segunda-feira, 14 de junho de 2021

Por que Bolsonaro não usa máscara?
Por Roberto DaMatta

09/06/2021
Fiz a pergunta a muitas pessoas de ambos os polos  e a uma minoria centrista que procurei como um detetive. Todos se assombraram com minha inocência. Como é que eu — professor titular de Antropologia Social e pesquisador da “alma brasileira” — não sabia que, entre nós, quem manda não obedece?

Como é que eu podia ignorar que, no Brasil, mandar anula o obedecer, essa desagradável anormalidade democrática que inverte a velha ordem? Como é que eu esquecia que “estar no poder” é sinônimo de não seguir coisa alguma, porque obedecer é o carimbo dos fracos e dos pobres?

É claro que Bolsonaro não usa máscara!

Como é que ele aceitaria tal banalidade, se o sinal que envia é que pode tudo? No Brasil, ser superior é não estar com a lei, mas situar-se acima dela, é claro.

É ter o privilégio de não ser cidadão. De provocar e abusar, na certeza de não ser punido. É ser “impunível” e, se preso for, ter a plena confiança de que um jurisconsulto ponderado vai livrá-lo da prisão, que será especial — um xadrez hierárquico e diferenciado...

Ninguém definiu tais condições com mais clareza que o próprio Bolsonaro quando, em 12 de maio do corrente, numa de suas tiradas absolutistas, declarou que “só Deus me tira daqui” e, no dia 17, afirmou ser “imorrível, imbrochável e também incomível”. O incomível é curioso. Ele salienta a qualidade bolsonaresca de ser duro de roer, mas deixa de lado outras implicações que Freud explica, e eu prefiro não comentar...

A arrogância expõe as propriedades conhecidas, mas pouco discutidas, de todos os que “sobem”, “chegam” ou “tomam” o poder no Brasil.

Aqui (como na América Latina), ser irremovível ainda é o sonho de quem encabeça um sistema que transforma eleições em rituais dinásticos, ministros em fidalgos ou criados e o eleito, em salvador (ou matador) da pátria. O populismo é o modelo resistente à igualdade do presidente perante a lei.

Aprendemos que o dono da bola pode mudar as regras do jogo e, sendo contrariado, ele acaba com o jogo.

O “golpe” é uma possibilidade constante em países onde verdade e mentira se contestam. É preciso perceber que crimes políticos hediondos, como “o rouba, mas faz”, ainda são vistos como piadas e folclore.

O que mostra como evitamos examinar o protagonismo dos costumes sobre as instituições. Aquilo que é positivo na família, e até mesmo no partido, contraria a ética democrática.

É preciso compreender como a ambiguidade ética corrói a impessoalidade obrigatória das democracias, cuja disciplina se baseia na separação de pessoas e cargos. O atualíssimo e atrasado “manda quem pode, obedece quem tem juízo” é um mote escravocrata. É uma prova da desigualdade como valor no Brasil.

A decepção bolsonarista tem tudo a ver com a incapacidade de negar o pedido de um amigo e de ver essa incapacidade como normal. Como se lei, civilização, costumes e comportamentos fossem seres de planetas diferentes, quando são dimensões necessariamente relacionadas nos regimes democráticos.

Caso a “casa” continue a englobar a política e a “rua”; caso os elos pessoais sejam mais valorizados que a moralidade coletiva, temos incesto. O que iguala estruturalmente incesto e “corrupção” é romper com uma norma pública universal em favor de desejos particulares. Pois, como adverte sabiamente a revista “Playboy”, “o incesto é legal desde que seja mantido em família”.

Mas como manter a muralha da família (e dos compadrios) ao lado da liberdade do mercado e das gravações reveladoras da verdadeira máscara do invocador do Tribunal de Nuremberg e também das facções de ataque e defesa do governo, que são (com a devida vênia) contumazes potoqueiras? Por que — essa é a grande questão — o campo político virou um espaço de mentiras, malandragens e desenganos?

O abominável no comportamento de Jair Bolsonaro é que ele ainda não conseguiu entender a magnitude do papel de presidente da República. É claro que tudo tem a ver com a crença de que ele se pense, como disse com uma ingenuidade embaraçosa, como “imorrível, incomível e imbrochável”. Delas todas, eu invejo a mais humana, a última.

Como dizia o velho e querido brasilianista Richard Moneygrand, dificilmente se faz democracia com faraós.

Roberto Damatta - assinatura
Por Roberto DaMatta

quinta-feira, 10 de junho de 2021

amamentação compulsória e outras formas de escravização de mulheres e pessoas com útero no sistema tirano do patriarcado

E, é sempre bom lembrar de mulheres que não quiseram ou tiveram sérios problemas para amamentar. Afinal de contas, faz parte do discurso da violência simbólica misógina a amamentação compulsória. Por exemplo quando uma menina, ainda muito nova engravida, é obrigada a gestar, a parir, a amamentar...por causa do dispositivo materno (violência de gênero). Um sofrimento devastador e muito solitário invade essa menina. Da mesma forma, mulheres e pessoas com útero que são obrigadas (são um enésimo dado silenciado e amordaçado) a levar gestações -  indesejadas e adoecedoras, talvez enlouquecedora - e ouvem uma voz social que naturaliza o aprisionamento das fêmeas que devem ser a fábrica da humanidade. Esse é um ponto que me toca porque minha irmã é mãe solo, de uma gravidez não planejada, amamenta até hoje (depois de já 3 anos do filho), sem poder trabalhar, sem poder ter sua autonomia legitimada e muitas vezes silenciadas em vozes que repetem " a mãe é sagrada", mas esquecem que somos compulsoriamente obrigadas a nos reproduzir em muitas situações de circunstâncias diversas. A amamentação é também um direito da criança conforme as prerrogativas de aleitamento como princípio de desenvolvimento saudável de pequenas gentes. E, mais uma vez, o discurso da maternidade compulsória e violenta se faz sem nem a declaração de direitos humanos perceber. Afinal, mulheres ou pessoas que possuem útero têm mesmo o direito de decidir? Somos iguais em "liberdade" e integridade do nosso corpo como qualquer um? Será que é assim? São indagações necessárias para um feminismo político e prático. A vida de mulheres e pessoas que possuem útero não deveria se resumir às consequências biológicas de gestar, parir e amamentar como se fossemos fêmeas, animalizadas, escravizadas pelo controle externo que o patriarcado retém sobre o nosso existir. Apesar de tudo isso, eu sou plenamente a favor da garantia dos direitos das pessoas que possuem útero de gestar, parir e amamentar se assim for minimamente para o seu próprio bem e da sua própria vontade. Mas eu acho que o que eu defendo anda utópico demais.

quarta-feira, 9 de junho de 2021

oxalá

Segundo os mitos, Oxalá permaneceu injustamente preso durante sete anos no reino de seu filho, Xangô, sem que este soubesse do fato. Grandes calamidades ocorreram em todo o reino devido a essa injustiça e quando Xangô finalmente descobriu o que havia acontecido com o próprio pai, resgatou-o da prisão e ordenou que fossem organizadas grandes festas em todo o reino, em sua homenagem.
A festividade conhecida hoje como Águas de Oxalá remonta a esse acontecimento. No entanto, Oxalá estava muito alquebrado, ferido e entristecido. Apesar de toda a atenção que recebeu, a única coisa que desejava era retornar ao seu próprio reino, em Ifé, onde Yemanjá, sua esposa, o aguardava. Xangô não podia acompanhá-lo pois precisava colocar em ordem o próprio reino e pediu a Airá que fizesse isso em seu lugar.
Foi assim que Airá tornou-se o companheiro de Oxalá, pois a viagem foi muito longa já que Oxalá andava muito devagar (conta-se também que Airá carregava Oxalá nas costas) pelo fato de ainda estar se recuperando dos ferimentos que adquirira durante os sete anos de prisão. Durante o dia, eles caminhavam. À noite, Oxalá sentia frio e precisava descansar. Para aquecê-lo e distraí-lo dos próprios pensamentos, Ayrá mandava que acendessem uma grande fogueira no acampamento. Oxalá observava o fogo e Ayrá passava longas horas contando-lhe histórias do povo de Oyó.
Desse modo, tornou-se tradição acender a fogueira no dia 29 de junho de cada ano (no Brasil), em homenagem a Airá e à viagem que fez em companhia de Oxalá.
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Áyrà ójó mó péré sé
Á mó péré sé
Áyrà ójó mó péré sé
Á mó péré sé
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A chuva de Airá apenas limpa e faz barulho como um tambor

Ela apenas limpa e faz barulho como um tambor

A chuva de Airá apenas limpa e faz barulho como um tambor

Ela apenas limpa e faz barulho como um tambor
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Amo o Candomblé 
#Povodafloresta 🍃🌿

terça-feira, 8 de junho de 2021

planeta lixo

É sobre isso.
Não adianta mais dizer, como o pensador do século passado, o trabalhador "produz riqueza" por isso essa "riqueza" lhe pertence...
A lógica da propriedade não está fora desse lugar de "dono de fato de tudo que é produzido" porque O QUE É FABRICADO, camarada, É LIXO.
Incluindo o LIXO HUMANO. A humanidade dona, proprietária de lixo é a nossa nova era...
Que LIXO!
Não deveríamos mais "lutar para dominar os meios de produção", para poder "consumir", sabe...
Consumir, minhas companheiras...meus companheiros de mundo, É DESTRUIR, SUGAR TODA A VIDA, TORNAR TUDO O LIXO...o planeta lixo é o resultado...um iPhone tem, sem pecado nenhum, ALUMINA do solo sagrado DA AMAZÔNIA, banhado de morte e extinção...
Verdade...não só o iPhone que custa pouco perto da VIDA e do APAGAMENTO, do SILENCIAMENTO dos povos originários...
Estamos consumindo, classe produtora de lixo, DESTRUIÇÃO...
Romantização da pobreza ?

