltante de um VÍRUS com vacina pronta já em todo o mundo... o governo pode sim FAZER UMA GRANDE MERDA - perdão pela indignação que está expressa na palavra.
Não se pode pensar apenas pelo lado de conteúdo (produção teórica), nem pelo lado de referência, estatísticas de alunos e demais aspectos...
É OBRIGATÓRIO que se pense EM VIDAS, EM SAÚDE, EM COMIDA e, sem dúvida, por tudo isso EM EDUCAÇÃO de modo MUITO, MAS MUITO MESMO ALÉM DE CONTEÚDO.
Educação é também um exercício POLÍTICO contra o genocídio, a fome e o descaso com a humanidade da gente.
Por isso, é indispensável se pensar em MUITAS partes que compõem a ESCOLA PÚBLICA como lugar de educação como direito fundamental (humano) e constitucional. Perdão por todas as redundâncias, indispensáveis, para a clareza e a seriedade do que se trata.
Nenhum aluno SEM O VALE, deveria ser a meta máxima.
Nenhum trabalhador da escola sem a vacina, primordialmente, para que o ensino híbrido seja possível.
Nenhuma vida a menos, poderia ser a nossa maior luta nesse momento.
Quando a filosofia marxista se fundamenta na máxima "Trabalhadores do mundo uni-vos!", trabalhadores SOMOS TODOS NÓS MESMO quem não possui sequer um diploma na mão.
Somos nós o chão que deveria cuidado antes de TODO esse desmonte.
Eu sou plenamente CONTRA qualquer medida antidemocrática, anticonstitucional e desumana.
Minha ética feminista, educadora freireana e EMANCIPATÓRIA - porque sou a favor de medidas HUMANITÁRIAS para lutar na pandemia - me definem.
Obrigada pela sua contribuição.
Sou plenamente a favor da sua manifestação.
Professora Hilda Freitas
quarta-feira, 21 de abril de 2021
Escola NÃO é depósito de gente
Escola NÃO é depósito de gente.
Aluno não está na escola para "deixar os pais trabalharem em paz", enquanto outras pessoas CUIDAM e CRIAM seus filhos.
Educação INSTITUCIONAL, escolarização, NÃO É MERCADORIA que se COMPRA, CONSOME ou se GANHA de bônus em escolas.
Escola é um direito como vida, saúde, transporte, segurança e cultura. TODOS os direitos estão SUSPENSOS de forma instável desde que a "gripezinha" chegou no brasil e foi IGNORADA por um governo federal OMISSO.
Sabem por que as escolas públicas estão fechadas para aulas presenciais?
Porque ATÉ RESPIRAR e COMER está DIFÍCIL no país das porcarias, da corrupção, do presidente GENOCIDA, da família de milícias espalhadas em todas as esferas governamentais.
Se alguém acha que ENCHER escolas de alunos e abrir suas portas para atendimento normal é URGENTE, POR CERTO ainda não se percebeu O NÚMERO de PESSOAS PEDINDO COMIDA nas portas, implorando com fome por EMPREGO.
Essa situação está se prolongando porque NÃO HÁ GESTÃO FEDERAL, mas dinheiro SENDO ROUBADO e usado como se fosse a impunidade a ÚNICA certeza.
Não é a escola fechada que MATA TODO DIAS MAIS DE 3 MIL brasileiros.
Não foram profesores, diretores, coordenadores, porteiros, servidores técnicos, administrativos e operacionais que MATARAM INJUSTAMENTE quase 400 MIL brasileiros já.
Quem matou?
Quem destruiu seus empregos?
Quem faliu pequenos empresários?
Quem disse que vacina NÃO ERA SOLUÇÃO?
Quem MINIMIZOU o poder de MORTE de um VÍRUS letal NO MUNDO INTEIRO dizendo que aqui isso não aconteceria?
Deixem esse genocida PRESIDENTE e vejam mais entre nós CAIREM.
A culpa é do vagabundo que não aceitou acordos para VACINAR COM RAPIDEZ NOSSA GENTE desde o ano passado.
A culpa é do maldito que RI, que faz PIADA, que xinga A POPULAÇÃO destruída, que NÃO RESPEITA A NOSSA DOR, o nosso luto.
Antes de matarem mais pessoas, EXPULSSEM ESSE CRIMINOSO da cadeira mais importante do que resta de república FRACASSADA nesse país.
