terça-feira, 6 de agosto de 2019

Uma mensagem que se atribuiu ao "conselho tutelar" que mais parece ser uma secretaria do inferno, um lugar onde tudo que se quer é isentar o Estado da sua responsabilidade  em relação às garantias de direitos fundamentais das crianças brasileiras. Isso aqui é uma fraude (segue a falácia abaixo):

*O CONSELHO TUTELAR ADVERTE!!!!!*

Pare de deixar seus filhos com o noivo que mal conhece, pare de deixar com o vizinho, pare de deixar  com pessoas também que você mal conhece, porque é de graça
 [1- olhem essa loucura! Sugerir que os pais "não querem pagar" para pessoas de boa intenção fiquem com seus filhos. Como se um estuprador ou um/uma potencial agressora não pudesse ser bem paga???!?!].
Alerta também com os nossos conhecidos, olho vivo!! O abuso de menores, o estupro, o sequestro, o maltrato, etc, é real e é uma ferida que nunca vai sarar. [2- Como se as pessoas não soubessem da triste realidade e do sofrimento que é o abandono, a negligência e a violação física, psíquica e afetiva de uma criança]

• As crianças *não* devem ir para a loja/escola sozinhos. [3- vão andar com quem... Um guarda-costas?????]

• As crianças *não* devem  ficar no carro sozinhas porque você vai descer rapidinho para fazer algo. [4- até esquecem os filhos no carro, imagina uma crueldade dessas!]

• As crianças *não* devem acostumar a andar com qualquer pessoa. [5- tenha tempo de SOBRA pra "selecionar com quem seu filho andará O DIA INTEIRO... #IRONIA]

• As crianças *não* devem sair para jogar sem supervisão. [6- JOGAR O QUÊ??? Jogar é para ricos... Pobres ficam nas ruas perambulando! NÓS SABEMOS OU FINGIMOS QUE NÃO VEMOS!?!?!]

• O irmão mais velho não deve cuidar dos seus irmãozinhos. Não é sua responsabilidade.[7- CADÊ A CRECHE que já vem com um estoque de calcinha?????]

• As crianças *não devem estar em um ambiente onde se consuma álcool* (mesmo que esteja tranquilo) nunca. [8- tira ela do Brasil ou fica sossegado porque não é maconha... Olha como seria mil vezes pior, né?!? #ironiaaltaaqui]

• As crianças *não devem estar perto de pessoas instáveis* ou com maus costumes. [9- se o pai ou a mãe ou o cuidador direto for um "problemático" é só dar pro "conselho tutelar" cuidar MUUUUUUUUUITO MELHOR, NÉ? #IRONIA]

• As crianças *não devem dormir fora de casa,* você não conhece as pessoas.... [10- Se uma criança de 17 anos dorme fora isso é realmente grave!!!]

• As crianças não devem conviver com todos os amigos do pai ou da mãe, não é necessário; *nem todos são boas pessoas.* [ 11- inclusive, padres, pastores, professores, enfermeiros, ginecologistas e todo ou qualquer ser desumano que acredite que machismo é uma balela]

• Eles não tem a decisão em suas mãos. [12- depende de que cultura ele nasceu, porque se for periférico, indígena,pobre e vulnerável em geral, vai ter que se virar pra sobreviver cedo cedo INFELIZMENTE O BRASIL É ESSA MERDA MACHISTA SIM!]

• Eles não sabem de perigo. [13- E quando avisam que tem algo de errado no "tio fulano" a mamãe manda logo ir procurar o que fazer porque fica inventando história]

• Eles não sabem de maldade. [14- e quando a maldade é do coleguinha do colégio que estupra ou faz bullying, o que é que tem né?]

• Eles não sabem de ódio. [15- se for uma questão de ser o extremista e filho de uma família fascista, duvido muito que não saiba exatamente como o ódio se propaga e se efetiva!]

• Eles não sabem que existem pessoas com más intenções. [16- e se desconfiam do professor, do padre, do pastor e de quem quer que seja, tipo do vovô, está ficando louca!]

• As crianças são inocentes, são ingênuos. São apenas crianças! [17- essa é a maior vergonha de TODAS AS DECLARAÇÕES IDIOTAS DESSA MENSAGEM DE TEXTO estilo que o presidente vigarista do Brasil adora junto com seus fascistinhas]


Nossa responsabilidade é protegê-los de tudo e de todos [18- ATÉ DE NÓS MESMOS!] , mesmo que não sejam nossos próprios filhos. [19- ATÉ QUE EM FIM CHEGA A ÚNICA REFERÊNCIA AO ECA E À CONSTITUIÇÃO FEDERAL]


"Cuidemos das nossas crianças"

SOBRETUDO, garantir os direitos BÁSICOS de uma criança e de uma adolescente no Brasil É UM DEVER DE TODOS, DA COMUNIDADE, DA ESCOLA, DA FAMÍLIA, DO ESTADO E DE TOOOOOOOOODO!
 EU ESTOU MUITO INDGNADA!
Por isso que admitir que existe uma cultura do estupro e que ela está diretamente relacionado ao machismo e as demandas de uma sociedade moralista  é tão importante! Não há realmente como se prevenir! Não há como garantir que sua família não será atingida, afinal de contas nas escolas os professores também assediam alunas! Padres, pastores, avós, amigos, PAIS e cuidadores de crianças abusam delas! Não há como se prevenir a não ser através de uma campanha efetiva de mudança de mentalidade na qual as mulheres não sejam culpabilizadas pelo "fracasso familiar", nem por serem culpadas por serem abusadas, por exemplo. Essa conscientização precisa estar no currículo oficial escolar do Brasil. É obrigatório combater o machismo e as suas doenças tal como o estupro. A inferiorização das mulheres, a sobrecarga de trabalho que as escraviza, a responsabilidade absoluta pela "educação" e pelos cuidados com a família é uma escravidão e uma forma de não responsabilizar e de deixar impunes a esmagadora maioria dos agressores. Não posso dizer que não haja caso de violência sexual contra crianças provenientes de mulheres, existem embora sejam muito menores, mas eles são reprodução pura da dominação sexual patriarcal. Minha preocupação é com minha aluna de 16 anos grávida e "casada" com um rapaz de 21 anos que ano passado ameaçou matar ela na escola. Entre outros tantos casos. Por isso eu duvido que seja uma medida realmente determinante tranferir a responsabilidade para os pais quando o Estado brasileiro é negligente e não é questionado de fato, ao contrário atualmente é apoiado nas suas irresponsabilidades. Eu fico preocupada demais com o rumo que a cultura no Brasil está tomando. Somos cada vez mais um país de desumanidade e individualismo radical o que afeta diretamente às crianças e qualquer segmento social mais vulnerável. Será um desastre humanitário, eu sinceramente não consigo não ser realista sobre isso.
Eu queria saber quem é que tem o poder de escolher entre trabalhar e colocar alimento dentro de casa e "selecionar" quem vai cuidar do filho? Me desculpem a saia justa do questionamento, mas eu realmente quero entender como se coloca tão facilmente a responsabilidade em pais e cuidadores de crianças em relação aos crimes provenientes da violência e da negligência contra crianças, mas não se enxerga o tamanho da CULPA e do DOLO que o Estado brasileiro possui nesse tipo vergonhoso de crime?! Onde estão as creches? Onde estão as escolas de tempo integral? Onde estão as remunerações adequadas? Onde está a transferência de renda que não pareça uma esmola? Onde está a dignidade da família brasileira? Quais são os programas efetivos de responsabilidade estatal em relação a essa temática (que não seja jogadinha barata de marketing tal como o programa "criança [IN]feliz)?! Cadê a responsabilidade do Estado brasileiro em relação a exploração sexual infantil e dos abusos por puro abandono, sem falar por favor em discurso deplorável sobre "falta de calcinha"?!?!? Eu fico preocupada com o país de semianalfabetos em direitos humanitários que o Brasil tem se mostrado! É uma lástima!

sábado, 3 de agosto de 2019

Talvez eu não seja namorável.

Uma vez, em um bar, ela me disse: “Neste mundo existe pessoas inamoráveis, e eu sou uma delas”…

Aquilo me intrigou durante toda a noite, uma palavra fora do dicionário que ela usava para se descrever, e por quê?

Observei-a enquanto ela, tímida, finalizava mais um copo de cerveja. Eu estava com ela havia quatro horas, quatro horas onde conversamos sobre filosofia, arte, astrologia, cinema e viagens…

Quando ela se dirigia ao garçom o bar inteiro parava para vê-la…

Tinha seu carro, sua casa e era do tipo que não dependia de ninguém, então por que pensar assim? Teria ela se fechado?

Ela fez uma cara de entediada e me chamou para caminhar enquanto fumava um cigarro, até a saída sorriu e cumprimentou todo mundo com aquele jeito sapeca de menina do mundo…

Aquilo tudo era muito pequeno e raso para ela, conclui.

Na rua todos passavam apressados, ela se divertia com os animais abandonados, abaixou e entregou sua garrafa de água pro morador da rua, explicou o endereço de uma balada em alemão para um estrangeiro perdido que agradeceu com um sorriso, comprou chicletes de uma criança.

E na minha cabeça só ecoava: “inamorável”.

Foram horas observando aquela garota, até não me aguentar e voltar ao assunto…

Eu queria entender melhor, eu queria uma definição como num dicionário.

Então ela pegou minha mão e me puxou para um bar onde tocava uma banda de rock, ficou em silêncio por longos 30 minutos observando tudo até que disse:

– Olhe ao seu redor, estamos já há um tempo aqui. Durante esse tempo por nós passou uma garota chorando por que seu namorado terminou com ela ontem e hoje já está com outra, pois acredita que pessoas são substituíveis… naquela mesa tem 10 pessoas e elas não conversam entre si pois estão nos seus smartphones, talvez aquela garota de vermelho seja a mulher da vida do cara de azul, mas ele nunca saberá pois é orgulhoso demais para tentar.

Veja o rapaz de pólo no bar, é o terceiro copo de martini que ele toma olhando pra loira tentando chamar a atenção do vocalista que fingirá que ela não existe por causa da ruiva e da morena que ele pega em dias alternados, e ele não pode ficar mal perante as outras.
Olhe ao seu redor, não fazemos parte disso, não somos rasos; realmente não fazemos parte disso! Entramos sem celular na mão, esperando encontrar pessoas legais, com papos legais, com relações reais e voltamos para casa sozinhos. Somos invisíveis num mundo de status onde as pessoas não vão te querer por que você mora longe ou por que não gostam da sua cor de cabelo ou por que você não curte os beatles, acontece tudo tão rápido que as pessoas estão com preguiça de fazer o mínimo de esforço para conhecer realmente alguém e tudo é medido em likes.

Eu passo por essa legião como um fantasma pois eles estão ocupados demais para ver quem está ao redor enquanto procuram alguém no tinder.

E eu me importo? Não mais. Sou inamorável porque não me importo com nada disso..

Nenhum desses status, não. Não importo em quanto tempo levo para conquistar a pessoa, se ela realmente vale a pena, não me importo se terei que atravessar a cidade para vê-la quando tiver saudades e não me importo se ela me presentear com um ingresso pra ir ver o show dos “beatles” por que é importante para ela, mesmo eu detestando a banda.

Porque eu sou assim, e se antes era o que procurávamos em alguém, hoje em dia somos considerados inamoráveis por manter o coração e a mente aberta.”