Não!
Ooooooooodio ao capitalismo,  ao rastro de cemitérios, ao cheiro de sangue podre, ao veneno do chorume em nossas veias ...lençóis freáticos. 
Ooooooodio à sociedade que pensa que consumir é algum poder...quando de fato é a própria morte em acelerado processo de produção...é voraz a mentalidade que aliena...engole tudo a sua volta e se chama NEOLIBERALISMO RADICAL ou necropolítica para os íntimos...
O século XXI exige outras ideias...que estão sendo ditas...estamos gritando. Mas o academicismo CLÁSSICO patriarcal e antiquado nos torna reféns do ontem em forma de reprodução...por certo, nenhum pensador no mundo gostaria de morrer com as mesmas palavras de sempre na boca. 

Sempre pense o que seu filósofo,  seu mestre preferido lhe diria agora...ou será que é você quem deveria dizer algo a ele sobre esses novos tempos...aliás...NOSSOS tempos.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Goza, burguesia do inferno! ou sobre o "direito" de gozar no liberalismo necropolítico radical dessa nossa era... vergonha

Que gozar e transar não são motivos RELEVANTES quando UMA PANDEMIA e um governo neofascista JÁ MATARAM juntos e aliançados...mais de 400 mil brasileiros.  #ForaBol卐onaroGenocida   #forasallescriminoso 

#forabolsonaro 

Obs. Não adianta me mandar transar,  gozar...dá meu isso...meu  aquilo...eu sou daquelas idiotas que NÃO SAI de casa PORQUE ATÉ PRIVILEGIADA sou... um privilégio VERGONHOSO no país que mais mata negros, lgbt,  indígenas, mulheres e crianças...um país que EM MAIO LUTA PELO COMBATE ao abuso e à exploração sexual infantil... O que a PORNOGRAFIA escancara, incentiva e máscara.  O que pornografia tem a ver com tudo isso? O liberalismo sexual fantasiado de "novidade"...tem cor, tem classe social e tem alvos, tem VÍTIMAS pois muitas  são as mulheres que se tornam prostitutas,  que não estão em nenhuma estatística de morte, fome, covid-19 ou violência de gênero.... então , goza, aí,  CARALHO... goza...bando de burguês do inferno 

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Possível é. Pra mim a ética na nossa relação com os animais precisa ir muito além desse dilema "comer ou não comer carne".

Em geral, dietas com menos proteína animal podem ser bem mais saudáveis ou não. É possível não comer animais e, ainda assim, contribuir enormemente para a destruição dos ecossistemas (a soja, por exemplo, é um grande vilão). Há muitos alimentos originados de trabalho infantil e escravo. Há muitos outros comportamentos nocivos ao meio ambiente que são pouco falados (descarte e mesmo excreção de psicofármacos em rios que alteram o comportamento dos peixes e outros animais). Poderíamos até contabilizar o uso de eletricidade vinda de hidrelétricas que destroem muitos ecossistemas.

Enfim, pra mim, a lógica da REDUÇÃO no consumo, escolha consciente e outras iniciativas, de maneira geral, são mais interessantes do que focar apenas na lógica de "comer ou não" outros animais. E na verdade me irritam um pouco pela hipersimplificação (igual a onda de banir canudos). Nossa biologia inclui a alimentação com base em proteína animal, assim como a de muitos outros animais. O maior ponto de discussão, para mim, não deveria ser este. Até pq escolher não comer carne tbm passa por uma série de outras questões socioeconômicas.

Comentário sensatíssimo de Anna Carolina Ramos

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Companheiros.

Concordo plenamente.  Além disso, acho muito importante que seu posicionamento enquanto negro homem cis esteja sendo exposto porque  a manutenção desse sistema de exploração e controle das sexualidades  se dá por meio do patriarcado arraigado em nossa cultura, sendo os homens muitas vezes os que mais são privilegiados, embora estejam em certa medida sofrendo de uma compressão subjetiva (alienação da sua sexualidade também). Ouvir de um homem é importante porque entre pares, muitas vezes o discurso é de reforço,  de estímulo e até policiamento.  Ler o que teu lugar de negro militante manifesta é inquestionavelmente próprio,  ético e  orgânico - são essas as bandeiras que eu já te vi carregando -, então, muito obrigada por estar muitas vezes na trincheira com coragem de ser até agredido, de diversas formas. Uma das violências simbólicas mais destrutivas produzidas contra negras e negros a hipersexualização de seus corpos, o estupro moralizado pela desumanização das etnias africanas e a limitação das qualidades aos "atributos" de aparência que é um nojo praticado pela indústria cosmética e da medicina estética. Absurdos de um fascismo DESGRAÇADO que nos comanda pela necropolítica ou neoliberalismo radicalizado. Como és CISgênero essa pauta te coloca no fronte com todes que são explorades, OBJETIFICADOS feitos de produtos para a venda na prateleira do CONSUMO "afetivo" que destrói muitos sonhos, oportunidades e fecha as portas, colocando transgeres em uma classe INUMANA. O que é ANTES DE TUDO uma derrota para a humanidade. É um posicionamento francamente feminista assim como o meu. Não tenho nada a me opor. MUITO OBRIGADA pela sua manifestação. ♀️💜

terça-feira, 27 de abril de 2021

😔

Não foram as bruxas que queimaram. 
Foram mulheres!
Mulheres que eram vistas como:
Muito bonitas,
Muito cultas e inteligentes,
Porque tinham água no poço, uma bela plantação (sim, sério),
Que tinham uma marca de nascença,
Mulheres que eram muito habilidosas com fitoterapia,
Muito altas,
Muito quietas,
Muito ruivas,
Mulheres que tinham uma forte conexão com a natureza,
Mulheres que dançavam,
Mulheres que cantavam,
ou qualquer outra coisa, realmente.
Qualquer mulher estava em risco de ser queimada nos anos 1600. 
Mulheres eram jogadas na água e se podiam flutuar, eram culpadas e executadas. Se elas afundassem e se afogassem, eram inocentes.
Mulheres foram jogadas de penhascos.
As mulheres eram colocadas em buracos profundos no chão.
Por que escrevo isso? 
Porque conhecer nossa história é importante quando estamos construindo um novo mundo.
Quando estamos fazendo o trabalho de cura de nossas linhagens e como mulheres.
Para dar voz às mulheres que foram massacradas, para dar-lhes reparação e uma chance de paz.
Não foram as bruxas que queimaram.
Foram mulheres...😔

Texto de Fia Forsström

pátria pútrida, burocrática, patriarcal: brasil da fome, do lado, da morte e do genocida

Essa informação é fato. E também absolutamente triste, porque conforme a produtividade em atividades remotas os alunos podem ficar SEM O VALOR de R$80,00 que recebem O QUE JÁ É DRAMÁTICO,  honestamente.

Quando eu falo em desigualdade social na escola, eu estou apontando essa realidade de abismo entre escola e comunidade, porque dentro das próprias  escolas A DESIGUALDADE ENTRE os indivíduos é um abismo. Por isso que  mesmo o CANCELAMENTO do vale alimentação deveria ser REPENSADO.

Eu tenho vários relatos de pessoas (alunos) que  tiveram ALIMENTAÇÃO na mesa por causa desse vale, o que do contrário seria FOME. Fome.

Outro ponto que concordo plenamente com sua fala, professor,  é de que o cancelamento de matrículas pode sim prejudicar a vida escolar dos alunos - mas o que se está pensando de fato é no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) que tanto conta com as frequências,  matrículas, evasão e retenção de alunos, quanto com as notas por meio  do SAEB.

Sabemos que o SAEB traz ou tira RECURSOS das escolas por meio da redução de alunos, por exemplo.

Em meio a uma pandemia de fome, a um holocausto de injustas mortes, a uma letalidade revoltante de um VÍRUS com vacina pronta já em todo o mundo... o governo pode sim FAZER UMA GRANDE MERDA - perdão pela indignação que está expressa na palavra.