#ForaBol卐onaroGenocida
#ForaBolsonaro
#EleNao
#fascistasnãopassarão
#ForaBolsonaroeSuaQuadrilha
terça-feira, 20 de abril de 2021
sapiens, sensibilidade, ppercepção (?), humanidade... entre Hannah e Eichiman ...do humanismo ao fascismo radicalizado o continuum histórico da civilização democrática (?) em pedaços
Acho bem intrigante a visão incomum da Hannah Arendt ao descrever esse "elemento" humano em Eichiman que, por isso mesmo, está contido nela, tal como em qualquer outro, como eu ou você, por exemplo. No olhar dos que lerem abismados a análise que Arendt propôs, a visão da banalidade refletida - sim! Sim, os que acham que Arendt "perdoa" Eichiman ao lhe declarar humano apesar do nazismo dele, padecem do mesmo que ele. O fascismo nessa visão estarrecedora da filósofa é um estranhar a humanidade do outro a ponto de destruí-la ou invisiblizá-la, apagar a humanidade do outro. Desumanizar outrem. Um mecanismo impossível aos que sentem a humanidade em si e nos demais. Sensibilidade (sapiens), a substância TAMBÉM humana, comum a qualquer um de nós que transborda em Hannah diferencia a sua postura ética, política e histórica diante de Eichiman. Ela possui sensibilidade enquanto ele...fascismo.
domingo, 18 de abril de 2021
privilégio de estar em casa, vivo.
Ficar em casa não é uma escolha, infelizmente. Quando é uma decisão, mesmo assim pode ser compulsória...vemos tanto isso em relação às pessoas que precisam trabalhar fora de casa. Então, o nosso privilégio está nessa incapacidade de escolha, pois nós é proporcionado o ficar em casa, enquanto que não há esse direito para todos. Aqueles que têm minimamente o poder de decisão real de impacto coletivo permitem ou não permitem. É adoecedor viver em um país com a desigualdade social brutal que nos assaltou desde o golpe de 2016. É contínua e irreversível a construção da miséria de milhões de pessoas, a de milhares e a empobrecimento cruel da esmagadora maioria. Por tudo isso, é doloroso demais reconhecer esse privilégio, é frustrante saber ainda que não temos nem como mudar de modo abrupto, nem imediato esse caos. Nossa luta vai ser de formiguinhas, de andorinhas no incêndio. Porém, o que nos dá esperança é que em nós a coragem não falta, a generosidade não perde o brilho e a união é um instrumento progressivo de revolução. Estamos juntas com muitos companheiros que não perdem a certeza de que lutar vale a pena. Lutar vale a vida, vale o mundo. Lutar, esperançar e seguir, nossos verbos. NÃO RECUAREMOS. "É preciso estar atento e forte!"
sábado, 17 de abril de 2021
filosofia percepcional
SINTO, LOGO EXISTO: A FILOSOFIA ESTÉTICA DE MERLEAU-PONTY
Tradicionalmente, a filosofia ocidental considera a percepção como mera coadjuvante do conhecimento humano, em alguns casos, ela até atrapalha na busca da “verdade”. Cartesianamente, os sentidos seriam fontes do engano, do erro de avaliação, da ilusão sobre o dado empírico. É por isso que a cultura filosófica ocidental será direcionada para a atividade intelectual, cognitiva, racional, desprezando a percepção e a sensibilidade. Não é assim com Merleau-Ponty.
O filósofo francês Maurice Merleau-Ponty nasceu em 1908 e faleceu em 1961. Ponty foi um homem da esquerda marxista francesa (que depois irá se afastar, incluindo uma briga com Sartre) e foi chamado de “existencialista cristão” (ele era católico). As suas reflexões são interessantíssimas para uma visão espiritual da vida, para a centralidade da experiência do corpo e para a arte.
Sua obra central é “A fenomenologia da percepção” onde “critica a psicologia clássica, a fisiologia mecanicista e o cogito racionalista de Descartes por meio do retorno ao fenômeno da percepção segundo a perspectiva fenomenológica. Para o filósofo, perceber não é uma pura sensação e nem tampouco um julgamento intelectual, mas a experiência de se dirigir, intencionalmente, ao mundo pelo corpo.”
Neste livrinho, escrito pelo psicanalista e filósofo brasileiro Iraquitan de Oliveira Caminha (“10 lições sobre Merleau-Ponty”. Petrópolis, RJ : Vozes, 2019), quero destacar alguns pontos que me parecem centrais:
1- Desinflar o ego cartesiano e retomar a postura do não-saber e do espanto diante do mundo. Diz Caminha:
“Para o pensador francês, há uma impossibilidade radical de o filósofo alcançar qualquer tipo de superação definitiva das contradições humanas. Ele deve sempre adotar a postura do não-saber.”
Não se trata de um elogio da ignorância, mas de compreender “o papel do filósofo” como aquele que deve “oscilar entre a ignorância e o saber”.
2- A filosofia é uma obra inacabada e não uma sistematização de verdade totais sobre o mundo. Para Ponty, “o incessante recomeçar da tarefa filosófica é a expressão de renúncia a toda cristalização do pensar num sistema acabado e fechado. Tal perspectiva de compreensão da Filosofia como inacabada é derivada da concepção de que o real é sempre percebido e que não há percepção sem mundo. A percepção é a experiência originária de se dirigir para o mundo, que renova constantemente o pensamento filosófico. Nesse sentido, a Filosofia é considerada, por Merleau- Ponty, como a perpétua experiência de reaprender a ver o mundo.”