Naquele momento eu a entendi, e me apaixonei pelo mundo dela…

Texto escrito por Akasha Lincourt
A palavra procrastinação está cada vez mais cheia de significados que remetem a coisas que fazem mal, tipo: atraso, falta de compromisso com o outro, deixar para amanhã o que ia fazer hoje, não resolver um problema... Mas eu discordo! Eu protesto! Isso não é verdade porque PROCRASTINAR É VIVER! Dentro do capitalismo, tempo é uma coisa controlada pelos donos do poder, então, ele é dinheiro! Mas isso também é mentira! Por isso os capitalistas colocaram a palavra procrastinação como algo ruim, para que a gente seja produtiva e dê lucro para eles! Eu odeio o capitalismo porque ele nos roubou nossos maiores tesouros, entre eles a liberdade de viver como se quer e o tempo de fazer o que se quer e não o que dá lucro!

terça-feira, 23 de julho de 2019

Enquanto a metáfora do anticristo for vista como uma filosofia contra a religião, não avançaremos na epistemologia nietzscheniana. Se há uma epistemologia proposta por Nietzsche, essa é um viés filosófico da ruptura com os dogmas e doutrinas em qualquer forma de pensamento, inclusive a ciência e a filosofia clássica - como já sabemos. Reconhecer o questionamento sobre a autoridade absoluta da religião na existência humana, realmente foi um dos maiores embates culturais propostos por Nietzsche, mas não é o único. Encontrar nesse questionamento essencialista o núcleo do existencialismo e da fenomenologia é uma possibilidade catalisadora nas questões nietzschenianas. Desculpem a chatice do argumento que se reitera e se ratifica, mas é necessário enfatizar: não se trata de ir contra a Igreja enquanto instituição religiosa, mas sim de questionar o seu poder absoluto em relação à política, à ciência e à cultura. A igreja não é, para Nietzsche, uma entidade social ou somente religiosa, ela é o pensamento dogmatizador, desumanizador, deturpador da consciência. Para ele, há o aparelhamento simbólico através da naturalidade de resolução por meio do mítico. É isso que precisamos focar, pois o fascismo é um dispositivo dentro desse sistema.

sábado, 20 de julho de 2019

Sou professora no interior do Maranhão e vejo os olhos humanos com fome todos os dias na escola. Quando estamos sem merenda, a fome que faz desmaiar em sala. Quando estamos com uma merenda fraca, a fome que desconcentra e desatenta para o conteúdo - aliás, desde que sou professora de escola pública (há 3 anos) o conteúdo já não é mais o meu foco, me foco em meus alunos e em seus olhos vulneráveis. Quando é período de férias e meus alunos não comerão sempre, eu sei, isso me arde por dentro porque eu sinto a fome deles na minha alma. Eu já tive fome, eu já quis comer e não havia o que eu queria, mas eu nunca dormi sem uma refeição ao menos. Apesar da minha ignorância, não há como não sentir a fome dos meus, da minha comunidade e da minha gente que luta, que cai e que morre bem do meu lado. A fome está do meu lado e, se eu não a visse, a desumanidade já havia me cegado. Sou muito descrente nas falácias interpretativas que encontro sobre a narrativa literária de Jesus, mas gosto de me lembrar de parte de suas andanças em que encontrou a fome e não cegou. Talvez, Jesus de Nazaré (aquele interiorano pobre) tenha enxergado na fome dos seus a sua própria miséria. É miserável ser humano e não poder acabar com a fome de toda gente. Ser humano e ser impotente diante da fome é uma miséria com a qual devemos conviver por derrota, por fracasso mesmo de humanidade que se acha tão superior aos outros animais e não é. A fome é a miséria da humanidade e nossa maior derrota. O que fez Jesus então? Repartir o pouco que tinha, o pouco que era com todos, diz-se que multiplicou pães e peixes. Eu, por outro lado, acredito que tenha multiplicado a humanidade entre os homens e fez com que os que tinham repartissem o seu pouco e assim fizeram o milagre de ser igual. Ser igual é uma virtude rara. Ser igual a quem tem fome, mesmo sem nunca ter sentido essa dor de fato, é um milagre. Ser humano hoje em dia é fazer todo dia em si um pequeno milagre. Que o fascismo não nos tire a humanidade.
Muito obrigada! Precisamos mesmo tornar a inclusão a nossa realidade educacional. Incluir não é integrar, da mesma sorte que intervir não é interferir. Enquanto na integração se coloca o aluno como um atendido pelo sistema educacional, através da inclusão, o aluno é o catalisador da educação. Ele gera o método, ele compartilha com o professor e seus colegas do processo de ensino-aprendizagem e a avaliação deixa de ser um mecanismo de exclusão e "seleção natural" e passa a ser o meio de compreensão e garantia do direito fundamental ao saber comunitário institucionalizado. Precisamos rever URGENTEMENTE as concepções de Educação no nosso país. Meu sonho é um dia conseguir ser professora de uma escola pública em que exista a garantia plena do direito à Educação formal. Esse é o meu sonho.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Toda pessoa gordofóbica é um reprimido. A insegurança pela falta de autoestima, pela ausência de reconhecimento de suas qualidades, por saber de seus indefensáveis defeitos, por se conhecer medíocre para muitas coisas...um indivíduo transtornado psicológica e socialmente é gordofóbico. Apesar disso, não há por que termos pena de um gordofóbico no sentido de querer ajudar, aconselhar, conscientizar. Nada disso terá efeito. Um gordofóbico é como um racista e um homofóbico tem um ódio que pode destruir uma pessoa que ele encontra como alvo. Alvo de destruição. Então, é preciso se afastar, calar, não dar atenção, ignorar e deixar na escuridão de onde saiu. Como disse Nietzsche "de tanto olhar o abismo, o abismo te olha". Os monstros que enxergamos no outro são o espelho da nossa alma. Deixem os demônios sozinhos e eles se autodestruírão, não como suicidas, mas como quem precisa acabar com a maldade que lhe habita sozinho, no seu próprio limbo.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Infelizmente nossa realidade impede que muitos dos brasileiros imaginem o que seja uma universidade federal. Com certeza, a esmagadora maioria mal pensa em cursar uma faculdade, muito menor é o número dos que sonham em se pós graduar por uma instituição pública. A população não sabe que possui esse direito, não sabe que é um "sonho" que deveria se tornar realidade, não sabe que pode e deve querer maior qualificação profissional para além de uma simples formação burocrática (comprobatória, só um papel para mostrar na entrevista de emprego por exemplo), entre outras alienações. O povo brasileiro é muito alienável porque não possui instrução formal de qualidade, já que a escola pública em geral vem sendo há séculos um projeto de inserção de mão de obra em um tipo de mercado de trabalho violento, que é contra a qualidade de vida do operário, sendo viciado em produtividade precarizante. São muitos os fatores e o produto é um só: ignorância. Esse é o efeito de um projeto de país que se fez desde a primeira colonização e segue na sua versão mais feroz, o imperialismo neoliberal fascista. É preciso reagir? Óbvio! Mas como se enfrenta uma mídia colonizada, com uma educação precarizada, com professores tornados inimigos e com uma população esmolando direitos elementares como o de se alimentar???? É um desabafo o que eu faço. Me perdoem.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Não tem maior representação do Brasil do que a imagem de um estádio de futebol com a seleção masculina em final de campeonato cuja divisão entre os que vaiam e os que aplaudem demonstra nosso abismo. Enfim, eles conseguiram. Colocaram o povo em guerra, fizeram da nossa gente uma torcida que se estranha e se sabota. Hoje somos um país sabotado de sabotados! Não há mesmo o que comemorar, não há por que comemorar. Sobre o atual (DES)governante do país, não há nem o que se falar, senão que é um ventríloquo, uma besta falante. Também há muito o que se entristecer por isso. Mas nada é maior do que o fracasso democrático, isto é, a derrota do povo brasileiro expressa em sua autorrejeição. Somos um país despedaçado.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Um pouco por preguiça, um pouco por pão-durismo, tenho muita dificuldade em abrir mão de pertences de uso cotidiano. Fui proprietário, até o final de março, de um moletom que era o meu favorito e me acompanhava desde 2005. A estampa estava toda descascada e o zíper foi quebrando em várias partes até que se soltou completamente. Uma pena, porque tenho saudades desse moletom. Lembro também de um par de tênis brancos que dei como aposentados após quase uma década de uso. Passou um ano ou dois e os reabilitei para um fim de carreira que se estendeu por mais um biênio. Meu computador teve carreira semelhante: nascido em 2009, entrou em coma em abril do ano passado e, desenganado pelos técnicos, passou três meses vegetando até que retornou um dia sem aviso, lento mas robusto, e aqui está, é nele que vou escrevendo estas bobagens. O mais recente episódio começou em fevereiro, quando meu telefone deixou de carregar. Não demorei a perceber que bastava dar uma leve calçada na extremidade do cabo que ele voltava a carregar, assim de viés, mas carregava. Tinha que tomar muito cuidado, na hora de digitar, para não fazer ruir o calço que eu edificava com a carteira e um livro de crônicas. Segui assim por mais três meses, até que numa quinta-feira ele morreu por completo. Ou pensava eu que tinha morrido, porque o levei até uma loja e tiraram do buraco do carregador uma bolinha de tecido, que era o que estava atrapalhando tudo. E redivivo ele seguiu por mais seis ou sete semanas, até que a tomada ao lado da cama – mistérios da tecnologia – deixou de funcionar. Tive que mudar para a tomada perto da porta, o que era incômodo, porque eu esquecia de acionar o alarme e tinha que sair de baixo das cobertas para garantir que ele tocasse de manhã. Mas a tomada da porta também parou de funcionar – e eu tentei sugar com a boca uma nova bolinha de tecido, mas agora o problema parece que não era mais com o buraco do carregador, era mesmo com a tomada. Atrás da estante de livros fui encontrar uma terceira tomada, esquecida, que me serviu por mais alguns dias, mas como as outras morreu, vai entender. De maneira que, nesta noite de segunda, estou respondendo mensagens de pé, no banheiro, na tomada que me restou, apenas sete por cento de bateria. Em noites frias, meu celular salta do oitenta e dois para o nove por cento, sem aviso. Outras vezes fica estacionado no cinquenta e um por horas, até que num instante vai a zero e morre. Por essas e outras, tem tudo para continuar a meu lado por mais alguns anos.
Daniel Serrano - crônica de Facebook

domingo, 2 de junho de 2019

Aproveita as coisas boas, tá

"até a próxima vez" alguém saberia tecer os laços no invisível caminho dos afetos. Eu não sei. Então, lhe disse o que havia ali e segui. Não há nenhuma rota de encontro agora.
Eu sou assim

É gol do patriarcado! Mais uma mulher vai ser julgada sem ter como se defender!

eu queria pontuar uma coisa fundamental na situação do print da conversa, ele por si já acarretaria danos morais ao referido acusado porque usa de coação moral (assédio na exposição pública) a fim de obstruir a acusação. A única coisa que não se está discutindo é o que de fato importa, a suposta vítima estar sendo coagida em público e ainda haver quem lhe constranja. Se fôssemos um país digno, esse tipo de procedimento já estaria claramente tipificado como agravante em casos de assédio sexual, moral, violência psicológica e até mesmo em casos de tentativa de feminicídio. Sobre o fato de os juízes, sem magistratura, estarem supondo a prévia condenação da vítima por falso crime, eu ainda tenho uma última observação: um país com a cultura entranhada pelo futebol, que chega a ser confundido com a identidade do nosso povo de modo até superficial, jamais colocará o ídolo (fabricado) nessa berlinda, quem será a apedrejada publicamente...adivinha? Ele fez isso conscientemente! Não esqueçamos, por fim, o caso emblemático de Elisa Samúdio que declarou se sentir ameaçada, foi brutalmente assassinada, teve os assassinos "presos" por um tempo insignificante perto do tamanho do crime e tem hoje, SEU MAIOR CONDENADOR E FEMINICIDA, de novo de volta aos gramados... É gol do patriarcado! E para nós, insignificantes mulheres, é MORTE (da nossa dignidade ou do nosso corpo). Eu não desejo isso a nenhuma de nós! E gostaria que essa doença chamada MACHISMO que fomenta a cultura do estupro ACABASSE! Independentemente do desenrolar desse caso, tenho uma certeza incontestável em mim: ser mulher é estar em constante perigo sempre, até entre as iguais.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Ser escravo da profissão é uma ideologia aprisionadora