Não se pode pensar  apenas pelo lado de conteúdo (produção teórica), nem pelo lado de referência,  estatísticas de alunos e demais aspectos...
 É OBRIGATÓRIO que se pense EM VIDAS, EM SAÚDE,  EM COMIDA e,  sem dúvida,  por tudo isso EM EDUCAÇÃO de modo MUITO, MAS MUITO MESMO ALÉM DE CONTEÚDO. 

Educação é também um exercício POLÍTICO contra o genocídio,  a fome e o descaso com a humanidade da gente.

Por isso, é indispensável se pensar em MUITAS partes que compõem a ESCOLA PÚBLICA  como lugar de educação como direito fundamental (humano) e constitucional. Perdão por todas as redundâncias,  indispensáveis,  para a clareza e a seriedade do que se trata.

Nenhum aluno SEM O VALE, deveria ser a meta máxima. 

Nenhum trabalhador da escola sem a vacina, primordialmente,  para que o ensino híbrido seja possível.

Nenhuma vida a menos, poderia ser a nossa maior luta nesse momento.

Quando a filosofia marxista se fundamenta na máxima "Trabalhadores do mundo uni-vos!", trabalhadores SOMOS TODOS NÓS MESMO quem não possui sequer um diploma na mão.

Somos nós o chão que deveria cuidado antes de TODO esse desmonte.

Eu sou plenamente CONTRA qualquer medida antidemocrática, anticonstitucional e desumana.

Minha ética feminista, educadora freireana e EMANCIPATÓRIA - porque sou a favor de medidas HUMANITÁRIAS para lutar na pandemia - me definem.

Obrigada pela sua contribuição. 

Sou plenamente a favor da sua manifestação.


Professora Hilda Freitas

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Escola NÃO é depósito de gente

Escola NÃO é depósito de gente.
Aluno não está na escola para "deixar os pais trabalharem em paz", enquanto outras pessoas CUIDAM e CRIAM seus filhos.
Educação INSTITUCIONAL,  escolarização, NÃO É MERCADORIA que se COMPRA, CONSOME ou se GANHA de bônus em escolas.
Escola é um direito como vida, saúde, transporte, segurança e cultura. TODOS os direitos estão SUSPENSOS de forma instável desde que a "gripezinha" chegou no brasil e foi IGNORADA por  um governo federal OMISSO.
Sabem por que as escolas públicas estão fechadas para aulas presenciais? 
Porque ATÉ RESPIRAR e COMER está DIFÍCIL no país das porcarias, da corrupção,  do presidente GENOCIDA,  da família de milícias espalhadas em todas as esferas governamentais. 
Se alguém acha que ENCHER escolas de alunos e abrir suas portas para atendimento normal é URGENTE,  POR CERTO ainda não se percebeu O NÚMERO de PESSOAS PEDINDO COMIDA nas portas, implorando com  fome por EMPREGO.
Essa situação está se prolongando porque NÃO HÁ GESTÃO FEDERAL, mas dinheiro SENDO ROUBADO e usado como se fosse a impunidade a ÚNICA certeza. 
Não é a escola fechada que MATA TODO DIAS MAIS DE 3 MIL brasileiros.
Não foram profesores, diretores, coordenadores, porteiros, servidores técnicos, administrativos e operacionais  que MATARAM INJUSTAMENTE quase 400 MIL brasileiros já. 
Quem matou?
Quem destruiu seus empregos?
Quem faliu pequenos empresários?
Quem disse que vacina NÃO ERA SOLUÇÃO?
Quem MINIMIZOU o poder de MORTE de um VÍRUS letal NO MUNDO INTEIRO dizendo que aqui isso não aconteceria?

Deixem esse genocida PRESIDENTE e vejam mais entre nós CAIREM.

A culpa é do vagabundo que não aceitou acordos para VACINAR COM RAPIDEZ NOSSA GENTE desde o ano passado. 
A culpa é do maldito que RI,  que faz PIADA, que xinga A POPULAÇÃO destruída,  que NÃO RESPEITA A NOSSA DOR, o nosso luto.

Antes de matarem mais  pessoas, EXPULSSEM ESSE CRIMINOSO da cadeira mais importante do que resta de república FRACASSADA nesse país.

#ForaBol卐onaroGenocida 

#ForaBolsonaro 

#EleNao 

#fascistasnãopassarão 

#ForaBolsonaroeSuaQuadrilha

terça-feira, 20 de abril de 2021

sapiens, sensibilidade, ppercepção (?), humanidade... entre Hannah e Eichiman ...do humanismo ao fascismo radicalizado o continuum histórico da civilização democrática (?) em pedaços

Acho bem intrigante  a visão incomum da Hannah Arendt ao descrever esse "elemento" humano em Eichiman que,  por isso mesmo, está contido nela,  tal como em  qualquer outro,  como eu ou você, por exemplo. No olhar dos que lerem abismados a análise  que Arendt propôs,  a visão da banalidade refletida - sim! Sim, os que acham que Arendt "perdoa" Eichiman ao lhe declarar humano apesar do nazismo dele,  padecem do mesmo que ele.  O fascismo nessa visão estarrecedora da filósofa é um estranhar a humanidade do outro a ponto de destruí-la ou invisiblizá-la, apagar a humanidade do outro. Desumanizar outrem. Um mecanismo impossível aos que sentem a humanidade em si e nos demais. Sensibilidade (sapiens), a substância TAMBÉM humana, comum a qualquer um de nós que transborda em Hannah   diferencia a sua postura ética, política e  histórica diante de Eichiman.  Ela possui sensibilidade enquanto ele...fascismo.

domingo, 18 de abril de 2021

privilégio de estar em casa, vivo.

Ficar em casa não é uma escolha, infelizmente.  Quando é uma decisão, mesmo assim pode ser compulsória...vemos tanto isso em relação às pessoas que precisam trabalhar fora de casa. Então, o nosso privilégio está nessa incapacidade de escolha, pois nós é proporcionado o ficar em casa, enquanto que não há esse direito para todos. Aqueles que têm minimamente o poder de decisão real de impacto coletivo permitem ou não permitem. É adoecedor viver em um país com a desigualdade social brutal que nos assaltou desde o golpe de 2016. É contínua e irreversível a construção da miséria de milhões de pessoas,  a de milhares e a empobrecimento cruel da esmagadora maioria. Por tudo isso, é doloroso demais reconhecer esse privilégio, é frustrante saber ainda que não temos nem como mudar de modo abrupto, nem imediato esse caos. Nossa luta vai ser de formiguinhas, de andorinhas no incêndio.  Porém,  o que nos dá esperança é que em nós a coragem não falta, a generosidade não perde o brilho e a união  é um instrumento progressivo de revolução. Estamos juntas com muitos companheiros que não perdem a certeza de que lutar vale a pena. Lutar vale a vida, vale o mundo. Lutar, esperançar e seguir, nossos  verbos. NÃO RECUAREMOS. "É preciso estar atento e forte!"

sábado, 17 de abril de 2021

filosofia percepcional

SINTO, LOGO EXISTO: A FILOSOFIA ESTÉTICA DE MERLEAU-PONTY

Tradicionalmente, a filosofia ocidental considera a percepção como mera coadjuvante do conhecimento humano, em alguns casos, ela até atrapalha na busca da “verdade”. Cartesianamente, os sentidos seriam fontes do engano, do erro de avaliação, da ilusão sobre o dado empírico. É por isso que a cultura filosófica ocidental será direcionada para a atividade intelectual, cognitiva, racional, desprezando a percepção e a sensibilidade. Não é assim com Merleau-Ponty. 

O filósofo francês Maurice Merleau-Ponty nasceu em 1908 e faleceu em 1961. Ponty foi um homem da esquerda marxista francesa (que depois irá se afastar, incluindo uma briga com Sartre) e foi chamado de “existencialista cristão” (ele era católico). As suas reflexões são interessantíssimas para uma visão espiritual da vida, para a centralidade da experiência do corpo e para a arte. 

Sua obra central é “A fenomenologia da percepção” onde “critica a psicologia clássica, a fisiologia mecanicista e o cogito racionalista de Descartes por meio do retorno ao fenômeno da percepção segundo a perspectiva fenomenológica. Para o filósofo, perceber não é uma pura sensação e nem tampouco um julgamento intelectual, mas a experiência de se dirigir, intencionalmente, ao mundo pelo corpo.”

Neste livrinho, escrito pelo psicanalista e filósofo brasileiro Iraquitan de Oliveira Caminha (“10 lições sobre Merleau-Ponty”. Petrópolis, RJ : Vozes, 2019), quero destacar alguns pontos que me parecem centrais:

1- Desinflar o ego cartesiano e retomar a postura do não-saber e do espanto diante do mundo. Diz Caminha:

“Para o pensador francês, há uma impossibilidade radical de o filósofo alcançar qualquer tipo de superação definitiva das contradições humanas. Ele deve sempre adotar a postura do não-saber.”