3- O mundo é o que percebo e o que percebo é o mundo, portanto, cada sujeito vive dentro de uma experiência de mundo que lhe é peculiar, mas não fechada, nem incomunicável. Nessa perspectiva, “não devemos nos perguntar se nós percebemos realmente um mundo; devemos dizer ao contrário: o mundo é isto que nós percebemos” (MERLEAU-PONTY, 1992a, p. XI). A percepção nos dá, assim, um saber primordial que fundamenta para sempre nosso poder de reconhecer a existência do mundo como uma evidência de fato independentemente de esclarecimentos anteriores ou posteriores.”
Segundo Merleau-Ponty “o que é dado não é a coisa só, mas a experiência da coisa”. Sendo uma experiência — e não um dado objetivo, exterior e inquestionável — não podemos cair na ingenuidade de achar que a percepção é algo “puro”, “desinteressado”, “neutro”, “isento” ou não ideológico. Porque não existe experiência perceptiva pura, pois nossa percepção não é uma vivência desinteressada, pois “para que percebamos as coisas, precisamos “vivê-las”” e ao vivê-las ao deu a estas experiências as cores, os sabores, os sentimentos e os valores e as crenças que me habitam corporalmente.
4- E o que é o corpo para Merleau-Ponty?
Dito de forma simples e direta, o corpo é a nossa totalidade. Ponty tentará fugir do dualismo cartesiano que marca a nossa percepção de corpo como algo dividido (corpo e alma, matéria e espírito, corpo e consciência). Diz Caminha:
“Quando Merleau-Ponty se refere ao corpo próprio ou vivido, está bem claro que não é o corpo considerado de maneira totalmente objetiva, sempre visto como um dado em terceira pessoa, quer dizer, como um “ele é” coisificado (Körper). Isso significa que o corpo não é uma coisa material, de natureza inanimada, ou associada a uma consciência separada de uma vida sensível. O corpo próprio é, para Merleau-Ponty, uma existência indivisa que nós vivemos como uma vida que sempre nos pertence (Leib). Devemos notar que, quando Merleau-Ponty se refere ao corpo, enquanto percebido, ele o considera como fenomenal, cujo modo de ser para nós não passa pelo mundo objetivo considerado em si. O corpo que nós vivemos não é um objeto transparente, que se introduz em nosso campo de visão como um objeto exterior, mas, essencialmente, uma vida que assumimos como uma estrutura sempre presente em todas as nossas ações.”
5- E como este “eu-corpo” percebe o mundo?
“Segundo Merleau-Ponty, “a filosofia não é o reflexo de uma verdade prévia, mas, como a arte, a realização de uma verdade” (MERLEAU-PONTY, 1992a, p. XV). Não obstante, essa verdade encontra sempre nosso mundo, onde já há uma “razão preexistente”. Isso quer dizer que o único “logos que preexiste” é o próprio mundo. No fundo, a perspectiva filosófica de Merleau-Ponty é de mostrar que, de um lado, está certa a premissa de que para descobrir uma paisagem escondida atrás de uma colina, nosso olhar precisa encontrar um lugar que dê acesso ao aparecer de tal espetáculo, mas, de outro, é incontestável que essa paisagem não apareceria ao nosso olhar se já não estivesse presente no mundo percebido. Aquele que percebe não é uma consciência que ordena uma matéria sensível da qual ela possuiria a “lei ideal” das formas percebidas. Nesse sentido, a experiência perceptiva comporta, por princípio, a contradição da imanência e da transcendência. Portanto, a percepção é, ao mesmo tempo, vivida por aquele que vê e a expressão do mundo que se mostra. É por essa razão que Merleau-Ponty (1992a) afirma que o mundo é mais velho do que a consciência.”
Antes de nossa percepção de mundo, existe um mundo, um logos que é anterior a nós. A experiência da percepção não é algo objetivo e asséptico como no empirismo e nem é uma experiência universal e “desencarnada” conduzida pelo cogito, pelo intelecto humano. A experiência da percepção, deste eu-corpo, é um todo complexo, é uma experiência da verdade — e não a verdade em sentido absoluto —, é um encontro e, digo eu, uma construção social.
Ao perceber o mundo eu sinto, ao sentir sou afetado e afetado pelo que sinto e percebo do mundo, vivo uma experiência que é corporal e que envolve minhas intenções, meus desejos, não sendo eu mero objeto passivo. Somos então sujeitos de percepção. Caminha explica:
“Sentir não é, para Merleau-Ponty, apenas uma reação motora passiva aos estímulos do ambiente. É bem verdade que toda sensação é sempre de alguma coisa. Logo, só posso dizer que sinto o vermelho porque sou afetado por essa cor. Todavia, essa cor só se define como uma cor identificável por meio de uma série aberta de experiências possíveis operadas por um corpo que se faz sujeito no ato de sentir. Aquele que percebe é antes de tudo um ser de potência ou de possibilidades. Nasce aqui uma questão que é da ordem do uso do corpo, problema típico do mundo humano. Se fossemos máquinas que registram e decodificam informações sensíveis, não precisaríamos colocar o problema do sujeito da percepção.”