é francamente uma ideologia exploradora essa que defende o "amor" pela profissão. Desde que li Paulo Freire, no livro "Professora sim, tia não! Cartas a quem ousa ensinar", eu sempre questiono essa mentalidade que faz dos professores profissionais que se doam como a um sacerdócio, como a um matrimônio com a sociedade ( o que é absurdamente equivocado). Em primeiro lugar, o profissional deve ter a postura ética de ser tecnicamente regrado e formado. Em segundo lugar, a experiência com a realidade escolar deve ser seu maior meio de inspiração didática, metodológica e teórica. Em terceiro lugar, a sua personalidade (a subjetividade natural humana) deve ser respeitada para que o seu ofício tenha uma possibilidade de execução real e não ideal (em outras palavras, impossível). Em quarto lugar, nenhum profissional deve ter que colocar a sua vida no trabalho prioritariamente em relação a sua demanda emocional e pessoal de forma geral. Em ultimo lugar, só pra não ser mais chata, "amar a profissão" não é nem de longe uma premissa de felicidade humana, nem de realização, é sim um condicionamento cultural que nos aprisiona a situações insalubres, humilhantes, estagnadoras e assujeitadas. Por tudo isso, eu sou ABSOLUTAMENTE contra qualquer ideologia superficial que imponha o "amor ao trabalho", fato este que considero uma escravização mental contemporânea. Ninguém é um professor, apenas está. E pode deixar de ser profissional de tal área a hora que bem entender, se for para a sua satisfação pessoal. É isso.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Coloca ela de quatro, ela adora. Mas não começa fazendo isso na cama. Primeiro coloca ela de quatro nos sentimentos.
Sabe aqueles erros de outros caras que elas comenta? Escute e não erre igual.
Sabe aquele cara que quebrou o coração dela? Mostre ser diferente.
Sabe a falta de fé dela em relacionamentos e caras fiéis? Prove todos os dias que ela está errada e que você é um presente que ela muito merecia.
Coloque ela de quatro pelo seu jeito de tratá-la. Deixe ela vulnerável através da sua sinceridade, das suas palavras carinhosas, das suas atitudes que provam ser suas palavras verdadeiras.
Ela está louca para ficar de quatro na cama, louca para realizar e ser realizada, mas ela não fará isso sem antes ter certeza que o cara atrás dela, o cara para quem ela dá as costas, será o cara que também irá acima de tudo protegê-la.
Antes de querer ela vulnerável tenha certeza que você se garante para ser a proteção dela, o confidente, o melhor amigo. Antes de por ela de quatro na cama tenha certeza que você está pronto para os dias em que ela não estiver legal, para os dias que ela só quiser deitar no seu peito e desabar.
Fique de quatro por ela, sem medo, sem competir ou querer ser melhor. Fique de quatro por ela com sua sinceridade. Fale a verdade mesmo que possa doer. Não esconda seu passado, mas mais do que isso olhe nos olhos dela quando for falar sobre o futuro que quer para vocês dois.
Coloca ela de quatro com a confiança, a verdade que você transmite. Te garanto que ela será incrível na cama e na sua vida quando ela tiver certeza que você é mais do que o presente, que você pode ser o futuro dela.

Texto: @Felipe_sandrin

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Intertexto - Bertolt Brecht

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

domingo, 21 de abril de 2019

Toque Sutil
(Sociólogo de Botequim)

Em seu corpo meu toque sutil
Faz sua alma tremer
Sua pele sentindo o desejo no gosto do beijo que te faz gemer

Das pernas subo devagar
E vou te levando ao céu
Te sinto suando, querendo, em chamas ardendo implorando meu mel

No pescoço meus lábios repousam
Teu corpo a se contorcer
Teu cheiro em meu cheiro na dança que traz a esperança de não fenecer

Minha língua no ponto sagrado
Enfim gera uma explosão
Do gozo eu já sinto o gosto mas não deixo o posto até a sua exaustão

Então vejo o seu sorriso e é o que eu preciso pra compreender
Que suas pernas já não se aguentam e os lábios desejam me ter em você
Com a força que sobra te ergo, seguro te envergo, te lanço pro ar
E pra explodir de desejo te envolvo num beijo para em ti penetrar

sábado, 20 de abril de 2019

Sem lhe conhecer
Senti uma vontade louca de querer você
Nem sempre se entende as loucuras de uma paixão
Tem jeito não
Olha pra mim
Faz tempo que meu coração não bate assim
Não faz assim, me diz seu nome
Não me negue a vontade de sonhar
De sonhar os meus sonhos com você
Despertando pro seu adormecer
Seria bom demais
Que bem me faz, você.

terça-feira, 16 de abril de 2019

PARTE 2

O olhar parecia de uma santa,
mas o corpo se movia bestialmente
ela sabia o que queria
sabia o que fazia
Suas pernas se abriam
feito uma bailarina,
as mãos me tocavam
quase que a alma

Como pode tanto aos 20 e poucos anos?

O olhar parece inocente,
mas sua boca é tão libertina:
molhada, quente, sagaz,
desliza por todo o meu corpo,
sussurra de maneira depravada

– me come na mesa

Enfio minha cabeça
entre suas coxas carnudas,
chupo a sua flor
que parece uma brasa
quente e avermelhada
Enquanto isso,
ela recita palavras obscenas
me puxando para dentro de si
pelos cabelos
Debruço ela na mesa
e meto com vontade,
latejando brutalmente
até o nosso suor estampar
a marca do nosso pecado
por toda a madeira da mesa

O olhar parecia de uma aluna,
mas o seu corpo ensinou
mais do que eu poderia imaginar.

( Cleydson Ramones )

terça-feira, 9 de abril de 2019

20 DICAS PARA ESCREVER BEM:

1. Evite repetir a mesma palavra, porque essa palavra vai se tornar uma palavra repetitiva e, assim, a repetição da palavra fará com que a palavra repetida diminua o valor do texto em que a palavra se encontre repetida!

2. Fuja ao máx. da utiliz. de abrev., pq elas tb empobrecem qquer. txt ou  mensag. que vc. escrev.

3. Remember: Estrangeirismos never! Eles estão out! Já a palavra da língua portuguesa é very nice! Ok?

4. Você nunca deve estar usando o gerúndio! Porque, assim, vai estar deixando o texto desagradável para quem vai estar lendo o que você vai estar escrevendo. Por isso, deve estar prestando atenção, pois, caso contrário, quem vai estar recebendo a mensagem vai estar comentando que esse seu  jeito de estar redigindo vai estar irritando todas as pessoas que vão estar lendo!

5. Não apele pra gíria, mano, ainda que pareça tipo assim, legal, da hora, sacou? Então joia. Valeu!

6.  Abstraia-se, peremptoriamente, de grafar terminologias vernaculares classicizantes, pinçadas em alfarrábios de priscas eras e eivadas de preciosismos anacrônicos e esdrúxulos, inconciliáveis com o escopo colimado por qualquer escriba ou amanuense.

7. Jamais abuse de citações. Como alguém já disse: “Quem anda pela cabeça dos outros é piolho”. E “Todo aquele que cita os outros não tem ideias próprias”!

8. Lembre-se: o uso de parêntese (ainda que pareça ser necessário) prejudica a compreensão do texto (acaba truncando seu sentido) e (quase sempre) alonga desnecessariamente a frase.

9. Frases lacônicas, com apenas uma palavra? NUNCA!

10. Não use redundâncias, ou pleonasmos ou tautologias na redação. Isso significa que sua redação não precisa dizer a mesmíssima coisa de formas diferentes, ou seja, não deve repetir o mesmo argumento mais de uma vez. Isso que quer dizer, em outras palavras, que não se deve repetir a ideia que já foi transmitida anteriormente por palavras iguais, semelhantes ou equivalentes.

11.  A hortografia meresse muinta atensão! Preciza ser corrijida ezatamente para não firir a lingúa portuguêza!

12.  Não abuse das exclamações! Nunca!!! Jamais!!! Seu texto ficará intragável!!! Não se esqueça!!!

13.  Evitar-se-á sempre a mesóclise. Daqui para frente, pôr-se-á cada dia mais na memória: “Mesóclise: evitá-la-ei”! Exclui-la-ei! Abominá-la-ei!”

14.  Muita atenção para evitar a repetição de terminação que dê a sensação de poetização! Rima na prosa não se entrosa: é coisa desastrosa, além de horrorosa!

15.  Fuja de todas e quaisquer generalizações. Na totalidade dos casos, todas as pessoas que generalizam, sem absolutamente qualquer exceção, criam situações de confusão total e geral.

16.  A voz passiva deve ser evitada, para que a frase não seja passada de maneira não destacada junto ao público para o qual ela vai ser transmitida.

17.  Seja específico: deixe o assunto mais ou menos definido, quase sem dúvida e até onde for possível, com umas poucas oscilações de posicionamento.

18.  Como já repeti um milhão de vezes: evite o exagero. Ele prejudica a compreensão de todo o mundo!

19.  Por fim, Lembre-se sempre: nunca deixe frases incompletas. Elas sempre dão margem a

James Michener, escritor, ganhador do Prêmio Pulitzer de 1948.

domingo, 7 de abril de 2019

OS FILHOS DO QUARTO!

NÃO DEIXE DE LER

Antes perdíamos filhos nos rios, nos matos, nos mares, hoje temos perdido eles dentro do quarto!

Quando brincavam nos quintais ouvíamos suas vozes, escutávamos suas fantasias e ao ouvi-los,
mesmo a distância, sabíamos o que se passava em suas mentes.

Quando entravam em casa não existia uma TV em cada quarto, nem dispositivos eletrônicos em suas mãos.

Hoje não escutamos suas vozes, não ouvimos seus pensamentos e fantasias, as crianças estão ali, dentro de seus quartos, e por isso pensamos estarem em segurança.
Quanta imaturidade a nossa.

Agora ficam com seus fones de ouvido, trancados em seus mundos, construindo seus saberes sem que saibamos o que é...

Perdem literalmente a vida, ainda vivos em corpos, mas mortos em seus relacionamentos com seus pais, fechados num mundo global de tanta informação e estímulos, de modismos passageiros, que em nada contribuem para formação de crianças seguras e fortes para tomarem decisões moralmente corretas e de acordo com seus valores familiares.

Dentro de seus quartos perdemos os filhos pois não sabem nem mais quem são ou o que pensam suas famílias, já estão mortos de sua identidade familiar...

Se tornam uma mistura de tudo aquilo pelo qual eles tem sido influenciados e pais nem sempre já sabem o que seus filhos são.

Você hoje pode ler esse texto e amar, mandar para os amigos.
Pode enxergar nele verdades e refletir. Tudo isso será excelente.

Mas como Psicopedagoga tenho visto tantas famílias doentes com filhos mortos dentro do quarto, então faço você um convite e, por favor aceite !

Convido você a tirar seu filho do quarto, do tablet, do celular, do computador, do fone de ouvido, convido você a comprar jogos de mesa, tabuleiros e ter filhos na sala, ao seu lado por no mínimo 2 dias estabelecidos na sua semana a noite (além do sábado e domingo).

E jogue, divirta-se com eles, escute as vozes, as falas, os pensamentos e tenha a grande oportunidades de tê-los vivos, "dando trabalho" e que eles aprendam a viver em família, se sintam pertencentes no lar para que não precisem se aventurar nessas brincadeiras malucas para se sentirem alguém ou terem um pouco de adrenalina que antes tinham com as brincadeiras no quintal !"

Cassiana Tardivo
Psicopedagoga

Excelente reflexão impossível não compartilhar!

sábado, 6 de abril de 2019

Sobre as voltas que o mundo dá até que uma pessoa receba um diagnóstico e, principalmente, se reconheça como alguém emocionalmente adoecido. Este é o fragmento de um registro em prontuário de um atendimento que fiz recentemente:

“S1- Paciente traz exames que pedi ontem após nossa primeira conversa. Conta que seu quadro inicial era de tosse e dispnéia. Isso ocorreu há 3 anos. Na ocasião, recebeu diagnóstico de asma. Começou a usar s*lb*t*m*l, e uma injeção com doses altas de corticoide mensalmente (😩😳)o que lhe trazia uma “melhora temporária”. Há 2 anos, sentiu uma dor em FIE (abdome inferior) em pontada e no Pronto-atendimento disseram que ela havia tido um "pré-infarto" (palavras da paciente). Há 1 ano e meio iniciou quadro de dor torácica. Era uma dor posterior com irradiação anterior em aperto, não associada ao esforço físico. Paciente nega associação desta dor com sudorese fria ou dispnéia (falta de ar). A dor durava em média 1 dia inteiro e "melhorava sozinha". Fez tomografia de tórax em 18/10/17 que não evidenciou anormalidades.Realizou Teste ergométrico em 06/12/2017 que não evidenciou alterações sugestivas de isquemia miocárdica induzida pelo esforço. (Significa dizer que o exame não mostrou nenhum problema com o coração). Após todos estes exames, ainda foram pedidos Ecocardiograma, Cintilografia miocárdica (repouso e stress), cateterismo. A paciente não fez pois não tinha mais dinheiro pra seguir investigando seus sintomas. Ao mesmo tempo que vivenciava todo esse adoecimento, passava também pelo fim do seu relacionamento. Um casamento de 20 anos, repleto de episódios de violência física. Paciente me mostra fotos de hematomas no rosto e no corpo que guarda no seu celular.”