Não se trata de um elogio da ignorância, mas de compreender “o papel do filósofo” como aquele que deve “oscilar entre a ignorância e o saber”.

2- A filosofia é uma obra inacabada e não uma sistematização de verdade totais sobre o mundo. Para Ponty, “o incessante recomeçar da tarefa filosófica é a expressão de renúncia a toda cristalização do pensar num sistema acabado e fechado. Tal perspectiva de compreensão da Filosofia como inacabada é derivada da concepção de que o real é sempre percebido e que não há percepção sem mundo. A percepção é a experiência originária de se dirigir para o mundo, que renova constantemente o pensamento filosófico. Nesse sentido, a Filosofia é considerada, por Merleau- Ponty, como a perpétua experiência de reaprender a ver o mundo.”

3- O mundo é o que percebo e o que percebo é o mundo, portanto, cada sujeito vive dentro de uma experiência de mundo que lhe é peculiar, mas não fechada, nem incomunicável. Nessa perspectiva, “não devemos nos perguntar se nós percebemos realmente um mundo; devemos dizer ao contrário: o mundo é isto que nós percebemos” (MERLEAU-PONTY, 1992a, p. XI). A percepção nos dá, assim, um saber primordial que fundamenta para sempre nosso poder de reconhecer a existência do mundo como uma evidência de fato independentemente de esclarecimentos anteriores ou posteriores.” 

Segundo Merleau-Ponty “o que é dado não é a coisa só, mas a experiência da coisa”. Sendo uma experiência — e não um dado objetivo, exterior e inquestionável — não podemos cair na ingenuidade de achar que a percepção é algo “puro”, “desinteressado”, “neutro”, “isento” ou não ideológico. Porque não existe experiência perceptiva pura, pois nossa percepção não é uma vivência desinteressada, pois “para que percebamos as coisas, precisamos “vivê-las”” e ao vivê-las ao deu a estas experiências as cores, os sabores, os sentimentos e os valores e as crenças que me habitam corporalmente. 

4- E o que é o corpo para Merleau-Ponty? 

Dito de forma simples e direta, o corpo é a nossa totalidade. Ponty tentará fugir do dualismo cartesiano que marca a nossa percepção de corpo como algo dividido (corpo e alma, matéria e espírito, corpo e consciência). Diz Caminha:

“Quando Merleau-Ponty se refere ao corpo próprio ou vivido, está bem claro que não é o corpo considerado de maneira totalmente objetiva, sempre visto como um dado em terceira pessoa, quer dizer, como um “ele é” coisificado (Körper). Isso significa que o corpo não é uma coisa material, de natureza inanimada, ou associada a uma consciência separada de uma vida sensível. O corpo próprio é, para Merleau-Ponty, uma existência indivisa que nós vivemos como uma vida que sempre nos pertence (Leib). Devemos notar que, quando Merleau-Ponty se refere ao corpo, enquanto percebido, ele o considera como fenomenal, cujo modo de ser para nós não passa pelo mundo objetivo considerado em si. O corpo que nós vivemos não é um objeto transparente, que se introduz em nosso campo de visão como um objeto exterior, mas, essencialmente, uma vida que assumimos como uma estrutura sempre presente em todas as nossas ações.”

5- E como este “eu-corpo” percebe o mundo? 

“Segundo Merleau-Ponty, “a filosofia não é o reflexo de uma verdade prévia, mas, como a arte, a realização de uma verdade” (MERLEAU-PONTY, 1992a, p. XV). Não obstante, essa verdade encontra sempre nosso mundo, onde já há uma “razão preexistente”. Isso quer dizer que o único “logos que preexiste” é o próprio mundo. No fundo, a perspectiva filosófica de Merleau-Ponty é de mostrar que, de um lado, está certa a premissa de que para descobrir uma paisagem escondida atrás de uma colina, nosso olhar precisa encontrar um lugar que dê acesso ao aparecer de tal espetáculo, mas, de outro, é incontestável que essa paisagem não apareceria ao nosso olhar se já não estivesse presente no mundo percebido. Aquele que percebe não é uma consciência que ordena uma matéria sensível da qual ela possuiria a “lei ideal” das formas percebidas. Nesse sentido, a experiência perceptiva comporta, por princípio, a contradição da imanência e da transcendência. Portanto, a percepção é, ao mesmo tempo, vivida por aquele que vê e a expressão do mundo que se mostra. É por essa razão que Merleau-Ponty (1992a) afirma que o mundo é mais velho do que a consciência.”

Antes de nossa percepção de mundo, existe um mundo, um logos que é anterior a nós. A experiência da percepção não é algo objetivo e asséptico como no empirismo e nem é uma experiência universal e “desencarnada” conduzida pelo cogito, pelo intelecto humano. A experiência da percepção, deste eu-corpo, é um todo complexo, é uma experiência da verdade — e não a verdade em sentido absoluto —, é um encontro e, digo eu, uma construção social.

Ao perceber o mundo eu sinto, ao sentir sou afetado e afetado pelo que sinto e percebo do mundo, vivo uma experiência que é corporal e que envolve minhas intenções, meus desejos, não sendo eu mero objeto passivo. Somos então sujeitos de percepção. Caminha explica:

“Sentir não é, para Merleau-Ponty, apenas uma reação motora passiva aos estímulos do ambiente. É bem verdade que toda sensação é sempre de alguma coisa. Logo, só posso dizer que sinto o vermelho porque sou afetado por essa cor. Todavia, essa cor só se define como uma cor identificável por meio de uma série aberta de experiências possíveis operadas por um corpo que se faz sujeito no ato de sentir. Aquele que percebe é antes de tudo um ser de potência ou de possibilidades. Nasce aqui uma questão que é da ordem do uso do corpo, problema típico do mundo humano. Se fossemos máquinas que registram e decodificam informações sensíveis, não precisaríamos colocar o problema do sujeito da percepção.”

6- A carne como superação do dualismo cartesiano de corpo/mente.

Este é um dos alvos da filosofia de Merleau-Ponty. Desfazer-se de nosso passado dualista, mas o dualismo persiste. Ponty  fala de um corpo que é físico e psíquico ou physis e psyque. De um eu-corpo que é natureza e cultura. Mas como manter isso unido?

É quando Merleau-Ponty desenvolve o conceito de carne — inspiração católica? — para falar em totalidade corpórea, experiência impossível de delimitar fornteiras dualistas, posto que physis e psyque (natureza e cultura, sujeito e objeto) são uma única coisa: carne. 

“É pelo conceito de carne que Merleau-Ponty propõe superar a clivagem ou dicotomia sujeito/objeto, considerando a experiência originária do sentir. O filósofo adota um percurso filosófico cujo fim é uma reabilitação ontológica do sensível. Por esse caminho, ele renuncia os conceitos de sujeito e objeto como instâncias distintas. Nesse sentido, a filosofia de Merleau-Ponty não somente alcança o status de crítica, mas, sobretudo, se renova e permanece aberta. Com o conceito de carne podemos dizer que o corpo se liga ao mundo e o mundo se liga ao corpo de forma ininterrupta e antidualista. Nasce, assim, uma maneira de se pensar o corpo segundo a carne. É no Le visible et l’invisible que esse modo de pensar o sensível se realiza com todo o seu vigor. Com base nessa nova perspectiva filosófica, o corpo próprio ou o corpo-sujeito é concebido como “massa interiormente trabalhada”, que não estabelece uma fronteira nítida entre o dentro e o fora ou entre sujeito e objeto (MERLEAU-PONTY).”

7- A filosofia não pode se afastar do sensível, do sensório, da percepção. Só assim ela se manterá como atividade criativa e criadora.

“O imprevisível de uma percepção renovada nasce da certeza de que o ato de filosofar nunca pode se apartar do sensível. Talvez considerando o sensível em sua radicalidade como presença insuperável, possamos abrir novos caminhos que tragam ventos de esperança para renovar a Filosofia. “Ressensorializar” a atividade filosófica é o grande desafio de Merleau-Ponty. Tal desafio visa retirar o filosofar das repetições esquemáticas e colocá-lo no âmbito da ação criativa. No lugar de desapegar-se da percepção, o chamado aqui é para se deixar contagiar pela percepção.”