6- A carne como superação do dualismo cartesiano de corpo/mente.
Este é um dos alvos da filosofia de Merleau-Ponty. Desfazer-se de nosso passado dualista, mas o dualismo persiste. Ponty fala de um corpo que é físico e psíquico ou physis e psyque. De um eu-corpo que é natureza e cultura. Mas como manter isso unido?
É quando Merleau-Ponty desenvolve o conceito de carne — inspiração católica? — para falar em totalidade corpórea, experiência impossível de delimitar fornteiras dualistas, posto que physis e psyque (natureza e cultura, sujeito e objeto) são uma única coisa: carne.
“É pelo conceito de carne que Merleau-Ponty propõe superar a clivagem ou dicotomia sujeito/objeto, considerando a experiência originária do sentir. O filósofo adota um percurso filosófico cujo fim é uma reabilitação ontológica do sensível. Por esse caminho, ele renuncia os conceitos de sujeito e objeto como instâncias distintas. Nesse sentido, a filosofia de Merleau-Ponty não somente alcança o status de crítica, mas, sobretudo, se renova e permanece aberta. Com o conceito de carne podemos dizer que o corpo se liga ao mundo e o mundo se liga ao corpo de forma ininterrupta e antidualista. Nasce, assim, uma maneira de se pensar o corpo segundo a carne. É no Le visible et l’invisible que esse modo de pensar o sensível se realiza com todo o seu vigor. Com base nessa nova perspectiva filosófica, o corpo próprio ou o corpo-sujeito é concebido como “massa interiormente trabalhada”, que não estabelece uma fronteira nítida entre o dentro e o fora ou entre sujeito e objeto (MERLEAU-PONTY).”
7- A filosofia não pode se afastar do sensível, do sensório, da percepção. Só assim ela se manterá como atividade criativa e criadora.
“O imprevisível de uma percepção renovada nasce da certeza de que o ato de filosofar nunca pode se apartar do sensível. Talvez considerando o sensível em sua radicalidade como presença insuperável, possamos abrir novos caminhos que tragam ventos de esperança para renovar a Filosofia. “Ressensorializar” a atividade filosófica é o grande desafio de Merleau-Ponty. Tal desafio visa retirar o filosofar das repetições esquemáticas e colocá-lo no âmbito da ação criativa. No lugar de desapegar-se da percepção, o chamado aqui é para se deixar contagiar pela percepção.”
Concluindo, esta filosofia que valoriza e prioriza a percepção, o sentir humano, em detrimento de um processo histórico de hipervalorização do intelecto, do cognitivo e da razão, abre a filosofia ocidental para outros saberes como a arte, a literatura, as filosofias orientais, incluindo as experiências místicas e religiosas. É isso que, ao meu ver, faz da filosofia de Merleau-Ponty algo interessantíssimo e muito atual, mesmo não sendo a primeira formulação filosófica a fazer esse movimento de abertura para o sensível.
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Marcio Sales Saraiva é escrevinhador.
quinta-feira, 15 de abril de 2021
psicopata de gravata, mandato público e diploma na mão
Em resumo:
- a BABÁ do menino - ASSASSINADO E TORTURADO POR UM CRIMINOSO POLÍTICO (coisa normal no brasil ) - pode ser PENALIZADA "coooomo ela deixou ISSO acontecer?" uma mente TENDENCIOSAMENTE classista se perguntaria. A babá TAMBÉM é CULPADA(?) "Condena, ela!"... mentes de um brasil que tem na presidência um genocida
- a MÃE do Henry - namorada de um bandido ASSASSINO PSICOPATA envolvido com a escória da POLÍTICA dw miliciano no brasil - é "CULPADA" (?) pois pensam ATÉ OS ELEITORES que colocaram esse BANDIDO pra ser vereador, filho de BANDIDO de ALTA PERICULOSIDADE no Rio, essas mentes dizem "COMO ELA NÃO CHAMOU A POLÍCIA?" Como ela não foi lá tirar satisfação com ele QUANDO a babá diz que ele ESTAVA SENDO APARENTEMENTE torturado POR ESSE MONSTRO no quarto do monstro, enquanto a MÃE estava no shopping... sendo que a babá é clara ao dizer POR ESCRITO NA MENSAGEN DE WHATSAPP "ele esperou vc sair"
- a professora do menino, a psicóloga do menino, os avós do menino, o pai do menino, os vizinhos desse casal, a escola desse menino, TODO MUNDO é "CULPÁVEL" (?)... e eu digo mesmo: POR QUE NÃO CHAMARAM O CONSELHO TUTELAR??????????????
- mas, enfim, SÓ TEM 1 DIABO que ninguém CONSEGUE APONTAR como tal, criminoso, político corrupto, envolvido com poderes PARALELOS de tráfico a contrabando de armas.... ESSE IMUNDO PSICOPATA... ELE "coitadinho" ... FOI ELEITO VERADOR, vem de uma referência PATERNA escória da POLÍTICA envolvida com corrupção e milícia - UMA DAS MAIS PODEROSAS MILÍCIAS DO brasil -. PORÉM, exatamente ele, lógico, que não estaria AMEAÇANDO, coagindo, VIGIANDO com seus CAPANGAS ninguém.... né?