Ao final da consulta, a paciente me confidenciou que durante os primeiros momentos deste seu adoecimento, o agora ex-marido disse que não queria uma mulher doente do seu lado. Isso me fez entender muita coisa. Foi em uma mulher doente exatamente no que ela se transformou, tamanho era o seu desgosto ao viver na prisão que se tornou sua própria casa.

Ao final da consulta eu decidi perguntar a ela por que, depois de tantos anos indo a tantos profissionais, ela decidiu voltar ao posto pra levar os exames que eu havia pedido.

Ela respondeu que as palavras que eu havia dito a ela no nosso primeiro encontro acenderam uma esperança de que ela pudesse enfim dar um nome aquilo que sentia. No dia anterior eu disse a ela assim:

“Querida, não há quem passe intacta, incólume, por um relacionamento violento que dura 20 anos. Você é jovem, aparentemente saudável, trabalha, cuida dos filhos. O nosso corpo e a nossa mente não são entes separados. São um todo. Único. A tristeza adoece o corpo. Preciso, sim, ver estes exames, mas preciso mais ainda saber do que te afeta. O que de fato está te adoecendo.”

Hoje ela voltou e me disse:

“Doutora, eu preciso de uma psicóloga. Eu quase não dormi essa noite por que ontem eu fiquei pensando em mim quando eu ainda era uma menina. Eu via o meu pai bater em minha mãe e isso doía no fundo da minha alma. Eu perdi as contas de quantas vezes eu repeti: nunca vou arrumar um marido assim pra mim. E, o que eu fiz?”

Ela se viu. Se enxergou de dentro pra fora. E eu aprendi com ela a ser uma médica melhor. Pra ela.

Enxergar o outro. Está é a minha profissão.

De fé.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Se vc chorar essa noite, me conte
Não os motivos
Não as lágrimas e suas infinitas gotas
Me conte se é isso que te faz estar vivo
Se isso te alivia no travesseiro
Se é o que vc imagina ou
Mais uma fantasia alucinante
...
E se eu chorar e só a lua
E não há com que se preocupar
Isso é bobagem minha

Numa entrevista concedida em 1994 a José Geraldo Couto, João Cabral de Melo Neto assim falou a respeito da noção de poesia:

“Naquele poema ‘Alguns Toureiros’ eu digo que aprendi com Manolete a não poetizar o poema. Porque esse é o problema de muito poeta: é que ele faz um poema poético. Quer dizer, faz um poema a partir de elementos já convencionalmente poéticos. Ele perfuma a flor. É como se você planta uma rosa e depois acha que a rosa não está cheirando o suficiente e aí põe, em cima da rosa, perfume de rosas para ela cheirar mais (risos). Eles perfumam o poema. Existem toureiros que fazem isso também, floreiam demais o jogo.”

Poetizar o poema significa encher o poema de emoticons, de pequenas sinalizações indicando ao leitor a reação emocional que o poeta espera provocar. Sinalizações que revelam a insegurança do poeta com relação aos meios que emprega.

Ele acha que o que escreveu não é suficiente, acha que o leitor não vai entender, e começa a reescrever aumentando, começa a encher o verso de pequenas redundâncias, como se cochichasse ao leitor, “olha só, isso aqui é triste”, “preste atenção, aqui é para você achar graça”, e assim por diante. Surgem redundâncias como “um sorriso alegre cheio de felicidade”.  (...)

Leia o resto clicando no link abaixo:

https://mundofantasmo.blogspot.com/2015/06/3852-nao-poetize-o-poema-2862015.html
Numa entrevista concedida em 1994 a José Geraldo Couto, João Cabral de Melo Neto assim falou a respeito da noção de poesia:

“Naquele poema ‘Alguns Toureiros’ eu digo que aprendi com Manolete a não poetizar o poema. Porque esse é o problema de muito poeta: é que ele faz um poema poético. Quer dizer, faz um poema a partir de elementos já convencionalmente poéticos. Ele perfuma a flor. É como se você planta uma rosa e depois acha que a rosa não está cheirando o suficiente e aí põe, em cima da rosa, perfume de rosas para ela cheirar mais (risos). Eles perfumam o poema. Existem toureiros que fazem isso também, floreiam demais o jogo.”

Poetizar o poema significa encher o poema de emoticons, de pequenas sinalizações indicando ao leitor a reação emocional que o poeta espera provocar. Sinalizações que revelam a insegurança do poeta com relação aos meios que emprega.

Ele acha que o que escreveu não é suficiente, acha que o leitor não vai entender, e começa a reescrever aumentando, começa a encher o verso de pequenas redundâncias, como se cochichasse ao leitor, “olha só, isso aqui é triste”, “preste atenção, aqui é para você achar graça”, e assim por diante. Surgem redundâncias como “um sorriso alegre cheio de felicidade”.  (...)

Leia o resto clicando no link abaixo:

https://mundofantasmo.blogspot.com/2015/06/3852-nao-poetize-o-poema-2862015.html

sexta-feira, 29 de março de 2019

CEDO OU TARDE EU IA TRADUZIR A ABERTURA DA ODISSEIA.

O homem conta-me, Musa, o multimodal que por muitos
males passou, arrasando a santa muralha de Troia,
vendo e sabendo de muitas cidades e mentes humanas,
muitas dores sofrendo no mar e dentro do peito,
ao proteger seu alento e o retorno de seus companheiros,
sem conseguir salvá-los, por mais que assim desejasse:
pois se perderam pela própria perversidade,
tão pueris que comeram o gado do Sol Hiperônio,
e este por isso então lhes tomou o dia da volta.
Deusa filha de Zeus, começa por um desses pontos.

 Ἄνδρα μοι ἔννεπε, Μοῦσα, πολύτροπον, ὃς μάλα πολλὰ
πλάγχθη, ἐπεὶ Τροίης ἱερὸν πτολίεθρον ἔπερσε·
πολλῶν δ' ἀνθρώπων ἴδεν ἄστεα καὶ νόον ἔγνω,
πολλὰ δ' ὅ γ' ἐν πόντῳ πάθεν ἄλγεα ὃν κατὰ θυμόν,
ἀρνύμενος ἥν τε ψυχὴν καὶ νόστον ἑταίρων.
ἀλλ' οὐδ' ὧς ἑτάρους ἐρρύσατο, ἱέμενός περ·
αὐτῶν γὰρ σφετέρῃσιν ἀτασθαλίῃσιν ὄλοντο,
νήπιοι, οἳ κατὰ βοῦς Ὑπερίονος Ἠελίοιο
ἤσθιον· αὐτὰρ ὁ τοῖσιν ἀφείλετο νόστιμον ἦμαρ.
τῶν ἁμόθεν γε, θεά, θύγατερ Διός, εἰπὲ καὶ ἡμῖν.


Tradução de um trecho da ODISSEIA por professor Guilherme Gontijo Flores 😱😱😱😱😍😍😍💙💜💙💜💖💖💖

quarta-feira, 27 de março de 2019

Um dia eu peguei o que eu não tinha e parti. Ir embora sem nada é mais fácil porque é só seguir. Estou em frente não porque deixei, larguei, abandonei ou sai. Não. Eu desanimei, desistir assim é só colocar um pé na frente e o outro logo depois...
Eu não quero voltar para onde estive. Não quero mais continuar à deriva no mar da vida, um oceano para mergulhar...e eu estava olhando os peixes sequinha. Agora eu vou pular. Quero sentir o mar aberto fazer meus olhos lacrimajarem de verdade. Chorei olhando os peixes de um aquário, podendo nadar com as vidas marinhas mais loucas sem nem saber aonde iremos chegar. Mas vamos juntos, eu e esses seres todos de dentro do meu universo.
Aos que estão no lugar de onde eu segui, deixo a amizade de portas, janelas e braços abertos. Eu sei que ser amor é aprender antes de tudo compartilhar. E vamos partilhar novas histórias, novidades e os amores que se aproximaram de nossas longas conversas agora em horas marcadas. O relógio é um aliado de pessoas descontroladas e controvérsias como eu sou. E vai me dizer o que fazer na hora certa da chegada e da revoada.
Hoje é um dia de fazer a vida valer a pena.
Sou, desde garoto, um sujeito lento. Rápido no pensar, lá isso eu sou, mas muito lento no agir. Quem gosta de mim diz, com benevolência, que eu tenho um tempo próprio de fazeção das coisas. Deve que tenho mesmo. Pelo sim, pelo não, adotei como um dos meus lemas o mineiríssimo "Festina lente" ("Apressa-te lentamente") dos latinos, que me permite viver sem culpa uma vida em que lavar e pôr para secar a roupa, observar o movimento dos calangos no quintal ou o voo das andorinhas sobre a minha morada são etapas do dia tão importantes quanto escrever mais algumas páginas do livro de memórias ou terminar de preparar a oficina que oferecerei neste fim de semana em São Paulo. Junto à lentidão (talvez a marca maior do meu temperamento pessoal) a opção pela frugalidade. Fazer do pouco algo que perdure, quem sabe alguma alegria para sempre: isto é, sim, comigo. Sem pressa nenhuma. Porque, além de já ser lento de nascença, aprendi a valorizar ainda mais a lentidão desde que li pela primeira vez, logo que foi publicado, este primoroso ensaio do geógrafo-pensador Milton Santos que volta e meia eu reposto aqui. "Vos desejo uma excelente viagem" - faço minhas as palavras grafadas por Bispo do Rosário num estandarte - pelo texto do professor Santos. Terei muito gosto em saber, à noite, se quiserem me contar, que o dia de hoje foi para vocês agradavelmente lento.

terça-feira, 26 de março de 2019

Texto lindo... página do Facebook "Ventre feminista"

Tem um texto de uma escritora portuguesa chamada Matilde Campilho que começa assim :
 "Escute só, isto é muito sério.
Anda, escuta que isso é sério!
O mundo está tremendamente esquisito"