Concluindo, esta filosofia que valoriza e prioriza a percepção, o sentir humano, em detrimento de um processo histórico de hipervalorização do intelecto, do cognitivo e da razão, abre a filosofia ocidental para outros saberes como a arte, a literatura, as filosofias orientais, incluindo as experiências místicas e religiosas. É isso que, ao meu ver, faz da filosofia de Merleau-Ponty algo interessantíssimo e muito atual, mesmo não sendo a primeira formulação filosófica a fazer esse movimento de abertura para o sensível. 
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Marcio Sales Saraiva é escrevinhador.

quinta-feira, 15 de abril de 2021

psicopata de gravata, mandato público e diploma na mão

Em resumo:

- a BABÁ do menino - ASSASSINADO E TORTURADO POR UM CRIMINOSO POLÍTICO (coisa normal no brasil ) - pode ser PENALIZADA "coooomo ela deixou ISSO acontecer?" uma mente TENDENCIOSAMENTE classista se perguntaria. A babá TAMBÉM é CULPADA(?) "Condena, ela!"... mentes de um brasil que tem na presidência um genocida 

- a MÃE do Henry - namorada de um bandido ASSASSINO PSICOPATA envolvido com a escória da POLÍTICA dw miliciano no brasil - é  "CULPADA" (?) pois pensam ATÉ OS ELEITORES que colocaram esse BANDIDO pra ser vereador, filho de BANDIDO de ALTA PERICULOSIDADE no Rio, essas mentes dizem "COMO ELA NÃO CHAMOU A POLÍCIA?" Como ela não foi lá tirar satisfação com ele QUANDO a babá diz que ele ESTAVA SENDO APARENTEMENTE torturado POR ESSE MONSTRO no quarto do monstro, enquanto  a MÃE estava no shopping... sendo que a babá é clara ao dizer POR ESCRITO NA MENSAGEN DE WHATSAPP "ele esperou vc sair"

- a professora do menino, a psicóloga do menino, os avós do menino, o pai do menino, os vizinhos desse casal, a escola desse menino, TODO MUNDO é "CULPÁVEL" (?)... e eu digo mesmo: POR QUE NÃO CHAMARAM O CONSELHO TUTELAR??????????????

- mas, enfim, SÓ TEM 1 DIABO que ninguém CONSEGUE APONTAR como tal, criminoso, político corrupto, envolvido com poderes PARALELOS de tráfico a contrabando de armas.... ESSE IMUNDO PSICOPATA... ELE "coitadinho" ... FOI ELEITO VERADOR, vem de uma referência PATERNA escória da POLÍTICA envolvida com corrupção e milícia - UMA DAS MAIS PODEROSAS MILÍCIAS DO brasil -. PORÉM,  exatamente ele, lógico,  que não estaria AMEAÇANDO,  coagindo, VIGIANDO com seus CAPANGAS ninguém.... né? 

Até o ADVOGADO DESSE  DIABO está sendo investigado...

O diabo pediu "INTERFERÊNCIA " por amizade da parte do ATUAL GOVERNADOR INTERINO do Rio de Janeiro...

Porém, CULPADAS e culpados pela morte do menino HENRY há muitos, muitas justificativas. 

Eu quero ver quem vai ter ÉTICA,  JUSTIÇA e humanidade PARA CONDENAR o crime organizado em pessoa que já tem AUTORIA comprovada nesse crime.

terça-feira, 13 de abril de 2021

professores

Boa noite, meus amigos.  Estou aqui para compartilhar  dessa angústia generalizada dos professores no nosso país. 
Nenhum lugar  no Brasil tem, hoje, alguma segurança para a complexidade da qual a educação - como direito humano - necessita. Está absolutamente enlouquecendo , adoecedor e hostil. Infelizmente,  somos uma das classes mais DETERIORADAS com a pandemia. Nossa função social, em nosso país,  ESTÁ TOTALMENTE destruída.
Nós como profissionais estamos EXAUSTOS principalmente em nossas mentes, nosso centro de trabalho contínuo. 
Parece que a meta do neofascismo instalado nesse DESgoverno federal atingiu MUITOS DOS SEUS OBJETIVOS, pois ser professor hoje parece estar na trincheira da guerra para morrer primeiro. Mortes são também simbólicas... estamos AMIUDADOS, comprimidos... seria um holocausto o nosso destino? Me parece que sim. 
Qual é o nosso papel nessas burocracias?????
A mim, só me vem UMA RESPOSTA: sobreviver. 
Apenas precisamos continuar vivos, porque o objetivo é a nossa morte.
Que sejamos imortalidade de resistência pela dignidade de ensino, pela esperança dos nossos sonhos (delírios?). Que sejamos,  ainda que nos esvaziem as forças, CACTOS no sertão da humanidade. 
Como fazemos isso?
Nunca deixemos de acreditar que somos SOBRETUDO profesores porque o país, em que nascemos e estamos, é uma terra onde se tenta destruir tudo que há de humano na gente. Mas, gente é também ideias,  pensamentos,  até desvarios... e os loucos tem em si uma humanidade demasiada...que para nós hoje é a única bateria para recarregar a realidade insana que sequestrou anos da nossa história.

A luta é estar vivo

Leonardo Vilar acho que mobilizar nas ruas não seria uma boa estratégia, principalmente porque somos os primeiros a defender lockdown de fato, distanciamento,  isolamento estratégico e demais exigências sanitárias TÃO indispensáveis,  meu amigo. E,  CONCORDO COMPLETAMENTE, com o seu desejo latente de invadir as ruas do país que parece que está sendo mesmo ROUBADO das nossas mãos,  enquanto parecemos ver inertes. Mas não pense que é inércia,  porque  neste momento é posição até espacial. O que os fascistas, demais inimigos da humanidade,  que se apresentam no nosso cotidiano estão fazendo é ROMPER barreiras SANITÁRIAS e prescrições de saúde pública para chamar uma negação e um suicídio/genocídio generalizados. TEMOS QUE APRENDER NOOOOOOOVAS TÉCNICAS . Nunca foi preciso aprender com eles a lutar. Nossa luta é autêntica, é contemporâneo, é historicamente NOSSA. Esperançar é um verbo elementar, proposto por PAULO Freire, no auge da Ditadura cívico-militar. Enquanto NOS chamam de "acomodados", as sementes estão sendo LANÇADAS,  a semeadura está regada de sangue, suor e lágrimas. Mas haverá PRIMAVERA. Não duvide. Se cuide MUITO, cuide de seus amados, de nossos camaradas de lutas e de armas.  Estarmos vivos é GUERRA! Não confunda. Viver no meio desse holocausto é luta.
A esquerda NÃO ODEIA a Tabata, NÓS ABOMINAMOS a banalidade do mal que faz dela uma ARMA DE GENOCÍDIO sutil e perfumada. SIIIIIIIIIM! EU estou DECLARANDO que a postura PÚBLICA,  a voz POLÍTICA que Tabata representa e O MANDATO DE DESSERVIÇO social que ela MANTÉM demonstram que está CLARAMENTE posicionada NA INÉRCIA da maldade que é o próprio governo do GENOCIDA.  Por tanto quanto isso, EICHIMAN criou e foi APERFEIÇOANDO a MÁQUINA de holocausto que DIZIMOU milhões de JUDEUS incinerados.  Não há como aceitar quem banalize em si o mal. O fascismo é como uma pele embaixo da roupa de "progresso". Tabata SABE EXACTAMENTE a conta que há de pagar. Escória.

sábado, 10 de abril de 2021

O feminismo não é um escudo de defesa de "mulheres ruins" ou de "qualquer mulher ". O feminismo é uma condição de que mulheres são humanas iguais a qualquer outro ser humano, portanto, defeitos e qualidades vão interagir. Porém, vem da visão feminista do mundo  a certeza de que existe o patriarcado. O patriarcado é o sistema de opressão que esmaga mulheres e quaisquer pessoas em um nível social de inferioridade, por exemplo, indígenas, outras etnias colonizadas, negros e demais povos em refúgio pelo mundo - INCLUINDO crianças,  que são alvos diretos da brutalidade desse sistema mundo a fora. No caso específico da tortura e do assassinato do menino Henry é bastante pertinente pensar que o próprio executor da criança, isto é,  o vereador miliciano Jairinho, tenha TODAS as possibilidades do mundo de usar a sua influência para manipular tanto a visão pública sobre ele, quanto para abrandar a sua pena dividindo com ela como coautora ou cúmplice, o que no processo penal geraria, na minha opinião, uma injustiça irreversível à própria memória da  vítima porque amenizaria a clara brutalidade do verdadeiro violentador e torturador dessa criança.  Sabe-se , já dentro do processo, que mesmo avós,  funcionários domésticos, professores e psicólogos estão sendo ouvidos dentro da perplexidade de INÉRCIA diante da situação. Todos se omitiram. Se você me disser que pior de todos no caso foi a mãe,  eu posso lhe garantir, o garoto estaria vivo e salvo se o CONSELHO TUTELAR tivesse sido acionado, se o pai tivesse a possibilidade de reagir diante da situação e não deixar o filho retornar.  Também não sei como o pai não percebeu que havia alguma situação difernete na saúde do filho que vinha passando por sessões de tortura. O que tudo isso significa?  A violência do Estado PATRIARCAL diante de um homem prestes destruir um alvo. Quem poderia ir contra o poderio e a influência pública do filho de um dos milicianos mais fortes do Rio de Janeiro? Eu fico pensando se não há alguma relação na execução política de Mariele Franco que venha dos mandatos claramente inescrupulosos desses homens. Então, não é sobre defender ela. Mas sobre não deixar de olhar a profundidade em que isso chega, já que se ele tiver uma pena amenizada - pela manipulação da imagem pública e das adições no processo de "supostos" vestígios de que a mãe é também culpada - um homem realmente psicopata e genocida continuará seu mandato, com vistas a reeleição.  Pode ter certeza.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