Até o ADVOGADO DESSE DIABO está sendo investigado...
O diabo pediu "INTERFERÊNCIA " por amizade da parte do ATUAL GOVERNADOR INTERINO do Rio de Janeiro...
Porém, CULPADAS e culpados pela morte do menino HENRY há muitos, muitas justificativas.
Eu quero ver quem vai ter ÉTICA, JUSTIÇA e humanidade PARA CONDENAR o crime organizado em pessoa que já tem AUTORIA comprovada nesse crime.
terça-feira, 13 de abril de 2021
professores
Boa noite, meus amigos. Estou aqui para compartilhar dessa angústia generalizada dos professores no nosso país.
Nenhum lugar no Brasil tem, hoje, alguma segurança para a complexidade da qual a educação - como direito humano - necessita. Está absolutamente enlouquecendo , adoecedor e hostil. Infelizmente, somos uma das classes mais DETERIORADAS com a pandemia. Nossa função social, em nosso país, ESTÁ TOTALMENTE destruída.
Nós como profissionais estamos EXAUSTOS principalmente em nossas mentes, nosso centro de trabalho contínuo.
Parece que a meta do neofascismo instalado nesse DESgoverno federal atingiu MUITOS DOS SEUS OBJETIVOS, pois ser professor hoje parece estar na trincheira da guerra para morrer primeiro. Mortes são também simbólicas... estamos AMIUDADOS, comprimidos... seria um holocausto o nosso destino? Me parece que sim.
Qual é o nosso papel nessas burocracias?????
A mim, só me vem UMA RESPOSTA: sobreviver.
Apenas precisamos continuar vivos, porque o objetivo é a nossa morte.
Que sejamos imortalidade de resistência pela dignidade de ensino, pela esperança dos nossos sonhos (delírios?). Que sejamos, ainda que nos esvaziem as forças, CACTOS no sertão da humanidade.
Como fazemos isso?
Nunca deixemos de acreditar que somos SOBRETUDO profesores porque o país, em que nascemos e estamos, é uma terra onde se tenta destruir tudo que há de humano na gente. Mas, gente é também ideias, pensamentos, até desvarios... e os loucos tem em si uma humanidade demasiada...que para nós hoje é a única bateria para recarregar a realidade insana que sequestrou anos da nossa história.
A luta é estar vivo
Leonardo Vilar acho que mobilizar nas ruas não seria uma boa estratégia, principalmente porque somos os primeiros a defender lockdown de fato, distanciamento, isolamento estratégico e demais exigências sanitárias TÃO indispensáveis, meu amigo. E, CONCORDO COMPLETAMENTE, com o seu desejo latente de invadir as ruas do país que parece que está sendo mesmo ROUBADO das nossas mãos, enquanto parecemos ver inertes. Mas não pense que é inércia, porque neste momento é posição até espacial. O que os fascistas, demais inimigos da humanidade, que se apresentam no nosso cotidiano estão fazendo é ROMPER barreiras SANITÁRIAS e prescrições de saúde pública para chamar uma negação e um suicídio/genocídio generalizados. TEMOS QUE APRENDER NOOOOOOOVAS TÉCNICAS . Nunca foi preciso aprender com eles a lutar. Nossa luta é autêntica, é contemporâneo, é historicamente NOSSA. Esperançar é um verbo elementar, proposto por PAULO Freire, no auge da Ditadura cívico-militar. Enquanto NOS chamam de "acomodados", as sementes estão sendo LANÇADAS, a semeadura está regada de sangue, suor e lágrimas. Mas haverá PRIMAVERA. Não duvide. Se cuide MUITO, cuide de seus amados, de nossos camaradas de lutas e de armas. Estarmos vivos é GUERRA! Não confunda. Viver no meio desse holocausto é luta.
A esquerda NÃO ODEIA a Tabata, NÓS ABOMINAMOS a banalidade do mal que faz dela uma ARMA DE GENOCÍDIO sutil e perfumada. SIIIIIIIIIM! EU estou DECLARANDO que a postura PÚBLICA, a voz POLÍTICA que Tabata representa e O MANDATO DE DESSERVIÇO social que ela MANTÉM demonstram que está CLARAMENTE posicionada NA INÉRCIA da maldade que é o próprio governo do GENOCIDA. Por tanto quanto isso, EICHIMAN criou e foi APERFEIÇOANDO a MÁQUINA de holocausto que DIZIMOU milhões de JUDEUS incinerados. Não há como aceitar quem banalize em si o mal. O fascismo é como uma pele embaixo da roupa de "progresso". Tabata SABE EXACTAMENTE a conta que há de pagar. Escória.