Sim Matilde, o mundo está tremendamente esquisito. Não há como discordar.
E o desamor anda solto. Parece até cafona gostar dos outros.
O caso é que sou cafona e gosto dos outros. E meu jeito mais sincero de demonstrar amor é através do cuidado.
Meu pai não está muito bem nos últimos tempos. Claro que isso me abala. Ele é idoso, está com a saúde frágil. Até poucos dias eu levava almoço pra ele. Agora levo almoço e janta. Ele precisa comer direitinho. E me deixa feliz poder fazer isso por ele. Alimentar alguém, pra mim, é uma forma de ofertar vida, sabe?
Hoje um dos meus cachorrinhos começou a gritar de dor. A unha da patinha tinha quebrado e entrado na carne dele. Uma dor imensa, imagino. Chamei a veterinária, ela veio e ele está bem agora. Cuidar dele e vê-lo bem me alivia o peito.
Agora há pouco eu estava na cozinha fazendo comida (sim, de novo) para meu filho que vai chegar do estágio. Ele poderia fazer a própria comida? Claro que poderia e faz na maioria das vezes. Mas eu gosto de cozinhar pra ele e ouvir ele dizer "tava uma delícia mãe! Obrigado!"
Faço porque gosto, de verdade.
Sim, o mundo está tremendamente esquisito. E a gente vai deixando de cuidar da gente, de cuidar de quem a gente ama e de aprender a receber cuidado também quando precisamos. Às vezes ninguém oferece cuidado. Eu sei. Não vivencio atualmente, mas sei porque já vivenciei.
Tô falando de cuidado aqui e sei que pode surgir alguém para levantar a lebre de " cuidar dos outros é um papel social das mulheres imposto pela sociedade patriarcal" Concordo. É sim, e eu sei que é. Mas eu GOSTO de cuidar das pessoas (já disse isso?)
Eu gosto de sentar aqui quando posso e ler os relatos de vocês. Eu gosto de poder oferecer uma palavra de conforto quando há palavras que confortam. Eu gosto de cozinhar para meu filho, para minha família, para meus amigos. Eu gosto de ouvir os problemas das minhas amigas e procurar, junto com elas, as soluções. Eu gosto de dar lembrancinhas pra quem eu amo. Eu gosto. Eu gosto de gente. Gosto de bicho. Gosto de existir e sou grata pela honra de poder ofertar um pouco de acolhimento e afeto num mundo tão, tão tremendamente esquisito.
E como diz um outro trecho do texto/poema de Matilde Campilho :
" eu acredito que exista, agora, alguém profundamente acordado. Alguém que esteja vivendo entre o intervalo tênue entre o sonho e a agilidade. Suponho que ele saiba perfeitamente que este começo de século será nosso batismo do voo para nossa persistência no amor."
Eu acho que cuidar (e receber cuidado) é uma forma bonita de persistir no amor.
Cuidem de vocês, como se vocês valessem ouro (na verdade vocês valem MESMO!) E se puderem e quiserem, cuidem, na medida do possível, de quem vocês amam. Seja bicho ou gente.
O mundo tá ruim, esquisito, doido e doído. Mas a gente pode e deve persistir no amor.
SUGESTÕES DE LEITURA, ENQUANTO ELES COMEMORAM O ANIVERSÁRIO DO INFAME GOLPE DE 1964:

A expedição Montaigne (1982), de Antonio Callado
A festa (1976), de Ivan Ângelo
Ainda estou aqui (2015), de Marcelo Rubens Paiva.
Amores exilados (1997), de Godofredo de Oliveira Neto
A noite da espera (2017), de Milton Hatoum
Antes do passado: o silêncio que vem do Araguaia (2012), de Liniane Haag Brum
A resistência (2015), de Julián Fuks
As meninas (1973), de Lygia Fagundes Telles
Avalovara (1973), de Osman Lins
A voz submersa (1984), de Salim Miguel
Azul corvo (2010), de Adriana Lisboa
Bar Don Juan (1971), de Antonio Callado
Cabo de guerra (2016), de Ivone Benedetti
Em câmara lenta (1977), de Renato Tapajós
Em liberdade (1981), de Silviano Santiago
Feliz ano velho (1982), de Marcelo Rubens Paiva
Felizes poucos (2016), de Maria José Silveira
História natural da ditadura (2006), de Teixeira Coelho
Incidente em Antares (1971), de Érico Veríssimo
K.: relato de uma busca (2011), de Bernardo Kucisnki
Lobos (1997), de Rubem Mauro Machado
Mulheres que mordem (2015), de Beatriz Leal
Não falei (2004), de Beatriz Bracher
Não verás país nenhum (1981), de Ignacio Loyola de Brandão
Nem tudo é silêncio (2010), de Sônia Regina Bischain
Nos idos de março (2014), org. de Luiz Ruffato
O indizível sentido do amor (2017), de Rosângela Vieira Rocha
O fantasma de Buñuel (2004), de Maria José Silveira
O que é isso companheiro? (1979), de Fernando Gabeira
O torturador em romaria (1986), de Heloneida Studart
Os carbonários (1980), de Alfredo Sirkis
Os pecados da tribo (1976), de José J. Veiga
Os que bebem como os cães (1975), de Assis Brasil
Os tambores silenciosos (1977), de Josué Guimarães
Os visitantes (2016), de Bernardo Kucinski
Outros cantos (2016), de Maria Valéria Rezende
Palavras cruzadas (2015), de Guiomar de Grammont
Paris – Rio – Paris (2017), de Luciana Hidalgo
Poemas do povo da noite (2017), de Pedro Tierra
Primeiro de abril (1994), de Salim Miguel
Quarup (1967), de Antonio Callado
Reflexos do baile (1977), de Antonio Callado
Retrato calado (1988), de Luiz Roberto Salinas Fortes
Silêncio na cidade (2017), de Roberto Seabra
Sombras de reis barbudos (1972), de José J. Veiga
Um romance de geração (1980), de Sérgio Sant’Anna
Volto semana que vem (2015), de Maria Pilla
Zero (1975), de Ignacio Loyola de Brandão

segunda-feira, 25 de março de 2019

Ela me surta

Não quero ser sua ex
É um preço alto demais
Apagar seus eles
do meu ouvido
Eu não aceito
Eu não me permito
Nao quero ser sua ex
Tenho duas escolhas
Duas estradas avessas
Não ser seu lamento ou
Ser sua o resto da vida
Não quero entrar na sua lista
No seu caderninho de ex
Escrito na sua memória reprimida
Tenho outros planos pra nós
Escolha se eu serei sua
Ou se serei uma webamiga
Não quero ser sua ex
Andar de mãos dadas
Pra toda vida
Ou nunca sentir o calor
Das suas mãos nas minhas ânsias
A minha insônia tem seu nome
No meu nick do chat
No meu link do WhatsApp
E se você me surta
O meu suéter
É teu abraço à noite
Quando o sono me vence
Depois de muita luta
Me diz que eu nao vou ser sua ex
E nem mais uma garota chata
Que fica "dodói" e sem graça
Com o nome da Lila toda hora
E da Lili dizendo que é
Uma super heroína da sua vida
Eu não quero ser mais uma ex sua
Me deixa fazer parte da sua eternidade
Ou me deixe fazer amor com você
Numa tarde, sem saber seu gemido
Sem saber se seu sorriso
Foi eu quem fez...
Eu não quero ser sua próxima ex
Me dá uma chance de dizer
Isso outra vez...

sábado, 23 de março de 2019

Doutora Júlia Rocha direto do Facebook

O MEU CORPO PADRÃO

Minha aparência me agrada, mas não foi sempre assim. Dois anos já se passaram desde o meu parto e nesse caminho eu já achei que minha vida havia sido estragada pela gravidez. Já tive raiva, vergonha e muita insegurança. Eu não sei o que me fez mudar. Talvez tenha sido um tanto de feminismo com mais um tanto de amor próprio conseguido a duras penas em frente ao espelho.

Hoje eu consigo admirar coisas que já odiei. Manchas de sol na pele do rosto, manchas de espinhas, olheiras,rugas. A pele que começou a aceitar o tempo. Dentes nem tão brancos, lábios grandes e grossos, nariz largo. Orelhas pequenas, testa grande. Cabelo entre o crespo e o cacheado, alguns fios quebrados, outros tantos fios bem lindos.

Meu corpo cumpre sua função de me levar ao encontro das pessoas que amo e me dar prazer. Prazer sexual, prazer no trabalho, prazer no convívio, prazer de comer, de cantar, de ser.

Peitos que amamentam não são duros nem empinados e, mesmo assim, eu os amo. Amo o prazer que me proporcionam no sexo, na amamentação e ao contemplá-los diante do espelho.

A barriga tem mais pele que antes e essa pele tem as marcas de um dos momentos mais doces e deliciosos que minhas lembranças guardam. A espera por minha filha. As estrias, a flacidez, o umbigo que ficou diferente. Tenho amor, respeito e gratidão especiais por minha barriga.

Minhas coxas não estão mais duras. Pretendo fortalecê-las em busca de mais saúde para os meus joelhos. Minhas pernas me levam e eu as agradeço diariamente por suportarem meu desejo intenso de experimentar o mundo.

Não há quem me convença a me anestesiar e me submeter a uma cirurgia para consertar o que está perfeito. Meu corpo está perfeito e nele eu carrego a minha história.

Cremes caros, tratamentos doloridos... desculpem, tenho preguiça. (Mas maquiagem eu adoro!)

Eu me sinto triste às vezes. Em alguns momentos, me sinto terrivelmente triste. Chega a doer. Vez ou outra me sinto absurdamente feliz e eufórica. Na maior parte do tempo, estou bem. Sinto-me serena, tranquila.

Não preciso medicar minhas tristezas. Elas fazem parte de mim. É também por elas que eu me amo e que outras pessoas me amam. Não quero normalizar meus sentimentos. Quero ser eu e poder sentí-los todos.

Há um enorme mercado a vender normalidade. Sem crítica, acabamos aniquilando as nossas características mais únicas e especiais para entrarmos dentro de um padrão. O peito duro e empinado, a barriga reta e sem gordura, a vulva de tal jeito, a pele, o cabelo, os pelos, as unhas, o humor, o sono, o tamanho do pênis, a grossura dos lábios... não tem fim.

Aliás, tem. O ponto final, eu coloquei. Hoje me sinto bem como sou, tranquila com a minha aparência, com meus desejos e amores. Um dia nos disseram que precisávamos refazer nosso corpo. Consertá-lo! Caso contrário, o marido iria embora! Um dia nos disseram que ele olharia para a outra mulher mais jovem na rua. E nós acreditamos! Eu mesma acreditei até ver casais se desfazendo e maridos indo embora depois da abdominoplastia e da mamoplastia que deixaram o peito empinado, a barriga reta e o corpo “correto” denovo.

Minhas descobertas se tornaram doces quando eu descobri que meu corpo despertava desejo e amor e encantamento mesmo flácido, marcado e “errado”. O medo da dor de transar depois do parto foi substituído por deliciosas experiências regadas de zelo, afeto e desejo!

Hoje eu sei e sinto que o meu corpo só deve e precisa servir a mim. Quem quiser ir embora que vá. Eu fico. Inteira. Eu não me abandono nunca mais. ❤️

terça-feira, 19 de março de 2019

Para mim, existe uma lógica de consumo na educação "bancária", como já definia Paulo Freire. Ela submete o fazer escolar ao clientelismo de satisfazer aos pais e aos alunos, o que de fato é uma inversão de valores em relação à escolarização adequada e digna. Em favor dessa clientelização, há realmente algumas tendências de escolas que "prometem" criar os filhos para os pais, que "prometem" satisfazer a fome e a sede dos alunos por sucesso e realização pessoal, que "prometem" através de profissionais multiespecializados ( "psicólogos coaching", neuropsicopedagogo em constelação familiar, etc) cuidar da saúde emocional dos filhos desses país que terceirizam a responsabilidade familiar para as escolas. Isso é realmente preocupante pelo absurdo que se promove e que possui rastros em outras práticas, por exemplo, o ensino integral no qual a escola coloca os professores para ficarem com os alunos 40hrs por semana (sendo escola integral em horário para o professor e para o aluno), a fim de retirar esses alunos das ruas, do assédio à violência do entorno de suas casas e comunidades - o que também é um absurdo. Veja que não há nessas escolas chamadas "integrais" o objetivo de compor um currículo transversal, com estímulo às artes, ao esporte e ao desenvolvimento tecnológico, por exemplo. O que há é a ocupação do tempo de professores e de seus alunos com mais aulas, mais horários de conteúdo (seja teoria e exercício) e não uma busca pela integralidade humana. O integral humano não é formado, trabalhado, explorado e pensado. É apenas uma terceirização da responsabilidade familiar ao que a escola bancária sempre se prestou, ser uma prestadora de serviço (do serviço que está sendo superficialmente demandado pelo mercado). Eu acredito que repensar o propósito da escolarização é a melhor maneira de avançar enquanto humanidade.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Psiu, gostosa
Vem aqui
Ô linda
Foge não
Vadia
Nojenta
Vagabunda
Piranha
Bruxa
Lixo

Ô mocinha
Toma um banho
Limpa teu sangue
Eu prefiro limpa, assim
Limpa esse chão
Limpa essa louça aqui
Quero teu corpo limpo

Ô querida
Tão nervosa
Não precisa
É louca
É neurótica
Fica quietinha
Fecha a perninha
Sente como menininha

É tão frágil
É cristal
Mimo meu
Na minha estante
Calada
Muda
Silenciada

Ei, mulher
Eu tenho uma flor
Feliz dia
Sorria
Eu salvei o dia

Toma, boneca
Uma promoção de perfume
Maquiagem mais em conta
Lingerie na promoção
É teu dia, bonita!

