Se eu mergulho em mim, derramo amor...prazer... ódio... rupturas. Se eu te mergulho, deságuo em fúrias...feras...feridas...e amar. É sobre o encontro de mágoas às vezes, mas em um vigoroso oceano há sempre vida!
segunda-feira, 14 de junho de 2021
quinta-feira, 10 de junho de 2021
amamentação compulsória e outras formas de escravização de mulheres e pessoas com útero no sistema tirano do patriarcado
quarta-feira, 9 de junho de 2021
oxalá
terça-feira, 8 de junho de 2021
planeta lixo
quarta-feira, 19 de maio de 2021
Goza, burguesia do inferno! ou sobre o "direito" de gozar no liberalismo necropolítico radical dessa nossa era... vergonha
sexta-feira, 30 de abril de 2021
quarta-feira, 28 de abril de 2021
Companheiros.
terça-feira, 27 de abril de 2021
pátria pútrida, burocrática, patriarcal: brasil da fome, do lado, da morte e do genocida
quarta-feira, 21 de abril de 2021
Escola NÃO é depósito de gente
terça-feira, 20 de abril de 2021
sapiens, sensibilidade, ppercepção (?), humanidade... entre Hannah e Eichiman ...do humanismo ao fascismo radicalizado o continuum histórico da civilização democrática (?) em pedaços
domingo, 18 de abril de 2021
privilégio de estar em casa, vivo.
sábado, 17 de abril de 2021
filosofia percepcional
quinta-feira, 15 de abril de 2021
psicopata de gravata, mandato público e diploma na mão
terça-feira, 13 de abril de 2021
professores
A luta é estar vivo
sábado, 10 de abril de 2021
sexta-feira, 9 de abril de 2021
quinta-feira, 8 de abril de 2021
um perverso infanticida em ação ?
domingo, 4 de abril de 2021
Um pequeno segredo de zaratustra: o ultra-homem não pode ser deus, nem por um dia.
quinta-feira, 1 de abril de 2021
mono poli homo hetero gamia... o sexual e o amor no humano histórico
Monogamia não é monopólio
quarta-feira, 31 de março de 2021
domingo, 28 de março de 2021
feminista do bbb
Foucault e abuso
sábado, 27 de março de 2021
holocausto brasileiro de pandemia
sexta-feira, 26 de março de 2021
Para muito além do que a pedagogia OPRESSORA, mas um suspeito...um olhar mesmo que visionário (embora velho já) para uma transformação da humanidade por meio de um educação TRANSFORMADORA
quarta-feira, 24 de março de 2021
Carla Diaz e o patriarcado no BBB
domingo, 21 de março de 2021
Uma história evangélica
quinta-feira, 18 de março de 2021
sensível demais...demasiado humanamente sensível
Professor x Educador... uma distância ainda incorrigível
domingo, 14 de março de 2021
eugenia à brasileira????
terça-feira, 9 de março de 2021
álcool, cerveja, mulher, violência doméstica e feminicídio ...uma perspectiva histórica
terça-feira, 2 de fevereiro de 2021
quinta-feira, 14 de janeiro de 2021
carta à Audre lorde
https://diariosincendiarios.wordpress.com/2018/09/25/carta-a-audre-lorde/amp/
(em resposta ao texto A Transformação do silêncio em linguagem e ação)
“Eu estou aqui como poeta Negra lésbica e sobre o significado de tudo isso repousa o fato de eu ainda estar viva, coisa que poderia não ter sido.”
Audre, em minhas muitas tentativas de romper os silêncios que atravessam meu corpo, eu aprendi que o lugar onde ele se instala é justamente onde mais faz ruídos. E o ruído rasga cada sopro de voz, por dentro, muito antes de se tornar vento.
Desde muito cedo eu fui ensinada a calar, a catar todas as palavras que me vinham à boca e amassar, amordaçar, frear. Aprendi a silenciar todos aqueles rasgos a mim direcionados. Os olhares que me lançavam, como navalhas, reafirmavam cortantes, o peso de tudo.
Eu ainda era menina quando todas essas dores me alcançaram. E não sabia ao certo porque doía, mas sabia o quanto doía. Não conseguia falar, não tinha com quem falar, eu estava diante de mim mesma e sem saber o que fazer com aquela imagem que ecoava dolorosa frente aos meus olhos e sentidos. Fui durante muito tempo o espelho daquilo que me diziam ser errado, feio, sujo. Tentei ser diferente e a cada tentativa frustrada um pouco de mim se esvaia. E você sabe, Audre, o quão é doloroso passar pelas violências que a lesbofobia atrelada ao racismo impõe sobre nossos corpos.