A relação que mulheres têm com a "performance de inutilidade" é exclusivamente a de serem submetidas, só.  Não há parte, parcela, metade. Não há.  Homens podem rever seus própria conceitos de vida, pois é o nome desses "deuses" que se encontra ATÉ no OLIMPO da ciência.  Então, mulheres não são nem " em parte" responsáveis. NÓS somos CONDENADAS à exploração por causa disso. Dá pra pensar que "são as mulheres de criam, cuidam, ensinam aos homens a serem quem são "? CLARO que não! Não mesmo. Esse sistema CHAMADO PATRIARCADO condena mulheres a "fantasias de privilégios " e coloca os homens no topo do poder, assim como seus pares - isto é,  todos (até mulheres) que se mantém ou que colaboram para essa manutenção. Mas não podemos dizer que há uma generalidade de mulheres "parcialmente " culpadas. Não há.  Mas há um imenso poder político, econômico,  midiático e cultural reforçando  isso.  Como vamos mudar essa "realidade"? Em primeiro lugar, TIRANDO das nossas costas os  homens que carregamos. Em segundo lugar, PARANDO de nos sentirmos as culpadas que devem (através do feminismo???????🤨) mudar a atitude,  a mentalidade e a sistemática patriarcal de toda UMA SOCIEDADE.  Em terceiro lugar, se amar, se cuidar, se escutar, se rebelar, se comprometer consigo,  se proteger, se respeitar , ser a primeira a LUTAR POR SI MESMA - o que aqui é um sentido mais amplo: lutar em si por todas. Jamais NUNCA JAAAAAAAAAAMAIS devemos ser RESPONSABILIZADAS por EDUCAR MACHO, escutar as dores da sua masculinidade tóxica ou repercutir os discursos em que eles sejam o centro, com seus exemplos ESCROTOS , suas metodologias científicas MEDÍOCRES OU suas URGÊNCIAS em.mudar para que consigam conviver bem.conosco. SÓ essas pequeninas 3 certezas, MATAM O LEÃO e fazem com que sejamos AO MÍNIMO menos DESTRUÍDAS,  ESMAGADAS e CULPABILIZADAS em nossas subjetividades, que são a nossa própria forma de  viver.  Então, só quero REFORÇAR,  acabar com o patriarcado não significa UMA MULHER PEGAR A LUTA PARA SI E dizer aqui em casa eu vou fazer diferente com ele, ele assim poderá aprender.... NÃO! NÃO! NÃO! Isso é blábláblá de uma tendência liberal que coloca AINDA o homem no centro, até DAS DEMANDAS FEMINISTAS, DAS DEMANDAS de mulheres. Isso não dá. Comecemos por nos cuidar, nos amar, nos ler...se isso afastar homens que talvez se tornassem namorados, maridos ou integrante de uma pseudo situação "amorosa" conosco ...quer dizer BEM CLARAMENTE: talvez você não PRECISA da parceria afetiva romantizada de ninguém. Primeiro,  CUIDE-SE e não deixe te CONDENAREM a escravização patriarcal.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Quer saber do que um vereador bolsonarista, cidadão de bem, defensor da família e dos bons costumes é capaz? Vamos ao caso de Jairo Souza Santos Junior, o Dr. Jairinho, médico e vereador eleito pelo partido Solidariedade no Rio de Janeiro.

“O foco de seu mandato está na restituição da dignidade ao cidadão pelo atendimento do poder público no quesito saúde, sem deixar de pensar na educação dos jovens. De espírito empreendedor, apoia as iniciativas que buscam a melhoria da qualidade de vida da população”, diz o seu perfil no site da Câmara.

Curiosamente, ele compõe o Conselho de Ética da Câmara de Vereadores do Rio. É suspeito de ter agredido e matado o enteado Henry Borel, de 4 anos, e foi preso junto com a mãe da criança, Monique Medeiros, por atrapalhar as investigações e ameaçar testemunhas.

Ao analisar o corpo da criança, a perícia constatou múltiplos hematomas no abdômen e nos membros superiores; infiltração hemorrágica na região frontal do crânio e nas partes lateral e posterior da cabeça; edemas no encéfalo; grande quantidade de sangue no abdômen; contusão no rim à direita; trauma com contusão pulmonar; laceração do fígado e hemorragia retroperitoneal.

É estarrecedor imaginar o sofrimento que essa criança passou, seguimos esperando que a justiça seja feita!!! Meus sentimentos aos familiares e amigos!!!
Isack Reis vc está dizendo que os dois são psicopatas,  certo? Eu não concordo. Para mim, quem é o violentador, torturador e o assassino dessa crianças é o PSICOPATA vereador Jairinho que TEM muitas outras condutas da mesma espécie MALDOSA,  ELE É um maldito assassino sim! Um psicopata não como os que se pensa em "TRATAR" ele é UM PREDADOR que alcançou nesse garoto e na mãe A OPORTUNIDADE DE SER o pior que conseguiu.  Ele é cruel. Está PROVADO que é TORTURADOR,  ASSASSINO. Mas todos ainda se questionam " Mas porque a mãe é pior...por que a ela não salvou o filho???" Me diga...esse MONSTRO é um PSICOPATA sabe qual a possibilidade de uma pessoa (mãe, babá,  ou quem quer que seja) lidarem com ele. Nenhuma. O pai  dessa criança TAMBÉM não teve culpa, mesmo tendo mostrado uma conversa em que a mãe do filho diz COM TODAS AS LETRAS que seria MAIS UMA NOITE DIFÍCIL porque o menino chorava e NEM QUERIA VOLTAR DA CASA  DO PAI.  Por que o PAI  DEIXOU o filho ir????? Por que não se questionou ???? Se há uma conivência COMPULSÓRIA,  uma coautoria CULPOSA dessa mãe que ela SEJA PUNIDA. MAS EU ESPERO QUE ESSE DEMÔNIO psicopata PEGUE TOOOOOOOOOODOS os anos de cadeia, VÁ PARA UM SANATÓRIO e NUNCA MAIS VOLTE AO CONVÍVIO SOCIAL ele é um predador de gente e ASSASSINO TORTURADOR DE CRIANÇA. 

um perverso infanticida em ação ?


Dizer que a mãe do Henry, menino ASSASSINADO, foi ao salão friamente um dia depois da morte dele, é claramente uma tentativa  de ESCONDER a MONSTRUOSIDADE  do padastro, o assassino e manipulador de toda essa crueldade. Ele é VIOLENTO REINCIDENTE contra crianças, tendo nas mães as iscas para seus alvos, crianças.
depende muito do que está por trás. Esse tipo de assassino usa todo o seu aparato de coação,  por exemplo, ele pode estar dizendo que para ele será muito mais branda a penalização, já que para todos os efeitos ela é cúmplice. O que eu fico imaginando é como, no outro relacionamento que ela tinha com o pai da Henry, ela não teria dado ao menos indícios de que era a favor de agressão em relação ao filho? Isto é,  por que ela se colocou em uma situação tão manipulável na relação em que segue sendo ao menos aparentemente submissa? Isso pode estar relacionado ao fato de que as outras mulheres e demais testemunhas, que já estão dentro do processo como vestígios da personalidade violenta do (ainda) suspeito, tiveram dificuldades e até medo mesmo de dar depoimentos. No mínimo, esse suposto investigado,  possui uma personalidade altamente perigosa, manipuladora e ameaçadora, o que em determinado contexto pode ajudar no aparente consentimento ou até "autorização " que se está tentando  colocar na mãe enquanto isso será,  claramente, uma proposta de negociação da defesa do acusado para fins de abrandamento de pena. Infelizmente,  em termos jurídicos mesmo, a mãe teve indiscutivelmente conivência,  mesmo que psicologicamente induzida.  Porém, o assassino é,  ao que se percebe, um reincidente em relação à agressão de crianças,  que não estará nem constrangido se precisar fazer tal ação mais uma vez. Ele já dava indícios - segundo outras pessoas que já tiveram relacionamento com ele - de que possui um comportamento perigoso em relação às crianças. Por isso que eu acredito que ele seja um verdadeiro covarde, inescrupuloso.

domingo, 4 de abril de 2021

Um pequeno segredo de zaratustra: o ultra-homem não pode ser deus, nem por um dia.