Tá com frescura, gatinha?
Volta aqui
Vamos conversar
Eu não queria ter de te machucar
Vai dar jogo pro azar?
Bruxa
Vagabunda
Filha da puta

Eita, coitadinha
Tão novinha
Quis dar
Não soube se cuidar
Agora nada de abortar
Engula essa tua culpa
Mamãe
Trancada
Forçada
Quem mandou?

Ah, mas isso é fase
Hoje não quer ser mãe
Quando encontrar homem bom
Espera só, querida
Toda mulher nasce pra isso
É vocação
Questão de tempo
Espera só


Dupla jornada
Balela de louca
Eu sou um fofo
Estou aqui com sua pensão
Sua vocação
Não minha

Olha, putinha
Quer abortar?
Teu nome tá em sangue
Lá no chão da favela
1 milhão por ano
Clandestinas
É Gabriela?
Cravo ou Canela?
Não tem chá
Não tem pai
Não tem saúde
Não tem
Não

Não pode descuidar
Tem que tomar
A pílula
Engula
Um pouquinho a cada dia
Trombofílica
Hipertensa
Cancerígena
Mas descuidar não pode
Pode suas asas

Olha ali, tá gordinha
Desleixou
Tá descuidada
Desse jeito acaba sozinha
Mas tem rosto tão bonito
Não se cuida
Questão de saúde, sabe?
Me preocupo
Juro que não é padrão

Filme de terror
É rua escura
Passo próximo
Respiração ritmada
Pensou era demônio
Era homem
Ali
Sozinha
Suja
Pintando a sarjeta de sangue
Por hora são onze

Vocês querem falar sobre flores? Eu não quero nem vê-las. A bizarrice poética desse dia é fruto da dor das nossas mulheres: estupradas, silenciadas, subestimadas, impedidas, mutiladas, espancadas, violentadas, exploradas, forçadas.
Todos. Os. Dias.

8 de março é dia de luta.

Texto: Luiza passarin

domingo, 3 de março de 2019

Nenhuma pressa

Nem me alcança esse ritmo da vida
Esse imediatismo sem jeito
Essa falta de tudo
Que nada basta e nunca ta satisfeito
Eu não quero apressar nada
Nem me perdoaria que o adeus fosse antes da hora
Um dia tudo acaba
E com vc eu quero experimentar o eterno
Um infinito de tempo
Que não tem nome
Não vou correr com o relógio
Ter você é um presente
Sem mesmo você imaginar
Que eu já te tenho nas minhas horas
Nas minhas ansias de amar
Nos sonhos de acalanto
E eu em seus furtivos pesadelos
Então, o tempo e a hora vão precisar dizer
O que for preciso vai acontecer
Nao será de outra maneira
Que seja sem pressa
Essa é a minha prece
De tanto te amar

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Já notaram como a gente se sabota um montão de vezes?
Vou contar o "causo" de uma ex-aluna :
Quando ela começou a fazer as aulas de dança, me disse a seguinte frase : "Desde pequena eu sonhava dançar. Nunca pude. Agora posso. Era meu sonho e agora to realizando".
Ela frequentava as aulas regularmente, quase nunca faltava. Super dedicada, talentosa. Fez sua primeira apresentação. Arrasou! Tava linda, dançou lindamente. 1 mês depois, me comunicou que pararia de vir nas aulas. Fiquei sem saber o que dizer. Perguntei se havia algum problema, se eu tinha errado com ela, se poderia melhorar em algum ponto, se era falta de grana, ofereci bolsa de estudo e tudo mais. Ela foi taxativa "Não foi nada que você fez e não é falta de grana. Eu amo suas aulas e amo dançar. Mas to passando uma fase difícil e preciso focar em mim". Não fazia sentido, sob o meu ponto de vista! "Focar em si", era algo que eu entendia como o oposto de abandonar algo que ela sonhou a vida inteira! Ela estava tão feliz na dança, tão realizada! Porque abandonar justamente o que lhe fazia bem? Fiquei triste por perder uma aluna tão querida, mas busquei entender e deixar claro que quando ela quisesse voltar, as portas do estúdio e do meu coração estariam abertas.
Dois anos depois eu a reencontrei por acaso na rua. Ela me deu um longo abraço. Disse que tinha saudades de mim, da dança, das aulas, das colegas. E completou com os olhos cheios de lágrimas "não entendo porque fiz aquilo comigo! Você sempre disse que a dança era das poucas coisas que a gente faz só pra gente mesma. Eu não dançava por ninguém, dançava por mim e pra mim. Você estava certa! Parei de dançar, mas continuei fazendo um monte de coisas que me faziam mal. Larguei só o que me fazia bem." Perguntei porque ela não voltava a dançar, mesmo que fosse com outra professora ou em outra modalidade (às vezes a pessoa se cansa de uma só didática ou de um só estilo, né?) E ela respondeu que não achava mais espaço pra dança. Que tava trabalhando muito, que foi fazer natação, que não gostava, que era mais caro,  mas ela tinha se "acostumado a fazer".
Se despediu dizendo "Mas um dia eu volto, Ana! Foram os meses mais felizes da minha vida! Um dia eu volto."
E lá se foi ela, dizendo para o próprio sonho (mas achando que tava dizendo pra mim) "Um dia eu volto"
Eu sei que nem tudo que sonhamos "cabe" na nossa rotina, que às vezes o sonho é diferente da realidade, que cada uma tem um tempo, que ela pode sim voltar ou não voltar nunca mais... mas uma pergunta me martela a cabeça quando coisas assim acontecem :
Porque a gente deixa de lado o que nos faz bem e muitas vezes segue insistindo em coisas que não nos fazem nada bem?
"Um dia eu volto". Quantas de nós (eu mesma, muitas vezes!) já dissemos isso para nossos sonhos, para nossas expectativas, para aquilo que nos faz felizes?
É só uma reflexão. Sem a intenção de trazer "verdades absolutas". Mas se eu pudesse pedir algo a vocês (e a mim mesma) seria : se PUDER escolher, escolha abandonar o que te faz mal.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

José Luiz Ferreira eu fico sempre muito chocada com algumas situações causadas pelo poder da informação em rede. Isso é muito complexo e ao mesmo tempo perigoso mesmo. É complexo porque estamos ainda vivendo e dentro do processo que está em andamento, o que dificulta qualquer constatação efetiva. Mas, ainda assim, acredito que é possível pensarmos em certos limites necessários para o uso e influência da rede mundial nas nossas vidas e na nossa espécie. O segundo ponto, sobre ser perigoso é o que mais me deixa aflita. Eu fico perplexa de ver a proporção que uma informação propagada, seja ela minimamente verdadeira ou extraordinariamente falsa, consegue chegar. Vidas estão sendo destruídas e a nossa civilização está passando por uma revolução. Haverá um mundo antes e o mundo depois desses tempos. Não duvide! Nisso tudo, eu finco a minha racionalidade em um princípio que não acho que perca o valor: a humanidade. Se humanizar vai ser cada vez mais vital e difícil. Vigilância à própria humanidade, prudência e observância. Com certeza, são as virtudes dos que sobreviverão ao caos. Sem mensagem apocalíptica, sendo dedutiva mesmo. A guerra já começou e nem é possível saber quem é o próximo inimigo. Vencer é não se tornar um deles. Eu penso assim.
"Nossos segredos são os mesmos.
Desde o princípio.
Desde que o mundo é mundo.
Não se iluda.
Somos feitas da mesma matéria e das mesmas dores.
Nenhum deles está aqui para nos salvar.
Só você pode se salvar.
Acredite.
Em você.
Não dobre seus joelhos, não beije seus pés.
São tão impuros quanto os teus e os meus.
Que a semente de amor que você tem dentro, floresça através dos tempos.
Até o final.
Não... não existe final.
É outra ilusão.
Não existe separação.

Eu te sinto em mim.
Nossos segredos são os mesmos.
Os teus ainda estão guardados?
Por que você os protege?
Deixe-os voar.
Deixe o vento levar.
A tempestade lavar.
Não tenha medo.

Eles são covardes.
Não vão entrar mais no seu quarto, pequena.
O seu silêncio os fortalece.
O seu segredo os fortalece.

Se todas contássemos nossos segredos... o seu poder acabaria.
Todas juntas!"

Por Sabrina Bittencourt

(quando começou a saga contra líderes espirituais abusadores, em 28.08.2018 - EQUIPE COAME. www.coamebr.tk)

#SABRINAPRESENTE
#OCORPOÉMEUVAISEFUDER
#EuSouSobrevivente

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Quando vejo as polêmicas jogadas estrategicamente em nossas rodas de conversas, já sei que se trata de aparelhamento ideológico. Primeiro eles jogam a fala solta e controversa, depois eles a retomam em contexto favorável, ainda que ambíguo, e saem como os cordeiros enquanto os lobos são seus opositores. Eles estão fazendo a capa de população amável e familiaresca, já seus desiguais seriam os odiosos e degenerados. Por outro lado, são sempre notícia dentro e fora de seus nichos discursivos (ideológicos). São sempre as mesmas posições, do mesmo lado e de forma clara. Poderemos nos acostumar com esse discurso de tal modo que ele seja ainda mais naturalizado? Sem dúvida! Ignorar de forma estratégica, não reagir de forma cautelosa, silenciar em suas próprias sessões discursivas, não ouvir em suas rodas mais caras pode ser o maior trunfo. Não digo que devemos fingir que não estamos vendo, mas precisamos sufocar a audiência, apagar as luzes do espetáculo deles para não inflá-los. O caminho é complexo mais necessário porque tudo que eles querem é se espalhar na mídia de tal sorte que dominem todos os espaços de discussão sem qualquer esforço de violência aparente, mas através da violação simbólica que produzem ao garantir força aos seus preceitos cruéis. Meu medo é que esse mal se banalize em nós que estamos do lado daqui, em nós que nos afastamos deles por hora. O mal se banaliza mais rápido do que imaginamos.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Vc não foi, vc foi levada. Vc não sentiu prazer, vc foi estimulada para além da sua compreensão, da sua permissão, da sua vontade e da sua capacidade de lutar contra. Não há nenhuma forma de remédio para curar suas lembranças, te fazer esquecer ou te fazer ao menos diminuir a dor. Não há. Eu não posso te dizer o que não existe. Mas existe um meio de vc amar tanto a si mesma que esse fantasma se afaste da sua cabeça, não como quem esquece MAS SIM COMO QUEM SE PERDOA. Por favor, perdoe a si mesma! Vc não fez nada, nada veio de vc, nenhuma característica sua ou qualquer que fosse sua postura, nada freiaria esse monstro. Homens quando desejam oprimir, violentar, destruir e assujeitar mulheres NÃO PARAM POR NADA. O que ele fez foi por pura perversidade, maldade e má índole. Ele se aproveitou da sua inocência, da sua inexperiência, da sua falta de força, da sua incapacidade biológica, da sua ingenuidade racional. Não há como uma criança de 12 anos lutar contra um monstro, contra seu maior inimigo. Vc foi vítima de um monstro. Não há sequer uma dúvida disso. Infelizmente existem meninas que se tornam dependentes emocionalmente desses abusadores e depois levam essa forma de abuso como relacionamento afetivo, quando é puro ato de dominação e de deformação. Se um monstro desse pudesse te matava fisicamente, mas como não pode um pedacinho de vc ele destruiu por um tempo: a sua paz. No entanto, eu não duvido que vc consegue RECONSTRUIR-SE, REENCONTRAR ESSA PAZ É POSSÍVEL. Encontre grupos de apoio, rodas de mulheres abusadas, conversas em grupos de mulheres feministas e qualquer apoio coletivo. Não guarde mais a maldade desse monstro dentro de vc. Ela não é sua. É totalmente dele.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Se eu pudesse agora
Eu te sonhava
Em minha noite
Em minha cama
Dentro da minha coberta
E te enrolava
Entre meus dedos
E te sentia
Chegar bem felina
Cheirando meu pescoço
E te pedia
Me nina
Me mima
Menina,
Me ensina
A te mimar
A te amar
A te sonhar
E te ninar
E te ouvia
Respirar de olhos apertados
E te sentia
Subir na minha vida
Dominar minha mente
Ferver minha pele
Deixar meu corpo
Todo refém de ti
Se eu pudesse
Agora mesmo te pegava
Te sonhava em cima de mim
E te enlaçava firmemente
Apesar do medo
Tenho em mente
Teu suor
Teu sussurro
Tenho teu gemer
E sinto um cheiro quente
Vindo das narinas ofegantes
Do teu peito saltitante
Delirante teu quadril
Tudo em ti treme
E faz um frio
Sou eu soprando
Eu te amo
Atrás dos teus ouvidos
Na tua nuca
Nos teus cabelos
Tão meus e tão negros
Vontade de ranger os dentes
E te soltar
Livre levemente
Cheirando teu pescoço
Suavemente
Tudo na gente
Nesse sonho
É quente
Ardente
Vivo
E encandescente
Sonho um dia
De noite
A gente.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