Desde a minha infância fui muito introspectiva, muito silenciosa, muito para dentro. O meu primeiro impulso para fora do silêncio, foi quando, ainda na escola, numa aula de português, sem querer, tropecei em um poema num livro didático e algo em mim se movimentou de uma forma diferente e me impulsionou à escrita. Pensei: talvez pôr as dores no papel as façam menos doloridas.
Logo quando comecei a escrever não tinha uma consciência exata do que eu pretendia com aquilo e tampouco enxergava a escrita como uma forma de resistência – embora fosse -, só queria um pouco de alívio. O intuído era aliviar tudo aquilo que insistentemente latejava em meu corpo. Busquei nas palavras uma maneira de ressignificar e transformar essas dores em alguma coisa que não me desse um soco dentro da boca. Não foi fácil e ainda não é. Ainda estou nesse exercício de transformar o silêncio em linguagem e ação. Pergunto: um dia deixaremos de ter silêncios a romper? E, certamente, a resposta será não. Porque entre os ruídos e os não-ditos há tantas outras coisas.
Uma vez enquanto conversava com uma amiga sobre toda essa minha dificuldade em romper o silêncio, ela me disse algo que me fez parar por alguns minutos e logo após esse breve momento de paralisia, aquela fala me deslocou. Ela me disse: “As coisas só começam a existir quando você fala sobre elas. Você só vai começar a existir enquanto uma poeta negra e lésbica quando você começar a se enxergar (e se enxergar é estabelecer um diálogo consigo e com os outros) e a falar sobre quem você é e sobre o que é estar nesse lugar”. E isso me causou um imenso estranhamento e espanto logo quando ouvi. Porque, pela segunda vez, eu saí do seio do silêncio, porque eu queria e precisava existir, e foi como se eu tivesse ouvindo: “Fala para elas de como nunca se é uma pessoa inteira se guardas silêncio, porque esse pedacinho fica sempre dentro de ti e quer sair, e se segues ignorando-o, ele se torna cada vez mais irritado e furioso, e se nunca o deixa sair um dia diz: basta! E te dá um soco dentro da boca.”
Esse sentimento de possível inexistência misturado à necessidade de existir ecoou em mim durante alguns dias. A sensação foi de imersão em mim mesma e nos meus medos. Afinal, o que me paralisava? Após dias em uma conversa muito íntima com o silêncio, cheguei à conclusão de que o que me emudecia era o medo. O medo da visibilidade e do seu enlace mais profundo: a vulnerabilidade. Ao tomar uma assustadora consciência de meus próprios abismos, adentrei uma percepção ainda mais funda: meu corpo sempre foi o alvo e a vulnerabilidade nunca esteve distante de tudo que represento. Continuar cultivando o silêncio se configura como uma autopreservação forjada e agora o meu corpo já tinha consciência disso.
E foi nessa de conversar com o silêncio e apalpar as suas minucias que o atravessei.
Em alguns momentos, trocamos: fui silêncio e ele música, fui nota e ele ficou calado, no escuro. Repare, eu disse, nota. Fui nota, notada, acordes e música. Fui ouvida e falada. Fui a palavra cantada nos meus próprios ouvidos.
Mas, o medo de falar ainda rasga a segurança que cuidadosamente vem sendo construída.
A boca do silêncio ainda arranha as tantas possibilidades de sopro.
Concordo com você, Audre, quando diz que: “Podemos aprender a trabalhar e a falar apesar do medo, da mesma forma que aprendemos a trabalhar e a falar apesar de cansadas.”
E acredito que o silêncio pode ser configurado de duas maneiras: como uma potência significativa ou sendo capaz de produzir a própria noção de silenciamento, que para muito além de estar em silêncio, configura-se como pôr um sujeito em silêncio.
Eu quero poder tocar o silêncio, poder estar em silêncio por escolha, não por medo. Claro, é sim necessário e importante romper o eixo onde o silêncio aprisiona, mas podendo preservar o ponto onde ele é conforto.
O silêncio não é só o que está visível, ou seja, aquilo que está além da boca, ele pode estar também fazendo sentido e significando em outros lugares – às vezes como conforto, noutras vezes, como prisão – e produzindo nas próprias palavras os ecos desses trânsitos internos. Podermos escolher o momento de falar e o momento de estar em silêncio é um ato de autopreservação, reconhecimento dos nossos limites e respeito aos nossos cansaços.
Eu quero poder me libertar do medo de pôr o meu corpo em evidência, mas ainda restam tantos silêncios para romper.