Um prazer fantasiado de "sofrimento", conhecido como sadismo, é uma característica (não doença) em algumas pessoas,  o que não tem nenhuma justificativa inata... Esse é o sadismo de caráter,  de maldade mesmo e de ausência de humanidade em si. Às almas miseráveis que se agigantaram, se mostraram como uma monstruosa forma de atitude nesse vergonhoso brasil (paupérrimo em cidadania), apenas uma justeza de sentença se sabe: da mesma desumanidade que se veste o outro, será vestido a si mesmo. O genocídio à fascista é como um suicídio em um duelo de roleta russa no qual a primeira bala não mata o outro, mas atinge em cheio a própria cabeça - embora o prazer em imaginar que seria o outro o alvo destruído encha a mente de delírio. O delírio de ao avesso de um deus que cria, se sentir tão poderoso a ponto de ser o não deus que extirpa.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

mono poli homo hetero gamia... o sexual e o amor no humano histórico

eu não consegui dizer que faz parte de uma das possibilidades das naturezas do sexual humano tão rico e plural em trânsito histórico. Eu penso , mas de maneira muito minha, que não há uma só definição como ser monogâmico ou ser polígamo... penso que ao longo da nossa vivência sexual as possibilidades acontecem naturalmente,  em determinados momentos sendo mais um do que outro... como se fosse um continuum na jornada pessoal e não categorias fechadas que conseguem nos identificar.  Então, é  como se, para mim, não se pode chamar uma pessoa de monogâmica ou poligâmica porque ao longo da experiência de relações afetivo-sexuais foram vivenciados momentos mais monogâmigos ou mais poligâmicos. A homogamia, relação entre pessoas de uma mesma comunidade ou até família,  por exemplo, é compulsória em alguns grupos étnicos, como judeus e também comunidades tribais (o que é identitário). Já a heterogamia é a realidade mais comum nas relações ocidentalizadas. Porém, não se pode tomar como definição ou rótulo, porque deveríamos ter o direito de experienciar as possibilidades sem passar pelo aval ou pelo silenciamento (até sufocamento) da opinião pública,  sobre uma situação que deveria  ser mais íntima no sentido autodescoberta mesmo. O que amei na tua postagens, como sempre, é a voz de construção de diálogos que você SEMPRE nos propõe.  Você é, para mim, uma voz de abertura e emancipação. Eu só te agradeço por me acolher nesse caminho, onde tua sabedoria nos banha... te sinto sempre  como um rio gigantesco sobre mim. Mulheres que tô morrendo de saudade do teu abraço abrigo. Obrigada por promover esse debate incrível. Para mim, é oportunidade de estar entre pares.
Eu tenho uma visão muito minha sobre esse assunto.  Queria muito compartilhar porque acho que nessa postagem o essencial é o que não se pode mais ser calado, silenciado e apagado mesmo. Infelizmente,  a experiência histórica precisa ser considerada sobre a interrelação pessoal afetiva, mesmo também esses termos sendo aparentemente repetitivos colocados assim. Então, o que se faz necessário para mim sobre isso é que monogamia, poligamia, heterogamia e homogamia são possibilidades na nossa jornada particular. Eu vejo mesmo que ser ou não ser mono, poli, homo, heterogâmico são estados transitórios,  mesmo não sendo legitimados assim, por isso seja bem mais definida a monogamia nesse formato patriarcal de civilização em que nos encontramos.  Porém, mesmo a monogamia  precisa ser olhada com certa atenção porque faz parte da natureza sexual  da gente; muito embora seja a versão  artificial patriarcal de violência corpórea de monogamia como monopólio (exclusiva sexualidade com um par predefinido, como o casamento  heterossexual teoricamente seria), a versão posta como única. Monogamia não é monopólio em si, mas monopólio é a parte de controle sexual feminino mais exercida pela mentalidade civilizatória centrada no binarismo machológico e, por tudo isso, machocêntrico. Isso não é estritamente sobre homens que impõe uma dominação  sobre mulheres, mas sobre a concepção  de mulher como objeto para o homem que assim, no capitalismo e no liberalismo, se torna o seu proprietário, com o aval político institucional da microfísica do poder patriarcal que entra em nossas casas, tranca os armários em que nos escondemos e rouba o lençol na hora da sessão de autoconhecimento.

Monogamia não é monopólio

Eu tenho uma visão muito minha sobre esse assunto.  Queria muito compartilhar porque acho que nessa postagem o essencial é o que não se pode mais ser calado, silenciado e apagado mesmo. Infelizmente,  a experiência histórica precisa ser considerada sobre a interrelação pessoal afetiva, mesmo também esses termos sendo aparentemente repetitivos colocados assim. Então, o que se faz necessário para mim sobre isso é que monogamia, poligamia, heterogamia e homogamia são possibilidades na nossa jornada particular. Eu vejo mesmo que ser ou não ser mono, poli, homo, heterogâmico são estados transitórios,  mesmo não sendo legitimados assim, por isso seja bem mais definida a monogamia nesse formato patriarcal de civilização em que nos encontramos.  Porém, mesmo a monogamia  precisa ser olhada com certa atenção porque faz parte da natureza sexual  da gente; muito embora seja a versão  artificial patriarcal de violência corpórea de monogamia como monopólio (exclusiva sexualidade com um par predefinido, como o casamento  heterossexual teoricamente seria), a versão posta como única. Monogamia não é monopólio em si, mas monopólio é a parte de controle sexual feminino mais exercida pela mentalidade civilizatória centrada no binarismo machológico e, por tudo isso, machocêntrico. Isso não é estritamente sobre homens que impõe uma dominação  sobre mulheres, mas sobre a concepção  de mulher como objeto para o homem que assim, no capitalismo e no liberalismo, se torna o seu proprietário, com o aval político institucional da microfísica do poder patriarcal que entra em nossas casas, tranca os armários em que nos escondemos e rouba o lençol na hora da sessão de autoconhecimento.

quarta-feira, 31 de março de 2021

Eu tenho uma visão muito minha sobre esse assunto.  Queria muito compartilhar porque acho que nessa postagem o essencial é o que não se pode mais ser calado, silenciado e apagado mesmo. Infelizmente,  a experiência histórica precisa ser considerada sobre a interrelação pessoal afetiva, mesmo também esses termos sendo aparentemente repetitivos colocados assim. Então, o que se faz necessário para mim sobre isso é que monogamia, poligamia, heterogamia e homogamia são possibilidades na nossa jornada particular. Eu vejo mesmo que ser ou não ser mono, poli, homo, heterogâmico são estados transitórios,  mesmo não sendo legitimados assim, por isso seja bem mais definida a monogamia nesse formato patriarcal de civilização em que nos encontramos.  Porém, mesmo a monogamia  precisa ser olhada com certa atenção porque faz parte da natureza sexual  da gente; muito embora seja a versão  artificial patriarcal de violência corpórea de monogamia como monopólio (exclusiva sexualidade com um par predefinido, como o casamento  heterossexual teoricamente seria), a versão posta como única. Monogamia não é monopólio em si, mas monopólio é a parte de controle sexual feminino mais exercida pela mentalidade civilizatória centrada no binarismo machológico e, por tudo isso, machocêntrico. Isso não é estritamente sobre homens que impõe uma dominação  sobre mulheres, mas sobre a concepção  de mulher como objeto para o homem que assim, no capitalismo e no liberalismo, se torna o seu proprietário, com o aval político institucional da microfísica do poder patriarcal que entra em nossas casas, tranca os armários em que nos escondemos e rouba o lençol na hora da sessão de autoconhecimento.

domingo, 28 de março de 2021

Conta a tradição cristã a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém. Sentado sobre um burrinho, foi saudado pela multidão em delírio. Os evangelistas narram que foi recebido por gente que estendia as suas vestes sobre o chão poeirento. As patas do burrinho pisavam os ramos das árvores espalhados para enfeitar seu caminho. Adiante dele, os devotos clamavam, entre delírio e brados de amor e fé: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! 

Menos de uma semana depois, o mesmo Jesus Cristo estava morto. Após humilhações públicas e torturas, foi crucificado – a mais degradante morte que o Império Romano destinava aos que infringiam a Lex Julia Majestatis. Horas antes fora traído, negado e abandonado pelos amigos mais próximos; vira o governador Pilatos lavar as mãos em público e a multidão preferir salvar um conhecido criminoso. Dos que o saudaram dias antes, nem sinal. Na hora decisiva, amargou plena e profunda solidão, a beber vinagre quando estava sedento, a ver suas roupas serem sorteadas entre desconhecidos. Aos pés da cruz, apenas sua mãe e alguns raríssimos amigos.

Jesus não é caso isolado na história da humanidade. Antes e depois dele, oradores, filósofos, poetas, astrônomos, imperadores e modernos cientistas desabaram da glória ao subsolo. De Julio Cesar a Bonaparte; de Hipatia de Alexandria e Alan Turing; de Sócrates a Oscar Wilde.