 a ciência nas humanidades tem relação com a subjetividade, isso é o que permite o paradigma histórico e dialético. Claro que a gravidade não é uma ciência, ela é uma realidade física. O lugar de fala é uma ciência, ele faz parte de um conceito científico que depende obviamente da subjetividade manifesta histórica e, inclusive, psicologicamente. Não se pode igualar as premissas aritméticas, físicas e químicas com as realidades humanas, apreciáveis nas ciências ditas humanitas. Ninguém irá questionar a princípio de que a gravidade existe, mesmo assim são muitas as discussões científicas sobre os desdobramentos dessa realidade, e nestes casos a historicidade científica se aplica no que é possível compreender e no que ainda não é possível. Nas ciências humanas não lidamos com objetos, com abstrações apartadas do contexto e da subjetividade inclusive que lhe interpreta (como eu disse, é preciso conhecer o livro de professor Japiassú sobre a Ciências Humanas, ele reduziria possíveis lacunas no meu comentário). Quando a palavra fato aparece no seu comentário, ela deixa de ser fato histórico e passa a ser fato absoluto, mas não é sempre assim, principalmente dentro das ciências humanas - exatamente o ambiente acadêmico de onde saiu o artigo em questão. Eu jamais teria a mesma postura analítica diante de um fato físico, químico ou de questões matemáticas, não é está a área do conhecimento a qual estamos examinando especificamente. Quando vc traz a discussão sobre a percepção do real, ou "apreensão do real" eu não pude silenciar em mim a voz de Lacan e a máxima psicanalítica dele sobre a incapacidade da apreensão do real. Para essa ciência humana (psicanálise lacaniana), o real é inatingível mesmo em um esforço teórico.  Então, não concordo com sua afirmação sobre o real, embora a palavra realidade estivesse de alguma forma - talvez - mais adequada ao seu contexto afirmativo. Não considero a ciência humana um relativismo epistemológico, e considero o seu comentário uma anticiência porque desqualifica uma área fundamental e funcional do saber científico. As descobertas de Newton são fatos científicos abstratos e as ciências humanas consistem em fatos históricos e subjetivos (no sentido de relacionados às construções dos sujeitos no mundo, é sobre o estado de coisas e não o estado das coisas, no sentido de Wittgenstein). A historicidade, ao contrário do que vc defende não é um limite, mas um aspecto formador que não pode ser ignorado sob pena de - neste caso, sim - restringir, limitar a capacidade analítica do objeto social, histórico e subjetivo. Se vc se opõe ao que a epistemologia da filosofia contemporânea usa como meio de análise, esse é um viés metodológico seu, não precisa ser radicalizado como a única forma verdadeira de se fazer ciência. Não é mesmo? Descarte é sábio em propor em uma das suas últimas discussões teóricas a premissa científica da dúvida. Duvidar é preciso, inclusive duvidar de si mesmo. Por isso, não tem como negar que a ciência exige o debate dentro da realidade, do contexto ao qual se propõe. Lugar de fala não é um confessionário, não é um microfone na mão, nunca será um artifício comunicacional, pois é a comunicação indispensável para a progressão da narrativa histórica. O discurso da história, a partir do lugar de fala, se torna um meio de debates e conflitos subjetivos enriquecedores e mais autênticos, no sentido de representativos. Quando mais interlocutores são ouvidos, maior possibilidade de versões a história terá. O que enriquece a visão de mundo estabelecida pela interdiscursividade, leia-se Patrick Charaudeau sobre isso (Análise do discurso). Nenhuma subjetividade pode ser encarada como uma pessoa no mundo, isso é olhar para o discurso e não enxergar as vozes que lhe antecedem (leia-se Mikail Bahkitin sobre isso "Marxismo e filosofia da linguagem", "Estética da criação verbal"). Somos uma polifonia reverberada na voz de uma simples mulher (isso foi irônico). A experiência não pode ser transmissível, experiências não se transmitem, são sabidas e escutadas, jamais dadas como um objeto de troca material. Experiências são conhecidas e intermediadas para que sua existência seja validada. Um apagamento de experiência é um silenciamento de existências. Os negros foram apagadas da história do Brasil sobre a definição amordaçadora da palavra "escravo", na qual suas identidades foram omitidas criminosamente. Não se está falando de justiça, aqui, mas de ciências humanas. A ética é um princípio no método de muitas ciências humanas como já argumenta Karl Marx, entre outros tratando do discurso do método. A verdade não é obejto da ciência, ela é uma premissa revogável quando está dentro do debate. Reviga-se a verdade absoluta e coloca-se as verdades possíveis. Mesmo porque nem tudo é possível de ser apreensível para a racionalidade humana, somos limitados pela nossa vivência e historicidade. Essa é a premissa de uma ciência humana que se queira possível no século XXI. Por favor, não trate de nenhuma teoria social, subjetiva, linguística e comunicacional como se ela fosse verdade ou fato absoluto porque não é desse tipo de ciência que se está tratando mas da ciência das humanidades e seu olhar deve ser adequado para tal.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

RABELAIS, obrigado por existir:

"Manguaceiros ilustres! Nobres toscos! Estimados aleijões! Sondas de jarros! Hastes de frascos! Registros rodados! Mordomos de névoas! Discípulos de São Martinho! Irmãos chapados! Irmãos cozidos! Irmãos insaciáveis e arrotadores chumbados! Banqueteiros e toneleiros! Trincadentes e trincalínguas! Vastas gorjas! Panças bombadas! Peidorreiros e trapaceiros! Irmãos doidos e preciosos! Por conclusão, notem bem o seguinte: se quiserem conservar nesta vida saúde e venustade, escutem atentamente estas seis regras:
 Nunca bebam sozinhos. A companhia de manguaceiros é uma corja altamente estimada e sua palavra baritonante tem peso considerável nos círculos de gendarmes. E mais: peguem dois bêbados; se um, empanturrado de névoa, perder o passo, o outro logo o levanta.
 Sigamos: ao despontar o dia, sob o luar virginal da alba, o melhor é brindar com Matusalém; ao meio dia com Baltazar; no crepúsculo choque a caneca com Nabucodonosor.
 Só beba do melhor. Beba do sólido. Plínio convida a distinguir os vinhos imbecis dos vinhos válidos; os bilontras vão preferir a segunda opção. Evitem os mequetrefes e mijos de burro. Evitem vinhos xexelentos.
 Evitem a cerveja. O poeta Basselin chama os manguaceiros de cerveja de bocas mijantes e diz com justeza que esse trago é bom para os flamengos e alemães, porque têm alma comum. E beber cerveja é causa de males: Júlio, o santo pai, bebeu cerveja e, mostrando sua barba, provocou grande indignação. Por isso, Erasmo de Rotterdam também diz que a cerveja seja infligida aos desgarrados e apóstatas, pois que é um castigo rudíssimo, tão pesada fora a falta.
 Porém mais que tudo, evitem a água: de todos os fluidos, é o mais virulento. Grande número de poetas e lansquenetes sucumbiram desafortunadamente por culpa dela. A água prejudica enormemente por causa de seu fedor e pestilência; Aristóteles, na História dos animais, narra como um grande número de gafanhotos, depois de beberem água, se corromperam e, por causa daquela horrível pestilência, abateram oitenta mil pessoas na cidade de Azi. E os membros da congregação da Santa Sé sabem muito bem o que estão fazendo quando vertem um funil de água nas tripas heréticas, porque quem bebe água tem sempre algo por esconder e dissimula alguma obscenidade.
 Vamos! Tomem exemplo no ensinamento de Jesus Cristo em Caná, do adorável milagre do Cordeiro.
 Evitem também o sangue. O sangue é pernicioso para o corpo humano, como testemunho diversos escritos e opúsculos medicinais e o camarada Avicena, também ele, recomenda a prática abundante da sangria. Reconhecemos que o sangue é um fluido gravemente nocivo porque esguicha e escorre só de furar alguém com um punhal; porque o corpo humano aproveita a mais ínfima oportunidade para se livrar desse veneno; e Marnardi de Ferrara nos ensina que devemos escutar o que o corpo nos ordena, pois através dele fala o Espírito Santo. Eis por que, erguendo o cálice, o Salvador disse: “Isto é o meu sangue”, o que prescreve que troquemos todo nosso sangue por vinho,  que nem uma cunha empurra a outra; e nós ficaremos saudáveis e adoraremos a Deus com fervor. ἄγιος κ᾽ἀθάνατος ὁ Θεός  [Santo Deus imortal].
 Ah! saibam também o seguinte: vocês têm a vida inteira para gargalhar e toda a morte para repousar."

[Trecho tirado do "Tratado do bom uso de vinho", cujo original francês se perdeu. A pintura é de Adriaen Brouwer, séc. XVII].