sábado, 10 de abril de 2021
O feminismo não é um escudo de defesa de "mulheres ruins" ou de "qualquer mulher ". O feminismo é uma condição de que mulheres são humanas iguais a qualquer outro ser humano, portanto, defeitos e qualidades vão interagir. Porém, vem da visão feminista do mundo a certeza de que existe o patriarcado. O patriarcado é o sistema de opressão que esmaga mulheres e quaisquer pessoas em um nível social de inferioridade, por exemplo, indígenas, outras etnias colonizadas, negros e demais povos em refúgio pelo mundo - INCLUINDO crianças, que são alvos diretos da brutalidade desse sistema mundo a fora. No caso específico da tortura e do assassinato do menino Henry é bastante pertinente pensar que o próprio executor da criança, isto é, o vereador miliciano Jairinho, tenha TODAS as possibilidades do mundo de usar a sua influência para manipular tanto a visão pública sobre ele, quanto para abrandar a sua pena dividindo com ela como coautora ou cúmplice, o que no processo penal geraria, na minha opinião, uma injustiça irreversível à própria memória da vítima porque amenizaria a clara brutalidade do verdadeiro violentador e torturador dessa criança. Sabe-se , já dentro do processo, que mesmo avós, funcionários domésticos, professores e psicólogos estão sendo ouvidos dentro da perplexidade de INÉRCIA diante da situação. Todos se omitiram. Se você me disser que pior de todos no caso foi a mãe, eu posso lhe garantir, o garoto estaria vivo e salvo se o CONSELHO TUTELAR tivesse sido acionado, se o pai tivesse a possibilidade de reagir diante da situação e não deixar o filho retornar. Também não sei como o pai não percebeu que havia alguma situação difernete na saúde do filho que vinha passando por sessões de tortura. O que tudo isso significa? A violência do Estado PATRIARCAL diante de um homem prestes destruir um alvo. Quem poderia ir contra o poderio e a influência pública do filho de um dos milicianos mais fortes do Rio de Janeiro? Eu fico pensando se não há alguma relação na execução política de Mariele Franco que venha dos mandatos claramente inescrupulosos desses homens. Então, não é sobre defender ela. Mas sobre não deixar de olhar a profundidade em que isso chega, já que se ele tiver uma pena amenizada - pela manipulação da imagem pública e das adições no processo de "supostos" vestígios de que a mãe é também culpada - um homem realmente psicopata e genocida continuará seu mandato, com vistas a reeleição. Pode ter certeza.
sexta-feira, 9 de abril de 2021
A relação que mulheres têm com a "performance de inutilidade" é exclusivamente a de serem submetidas, só. Não há parte, parcela, metade. Não há. Homens podem rever seus própria conceitos de vida, pois é o nome desses "deuses" que se encontra ATÉ no OLIMPO da ciência. Então, mulheres não são nem " em parte" responsáveis. NÓS somos CONDENADAS à exploração por causa disso. Dá pra pensar que "são as mulheres de criam, cuidam, ensinam aos homens a serem quem são "? CLARO que não! Não mesmo. Esse sistema CHAMADO PATRIARCADO condena mulheres a "fantasias de privilégios " e coloca os homens no topo do poder, assim como seus pares - isto é, todos (até mulheres) que se mantém ou que colaboram para essa manutenção. Mas não podemos dizer que há uma generalidade de mulheres "parcialmente " culpadas. Não há. Mas há um imenso poder político, econômico, midiático e cultural reforçando isso. Como vamos mudar essa "realidade"? Em primeiro lugar, TIRANDO das nossas costas os homens que carregamos. Em segundo lugar, PARANDO de nos sentirmos as culpadas que devem (através do feminismo???????🤨) mudar a atitude, a mentalidade e a sistemática patriarcal de toda UMA SOCIEDADE. Em terceiro lugar, se amar, se cuidar, se escutar, se rebelar, se comprometer consigo, se proteger, se respeitar , ser a primeira a LUTAR POR SI MESMA - o que aqui é um sentido mais amplo: lutar em si por todas. Jamais NUNCA JAAAAAAAAAAMAIS devemos ser RESPONSABILIZADAS por EDUCAR MACHO, escutar as dores da sua masculinidade tóxica ou repercutir os discursos em que eles sejam o centro, com seus exemplos ESCROTOS , suas metodologias científicas MEDÍOCRES OU suas URGÊNCIAS em.mudar para que consigam conviver bem.conosco. SÓ essas pequeninas 3 certezas, MATAM O LEÃO e fazem com que sejamos AO MÍNIMO menos DESTRUÍDAS, ESMAGADAS e CULPABILIZADAS em nossas subjetividades, que são a nossa própria forma de viver. Então, só quero REFORÇAR, acabar com o patriarcado não significa UMA MULHER PEGAR A LUTA PARA SI E dizer aqui em casa eu vou fazer diferente com ele, ele assim poderá aprender.... NÃO! NÃO! NÃO! Isso é blábláblá de uma tendência liberal que coloca AINDA o homem no centro, até DAS DEMANDAS FEMINISTAS, DAS DEMANDAS de mulheres. Isso não dá. Comecemos por nos cuidar, nos amar, nos ler...se isso afastar homens que talvez se tornassem namorados, maridos ou integrante de uma pseudo situação "amorosa" conosco ...quer dizer BEM CLARAMENTE: talvez você não PRECISA da parceria afetiva romantizada de ninguém. Primeiro, CUIDE-SE e não deixe te CONDENAREM a escravização patriarcal.
quinta-feira, 8 de abril de 2021
Quer saber do que um vereador bolsonarista, cidadão de bem, defensor da família e dos bons costumes é capaz? Vamos ao caso de Jairo Souza Santos Junior, o Dr. Jairinho, médico e vereador eleito pelo partido Solidariedade no Rio de Janeiro.