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Ela simplesmente não vai acontecer
Eu tô indo embora mais um vez
A hora de chegar foi tão natural
Mas a de partir não vai ser
Não queria dizer adeus
Mas ela foi dizendo antes
E eu nem li
Nem notei
nos meus devaneios
Nas minhas burrices
Espantei ela da janela do mundo
Ela fugiu mesmo 
Como disse desde sempre
Mas algo dela ainda persiste
Mas sua sombra, sua vagueza
Sua imagem na minha tela
Não são ela
São minha mente
Impondo um presente
Que não existe
Eu conheço suas armadilhas
Querida razão doente,
Não me derrube de novo
Os voos estão proibidos
Mas eu tenho que prosseguir
Uma queda deliberada 
No olhar dela sobre a gente
No falar dela sobre o mundo
E eu caminho incoerente
Cega mente tenho 
Busco uma inspiração
Encontro um muro
Em minha frente, enfrentar
Não tem por quê
Eu sou um passarinho no ar
Nem sei como pude sobreviver
Vou dizendo muito obrigada
Por mais uma chance
Vida, sua boba
Eu compreendi
  • Adeus, agora
Sem ela
nem uma poesia faz sentido
Meus olhos percorrem
 por todo lugar
Ela quem querem
 em todas as letras
e as formas abstratas vistas
 à distância dela
Sem ela
 nenhuma música
 encaixa com a rima
e os poemas de amor
perderam a cor
Não tem melodia
Onde ela foi ?
meus sentidos perguntam
Minha boca sente
o perfume do seu corpo
Ela não é minha
Minha mente repete
A alma sozinha
Cria o gosto da sua pele
E eu sou inteira vazio
Sem ela
Achei muito interessante a tua visão sobre o esse falastrão, desculpa eu não consigo concordar com a comparação com o Marx, porque realmente diferentemente deste, aquele nunca será um filósofo mesmo. Vc está muito certa de colocar a palavra filósofo entre aspas. Enquanto Marx , muito além de lutar pelo fim do liberalismo tirânico, era um consagrado leitor e um dos mais importantes analistas da filosofia clássica (socrática); o jornalista e comentarista de cotidiano brasileiro nunca terá nenhum reconhecimento acadêmico. Marx é estudado por universidades das maiores potências capitalista, que possuem filósofos neoliberais que refizeram a leitura de seus clássicos sobre os problemas e os vícios que a geração de capital poderia criar para o próprio capitalismo. E no séc XXI é estudado como um dos maiores analistas sobre os problemas do liberalismo radical. Por exemplo, existem análises dele que antecipam as crises do capital, tais como a Crack de 1929 (bolsa de valores de NY) às implicações diplomáticas entre conservadorismo e democracia liberal do nosso século. Eu concordo plenamente com a sua visão sobre a retórica viciada do pequeno brasileiro que está amando a popularidade, mesmo ruim, que estão lhe dando. Ele é um cidadão da "sociedade do espetáculo", como analisa o filósofo alemão Guy Debord (1931), no capítulo "A negação e o consumo da cultura". No livro "A sociedade do espetáculo", trata exatamente dessa forma de "intelectualidade" falsa, que não se apoia em conceitos científicos, mas em análises pessoais, verdadeiras opiniões. Ter opinião e expressá-la não pode ser considerado errado, mas querer que essa opinião seja ciência ou teoria é, antes de tudo, uma enganação. Eu considero qualquer palpitero que possui livro publicado como um palpitero de livro e somente isso. Mesmo tendo graduação e pós-graduação, não podemos considerar as opiniões deste ou daquele ciência. Se tem livro, não significa ser um homem das ciências e das filosofias. Ao contrário, acho que algumas obras desse comentarista espetacularista está muito mais para ficção, para não dizer fantasia, do que para análise crítica. Não aceitar contraditório realmente é um dos piores indícios para alguém que se queira científico. É necessário, principalmente dentro da filosofia, a consideração e a inclusão das críticas para que o debate, a tese e a proposta de análise seja ciência ou filosofia. Platão é um dos teóricos mais importantes sobre o método da filosofia clássica, e elege a dialética como o princípio da filosofia. Marx, na sua releitura sobre os métodos da filosofia moderna, elege a dialética histórico-cultural como o princípio ético para qualquer ciência, incluindo a filosofia. Para Marx, a práxis é o única forma de garantir uma ciência ética, isto é, a capacidade de uma teoria ser praticada e transformar realidades ruins para a humanidade em boas formas de viver em sociedade. Eu acredito plenamente, que esses princípios filosóficos são no mínimo ignorados pelo palpitero brasileiro. Infelizmente, ele sabe apenas espalhar opinião e sequer se preocupa com aqueles que não concordam com o que ele determina. Também, não está preocupado com o bem comum, esse é um princípio da dialética marxista, consagrada como origem da filosofia moderna. Antes de tudo, Marx era um filósofo perseguido cruelmente por ser judeu e considerado, juntamente com seu parceiro de filosofia, Engels, pessoa não grata pelo império da Prússia (tirano imperador Frederico Guilherme V, um republicano liberal), porque lutava através da filosofia pela igualdade de classes. Já, o brasileiro em questão, é autor de livros sobre opiniões de cunho "científico" bastante duvidoso, por ser ensaísta, por não aceitar debate dentro da academia sobre suas opiniões, sobre suas ideias, que por ter condições financeiras consegue publicar. Infelizmente, eu considero um atraso vergonhoso pro Brasil considerar esse homem uma pessoa digna de opinar sobre qualquer assunto da nossa realidade histórica.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

JULIANA

Cavalgando com suavidade
Lentamente,
umedecida,
olhos fechados
e os cabelos no rosto
Deslizando com vontade
Subindo,
descendo
ao ritmo da nossa respiração

Ela descansa a cabeça
no meu ombro
Mas logo se ergue,
se empina
e continua
Suas mãos se apoiam
no meu peito
Ganha força,
ritmo,
intensidade

Feito uma águia selvagem
ela parece voar
por cima da cama,
por cima de mim
É uma fera incontrolável
que me doma,
me engole
E eu, totalmente entregue,
sou a sua presa.

( Cleydson Ramones )

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Ps: Fique à vontade para COMPARTILHAR ou MARCAR o seu namorado(a), crush, amigo, amiga. 

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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Eduardo Bolsonaro: “Eu começo a ‘entender’ a importância da figura masculina na vida de uma mulher quando minha ex-namorada que já se declara feminista é vista em uma balada LGBT acompanhada de um médico cubano, usando uma roupa vulgar e, como se não bastasse, rebolando até o chão. E ainda posta isso na internet, como se fosse uma atitude louvável. Lembrando que antes do feminismo ela andava com roupas discretas, não rebolava até o chão, e namorava comigo. ;) #FeminismoÉDoença”

Patrícia Lélis: “Eu comecei a entender a importância do feminismo quando fui abusada por seu amigo de partido e você me pediu para ficar calada, mesmo sabendo que era verdade e me vendo machucada fisicamente e psicologicamente. Foi daquele dia em diante que eu comecei a entender o feminismo. Até então eu aceitava as suas grosserias, abusos e traições. Foram 3 anos e 8 meses em um relacionamento abusivo. Eu estou percebendo que tudo na vida evolui, menos você. Falta de elegância ficar pedindo para terceiros te passarem informações sobre onde e com quem estou. Você consegue desrespeitar até mesmo pessoas que você nunca viu na vida, menosprezando e desvalorizando o próximo. Sabe qual foi o principal motivo que nos levou ao término? Eu descobrir que eu sou dona de mim, descobrir que sou um ‘mulherão da porra’, e quando descobri isso, você ficou com medo. Moleques não aguentam mulheres fortes. Só para terminar esse post: esse médico cubano que você tentou menosprezar nesse post, além de ser um baita ‘homão da porra’, me leva pra balada, não reclama das minhas roupas e maquiagem, dança comigo, e cá entre nós: tem uma ‘pegada’ que você nunca teve na vida. Beijo, Eduardo. E vê se para de me ligar e mandar mensagens dizendo que tá com saudades, tá chato já!”

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Incondicionalmente amar de novo

A inspiração para que possamos recomeçar não está colocada onde queríamos. Ao contrário disso, ela sempre nos pega de surpresa, nos toma para si feito uma chuva repentina acalmando o ardor de tantas incertezas.
Recomeçar, então, é encarar as dúvidas, as dívidas e as reticências. Não há como não ter perguntas e anseios sobre o futuro, não há como esquecer que já errou tanto por ser ingênuo. Duvidar é acreditar no próprio eu do presente perdoando os erros que se foram, almejando alento no porvir.
As promessas vão sendo deixadas de lado e ficamos devendo algumas explicações incoerentes e outras reflexões que chegarão na hora exata. São dívidas que ficaram de ser pagas e nós deixamos de cobrar por pura vontade de seguir pra nunca mais voltar. São as nossas desculpas esfarrapadas livres, leves e soltas.
Enfim, restam solenes as continuidades soberanas. Sim, a vida continua mesmo que quiséssemos estagná-la! Não, não há como remediar os três pingos de vida que seguem sem nos deixar pedir "licença pode me esperar". Vida que segue que chama, né?
É! A vida não deixa de ser companheira do tempo, passando por entre os dedos divinos e escapando feito menina liberta, livre para re(a)mar. Em uma rota de tempestades no mar, tememos continuar. Amar é persistir mar adentro, em mar aberto,  amar e pronto.
 Não, amar não é de erro, não há equívoco. Se errar por isso, perdoe-se imediatamente, e jamais se arrependa de recomeçar a acreditar no amar da vida. Não há como viver sem recomeçar quantas vezes for preciso para reaprender, reinventar. Reamar é amar quantas vezes for indispensável por ser de amor movido.
A inspiração para que possamos recomeçar não está colocada onde queríamos. Ao contrário disso, ela sempre nos pega de surpresa, nos toma para si feito uma chuva repentina acalmando o ardor de tantas incertezas da vida.
Recomeçar, então, é encarar as dúvidas, as dívidas e as reticências. Não há como não ter perguntas e anseios sobre o futuro, não há como esquecer que já errou tanto por ser ingênuo, duvidar é acreditar no próprio eu do presente.
As promessas vão sendo deixadas de lado e ficamos devendo algumas explicações incoerentes e outras reflexões que chegarão na hora exata; são dívidas que ficaram de ser pagas e nós deixamos de cobrar por pura vontade de seguir pra nunca mais voltar.
Enfim, restam as continuidades soberanas. Sim, a vida continua mesmo que quiséssemos estagná-la! Não, não há como remediar os três pingos de vida que seguem sem nos deixar pedir "licença pode me esperar"... Vida que segue que diz né?
É! A vida não deixa de ser companheira do tempo, passando por entre os dedos divinos e escapando feito menina livre, liberta para de re(a)mar. Amar não deve ser um erro. Se errar por isso, perdoe-se imediatamente, e jamais se arrependa de recomeçar a acreditar na vida. Não há como viver sem recomeçar quantas vezes for preciso para aprender a amar.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Até um dia desses éramos os que ajudavam a construir o futuro da nação, agora somos os maiores inimigos. Somos "inimigos" da família de bem; "opositores" do governo de bem; "adversários" da empresa de bem; "rebeldes" contra a ideologia de bem; "revoltados" contra a igreja de bem. Somos do mal, do contra e do lado avesso. Até um dia desses éramos os que deveriam ser respeitados, os que deveriam ser abraçados pelo tamanho da responsabilidade que temos maior do que cuidar da nossa própria família. Agora somos os que devem se calar ou repetir o que o livro escolhido por eles disser. Seremos papagaios de estimação????? Querem uma legião de pessoas sem criticidade andando pelo mundo a esmo??? Querem sucumbir a alma de um povo???? A alma é a capacidade de sentir, de se indignar e de se contrapor ao que considera injusto. Se a educação não desenvolver a criticidade, QUEM FARÁ? A TV? A INTERNET? AS FAKENEWS??? A SUA TIA APOSENTADA QUE JÁ NÃO LÊ NEM MAIS PALAVRAS CRUZADAS SÓ olhando bobagem no wtsp??? Fomos largados. Eu já sinto o peso. Irei resistir. E mesmo que me tirem os livros, não conseguiram tirar o conhecimento tatuado no meu corpo e na minha mente. Educarei independentemente de tudo. A luta é por uma nação de gente e não de zumbis!

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O que eles querem é bloquear qualquer forma de liberdade garantida. A única "liberdade" que eles aceitam é a liberalidade, isto é, o princípio liberal tal qual os clássicos desse pensamento preconizavam,  Smith, Locke, Stuart Mill. Nada de liberalismo soa como liberdade, nem mesmo quando garante os direitos individuais. Por isso que devemos nos cuidar bastante. O liberalismo estipula o que e como é ser "livre" e garante que seja de fato apenas "liberado". Quem regula essa lei? O pensamento dos donos do meio de produção. E está liberado apenas aquilo que pode ser consumido. Daí o princípio falho do senso comum "o dinheiro traz a felicidade".

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Eu li uma vez em artigo de um historiador, desses que estão fora de moda no Brasil, que o nosso país é das contradições gigantescas. Monarquia que faz  independência  ao império; Império que faz golpe e instaura a república; república que faz golpe militarista; operário que faz modernização do sistema liberal ultrapassado para a democracia neoliberal mais contemporânea possível. Aqui a surpresa não acaba. Mas fico feliz da vida de ver, essa radicalidade da nossa esquerda sendo jovial e contemporânea! Boulos representa a nossa diversidade faraônica. Somos contraditoriamente um país de surpresas! Enquanto todos esperaram de Ciro a luta democrática, mesmo que fosse apenas por uma reverência ao criador do partido que lhe acolhe Brizola; somos surpreendidos por um radical de esquerda fazendo o aceno livre pela democracia plena! Meu presidente seria Boulos, votei sem medo de ser feliz e livre!

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Esse caos é o efeito mesmo que eles querem. Quanto maior a dor, o sofrimento e a angústia gerada mais eles crescem. Eles se alimentam da nossa dor e nós jamais somos culpados por de certa forma sermos suas presas. Ao contrário, sonos na mesma medida o veneno. Uma pessoa que sofre ao ver tanto horror e desumanidade, só pode ser totalmente contra essa forma de poder e por isso é sua oposição. O que enfraquece esse mal é quando nós o DESPREZAMOS. DEVEMOS DESPREZAR ESSE IMPRESTÁVEL! A luta agora é para apagar ele da mente das pessoas e só faremos isso falando, fazendo e reverberando outras coisas e outras energias. Tire ele da sua vida. Se purifique . Purifique a sua família. Pense, fale e reverbere outra coisa . Não se deixe dominar por esse mal, que eles querem exatamente é serem os senhores das nossas mentes. E não serão!