“O foco de seu mandato está na restituição da dignidade ao cidadão pelo atendimento do poder público no quesito saúde, sem deixar de pensar na educação dos jovens. De espírito empreendedor, apoia as iniciativas que buscam a melhoria da qualidade de vida da população”, diz o seu perfil no site da Câmara.
Curiosamente, ele compõe o Conselho de Ética da Câmara de Vereadores do Rio. É suspeito de ter agredido e matado o enteado Henry Borel, de 4 anos, e foi preso junto com a mãe da criança, Monique Medeiros, por atrapalhar as investigações e ameaçar testemunhas.
Ao analisar o corpo da criança, a perícia constatou múltiplos hematomas no abdômen e nos membros superiores; infiltração hemorrágica na região frontal do crânio e nas partes lateral e posterior da cabeça; edemas no encéfalo; grande quantidade de sangue no abdômen; contusão no rim à direita; trauma com contusão pulmonar; laceração do fígado e hemorragia retroperitoneal.
É estarrecedor imaginar o sofrimento que essa criança passou, seguimos esperando que a justiça seja feita!!! Meus sentimentos aos familiares e amigos!!!
Isack Reis vc está dizendo que os dois são psicopatas, certo? Eu não concordo. Para mim, quem é o violentador, torturador e o assassino dessa crianças é o PSICOPATA vereador Jairinho que TEM muitas outras condutas da mesma espécie MALDOSA, ELE É um maldito assassino sim! Um psicopata não como os que se pensa em "TRATAR" ele é UM PREDADOR que alcançou nesse garoto e na mãe A OPORTUNIDADE DE SER o pior que conseguiu. Ele é cruel. Está PROVADO que é TORTURADOR, ASSASSINO. Mas todos ainda se questionam " Mas porque a mãe é pior...por que a ela não salvou o filho???" Me diga...esse MONSTRO é um PSICOPATA sabe qual a possibilidade de uma pessoa (mãe, babá, ou quem quer que seja) lidarem com ele. Nenhuma. O pai dessa criança TAMBÉM não teve culpa, mesmo tendo mostrado uma conversa em que a mãe do filho diz COM TODAS AS LETRAS que seria MAIS UMA NOITE DIFÍCIL porque o menino chorava e NEM QUERIA VOLTAR DA CASA DO PAI. Por que o PAI DEIXOU o filho ir????? Por que não se questionou ???? Se há uma conivência COMPULSÓRIA, uma coautoria CULPOSA dessa mãe que ela SEJA PUNIDA. MAS EU ESPERO QUE ESSE DEMÔNIO psicopata PEGUE TOOOOOOOOOODOS os anos de cadeia, VÁ PARA UM SANATÓRIO e NUNCA MAIS VOLTE AO CONVÍVIO SOCIAL ele é um predador de gente e ASSASSINO TORTURADOR DE CRIANÇA.
um perverso infanticida em ação ?
Dizer que a mãe do Henry, menino ASSASSINADO, foi ao salão friamente um dia depois da morte dele, é claramente uma tentativa de ESCONDER a MONSTRUOSIDADE do padastro, o assassino e manipulador de toda essa crueldade. Ele é VIOLENTO REINCIDENTE contra crianças, tendo nas mães as iscas para seus alvos, crianças.
depende muito do que está por trás. Esse tipo de assassino usa todo o seu aparato de coação, por exemplo, ele pode estar dizendo que para ele será muito mais branda a penalização, já que para todos os efeitos ela é cúmplice. O que eu fico imaginando é como, no outro relacionamento que ela tinha com o pai da Henry, ela não teria dado ao menos indícios de que era a favor de agressão em relação ao filho? Isto é, por que ela se colocou em uma situação tão manipulável na relação em que segue sendo ao menos aparentemente submissa? Isso pode estar relacionado ao fato de que as outras mulheres e demais testemunhas, que já estão dentro do processo como vestígios da personalidade violenta do (ainda) suspeito, tiveram dificuldades e até medo mesmo de dar depoimentos. No mínimo, esse suposto investigado, possui uma personalidade altamente perigosa, manipuladora e ameaçadora, o que em determinado contexto pode ajudar no aparente consentimento ou até "autorização " que se está tentando colocar na mãe enquanto isso será, claramente, uma proposta de negociação da defesa do acusado para fins de abrandamento de pena. Infelizmente, em termos jurídicos mesmo, a mãe teve indiscutivelmente conivência, mesmo que psicologicamente induzida. Porém, o assassino é, ao que se percebe, um reincidente em relação à agressão de crianças, que não estará nem constrangido se precisar fazer tal ação mais uma vez. Ele já dava indícios - segundo outras pessoas que já tiveram relacionamento com ele - de que possui um comportamento perigoso em relação às crianças. Por isso que eu acredito que ele seja um verdadeiro covarde, inescrupuloso.
domingo, 4 de abril de 2021
Um pequeno segredo de zaratustra: o ultra-homem não pode ser deus, nem por um dia.
Um prazer fantasiado de "sofrimento", conhecido como sadismo, é uma característica (não doença) em algumas pessoas, o que não tem nenhuma justificativa inata... Esse é o sadismo de caráter, de maldade mesmo e de ausência de humanidade em si. Às almas miseráveis que se agigantaram, se mostraram como uma monstruosa forma de atitude nesse vergonhoso brasil (paupérrimo em cidadania), apenas uma justeza de sentença se sabe: da mesma desumanidade que se veste o outro, será vestido a si mesmo. O genocídio à fascista é como um suicídio em um duelo de roleta russa no qual a primeira bala não mata o outro, mas atinge em cheio a própria cabeça - embora o prazer em imaginar que seria o outro o alvo destruído encha a mente de delírio. O delírio de ao avesso de um deus que cria, se sentir tão poderoso a ponto de ser o não deus que extirpa.
quinta-feira, 1 de abril de 2021
mono poli homo hetero gamia... o sexual e o amor no humano histórico
eu não consegui dizer que faz parte de uma das possibilidades das naturezas do sexual humano tão rico e plural em trânsito histórico. Eu penso , mas de maneira muito minha, que não há uma só definição como ser monogâmico ou ser polígamo... penso que ao longo da nossa vivência sexual as possibilidades acontecem naturalmente, em determinados momentos sendo mais um do que outro... como se fosse um continuum na jornada pessoal e não categorias fechadas que conseguem nos identificar. Então, é como se, para mim, não se pode chamar uma pessoa de monogâmica ou poligâmica porque ao longo da experiência de relações afetivo-sexuais foram vivenciados momentos mais monogâmigos ou mais poligâmicos. A homogamia, relação entre pessoas de uma mesma comunidade ou até família, por exemplo, é compulsória em alguns grupos étnicos, como judeus e também comunidades tribais (o que é identitário). Já a heterogamia é a realidade mais comum nas relações ocidentalizadas. Porém, não se pode tomar como definição ou rótulo, porque deveríamos ter o direito de experienciar as possibilidades sem passar pelo aval ou pelo silenciamento (até sufocamento) da opinião pública, sobre uma situação que deveria ser mais íntima no sentido autodescoberta mesmo. O que amei na tua postagens, como sempre, é a voz de construção de diálogos que você SEMPRE nos propõe. Você é, para mim, uma voz de abertura e emancipação. Eu só te agradeço por me acolher nesse caminho, onde tua sabedoria nos banha... te sinto sempre como um rio gigantesco sobre mim. Mulheres que tô morrendo de saudade do teu abraço abrigo. Obrigada por promover esse debate incrível. Para mim, é oportunidade de estar entre pares.
Eu tenho uma visão muito minha sobre esse assunto. Queria muito compartilhar porque acho que nessa postagem o essencial é o que não se pode mais ser calado, silenciado e apagado mesmo. Infelizmente, a experiência histórica precisa ser considerada sobre a interrelação pessoal afetiva, mesmo também esses termos sendo aparentemente repetitivos colocados assim. Então, o que se faz necessário para mim sobre isso é que monogamia, poligamia, heterogamia e homogamia são possibilidades na nossa jornada particular. Eu vejo mesmo que ser ou não ser mono, poli, homo, heterogâmico são estados transitórios, mesmo não sendo legitimados assim, por isso seja bem mais definida a monogamia nesse formato patriarcal de civilização em que nos encontramos. Porém, mesmo a monogamia precisa ser olhada com certa atenção porque faz parte da natureza sexual da gente; muito embora seja a versão artificial patriarcal de violência corpórea de monogamia como monopólio (exclusiva sexualidade com um par predefinido, como o casamento heterossexual teoricamente seria), a versão posta como única. Monogamia não é monopólio em si, mas monopólio é a parte de controle sexual feminino mais exercida pela mentalidade civilizatória centrada no binarismo machológico e, por tudo isso, machocêntrico. Isso não é estritamente sobre homens que impõe uma dominação sobre mulheres, mas sobre a concepção de mulher como objeto para o homem que assim, no capitalismo e no liberalismo, se torna o seu proprietário, com o aval político institucional da microfísica do poder patriarcal que entra em nossas casas, tranca os armários em que nos escondemos e rouba o lençol na hora da sessão de autoconhecimento.
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