É do temperamento coletivo a frivolidade. As multidões mudam de opinião ao sabor das circunstâncias. Hoje, herói aplaudido; amanhã pária, candidato à negação pública. Basta uma palavra mal posta, um gesto impensado, uma contrariedade a um tirano.

Em tempo de redes sociais, o fenômeno é ainda mais rápido. Instantâneo, por vezes. É um constante perseguir de popularidade, uma permanente fixação pela ideia de ter milhares de amigos. Ilusão. Modas passam, gostos mudam, os queridinhos da vez cedem lugar aos novos e – já disse o poeta – a mão que afaga também apedreja. Ai de quem se apega.

Mais que isso. Nossas vidas, a virtual e a real, são ruidosas. Pouco permitem que desfrutemos de nossa própria companhia. Estamos sempre a nos reunir, festejar, visitar, numa sucessão de compromissos. Em todos os intervalos, celular à mão, inclusive na cama, antes de dormir. Ao acordar, lá está ele, bem ao lado, na cabeceira, com sua vertiginosa espiral de novidades e emoções. Curtir, comentar, reagir, replicar, comprar brigas, bloquear, adicionar e começar tudo outra vez. As horas escorrem rápidas e nunca estamos sós.

A quarentena impôs uma solidão nova, um obrigatório estar consigo mesmo. Mudança grande. Sem as demais atividades, restou-nos horas demais para a vida virtual. E ela cansa, consome. Por isso estranhamos. Mesmo os que estão acostumados a viver sós se inquietam.

É que farejamos o perigo. Neste terreno pantanoso do olhar para si mesmo, não há certeza da pisada. O que vemos no espelho é mistério e, vá lá, um certo medo da descoberta.

A questão que pulsa nos subterrâneos do espírito humano não é dita em voz alta: e se faltassem, em meio a tudo isso, as muletas que carregamos? Se não houvesse filmes, séries, energia elétrica, livros, parentes, amigos? Qual seria a nossa reação? Haveria algo em nós capaz de sobreviver a tal paisagem desolada sem enlouquecer de tédio, sem amargar revolta?

A resposta a essa pergunta é reveladora – e cabe a cada um, óbvio. O saber estar consigo mesmo – arte algo esquecida em meio às modernidades tão sedutoras – é essencial quando se pensa em meditação, tranquilidade da alma. A propalada mente calma nada mais é do que adaptação às circunstâncias, autocontrole, resiliência. Ela não se curva ao desespero, mesmo em meio à adversidade. Sabe que cólera, medo e paixões desenfreadas são péssimas conselheiras.

Alcançar este estado de graça é um árduo e longo caminho. Exige treinamento, perseverança, disposição. E, se há de começá-lo, que seja agora, pois, creia-me, será necessário uma hora ou outra.

Neste exato instante, em hospitais do mundo inteiro, há gente isolada. Sem televisão, sem celular, sem viva alma para conversar. Nas UTIs dos mesmos hospitais, muitos morrerão sem que a mão de um ser amado se despeça ou traga conforto. Sozinhos.

Estes não escolheram a solidão. Outros a desejaram.

Sócrates morreu cercado de discípulos, mas, a rigor, estava só. Não havia ali quem estivesse em comunhão com a sua serenidade. Os discípulos estavam aflitos e ele teve de lhes dar exemplo de fidelidade às próprias ideias. Suas horas finais foram usadas para demonstrar o valor de suas teses. Não queria choro ou descontrole. Bebeu a cicuta até a última gota, sem que a mão tremesse. Na hora final, pediu que lhe cobrissem o rosto. Queria a solidão de si mesmo. Não se consegue isso de uma hora para outra.

Na história narrada nos evangelhos ocorre exatamente o mesmo. O Jesus que morre é ainda o homem que ensina, perdoa e exemplifica, apesar do corpo que se finda entre dores. Uma de suas últimas frases é emblemática: Eli, Eli, lamá sabactani (Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?). Não é um pedido de ajuda, nem reclamação. Estava apenas recitando antigo Salmo, o 22, que inicia com esta exata frase.

O poema de Davi fala de um homem desprezado, cujas vestes foram repartidas e as forças secaram. Um homem que morre sozinho e faz da finitude um instante de poética contemplação: “Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas.(…) Mas tu, Senhor, não te afastes de mim. Força minha, apressa-te em socorrer-me“.

Os instantes finais de Jesus são voltados inteiramente para si; a divindade e companhia que evoca estão nele mesmo.

O que fez não é impossível para nenhum outro ser humano. Preparar-se para isto é o desafio que hoje se põe à mesa.

Coragem, pois. Ao olhar no universo de si mesmo, pode-se descobrir galáxias e nebulosas, planetas que giram docemente, estrelas de alta magnitude. Talvez seja assim que o homem aprende a se amar e a estar feliz consigo.

***

Ilustração. Edward Hopper. Morning sun

feminista do bbb

A gente ensina MULHERES que elas SERÃO imediatamente PUNIDAS... é certeza de SÚBITA condenação...
Mas aos homens...as chances , as muitas (até infinitas) OPORTUNIDADES são a todo momento renovadas...
Notem... as mulheres que estão DENTRO do confinamento OUVIRÃO - se for a saída de MAIS UMA  MULHER - que ELAS estão SEMPRE erradas...
 Mesmo aquelas MAIS SEGURAS DE SI vão ENTENDER - pela clareza da RESPOSTA DE UM PÚBLICO - que ELAS não têm segunda, terceira, quarta,  décima, enésima CHANCE...
Mas quem sai GANHANDO mesmo...é o MACHISMO, o patriarcado e a MISOGINIA porque defendem homens CONDENANDO TODO  DIA MAIS UMA MULHER.

(essa é só a minha opinião, não é uma verdade absoluta. RESPEITO completamente visões diferentes, CONTANTO QUE não se promova o fascismo, o bolsonarismo e o genocida)

Foucault e abuso

Gente, vocês viram isso? Uma verdadeira bomba. Gravíssimo, caso se confirme. Segue o texto para quem não é assinante: 

Filósofo que exerceu grande influência sobre intelectuais contemporâneos, Michel Foucault seria um pedófilo que teria feito sexo com crianças árabes enquanto viva na Tunísia no final dos anos 1960. A bomba foi disparada pelo escritor e professor franco-americano Guy Sormon, que contou ter visitado Foucault nos arredores de Túnis à época.

A referência de Sormon aos crimes sexuais do filósofo francês, que morreu em 1984 aos 57 anos, foram publicadas este mês em seu livro "My dictionary of bullshit" e depois reiteradas pelo autor em um programa de TV. O apresentador ficou pasmo: “Você está falando de Foucault, para você um pedófilo, algo que as pessoas não costumam lembrar quando falam dele”.

Sorman, de 77 anos, disse que visitou Foucault com um grupo de amigos em uma viagem de férias de Páscoa no vilarejo de Sidi Bou Said, onde o filósofo morava em 1969. “Crianças pequenas corriam atrás de Foucault dizendo 'e eu ? me leve, me leve'”, lembrou ele em entrevista ao jornal britânico "The Sunday Times" deste domingo.

"Eles tinham oito, nove, dez anos, ele estava jogando dinheiro com eles e dizia 'Vamos nos encontrar às 22h no lugar de costume'". Este, ao que parece, era o cemitério local: "Ele faria amor lá nas lápides com meninos. A questão do consentimento nem mesmo foi levantada".

Sorman afirmou que "Foucault não teria ousado fazer isso na França", comparando-o a Paul Gauguin, o impressionista que fez sexo com meninas que pintou no Taiti, e André Gide, o romancista que perseguia meninos na África. "Há uma dimensão colonial nisso. Um imperialismo branco".

Sorman disse lamentar não ter denunciado Foucault à polícia na época ou denunciado na imprensa, chamando seu comportamento de “ignóbil” e “extremamente feio moralmente”.

Mas, acrescentou, a mídia francesa já sabia sobre o comportamento de Foucault. “Havia jornalistas presentes naquela viagem, havia muitas testemunhas, mas ninguém fazia histórias assim naquela época. Foucault foi o rei filósofo. Ele é como um deus na França."

Foucault, filho de um cirurgião, foi um dos primeiros intelectuais célebres do século XX, autor de obras que até hoje seguem como referências absolutas na academia, como "Vigiar e punir", "Microfísica do poder" e os volumes de "História da sexualidade". O filósofo também é lembrado por assinar uma petição em 1977 para legalizar o sexo com crianças de 13 anos.

A biografia mais conhecida dele, "The passion of Michel Foucault" (1993), de James Miller, descreve seu interesse pelas casas de banho gays e sadomasoquistas da América  —  ele foi uma das primeiras figuras assumidamente homossexuais na vida pública e morreu de Aids  — mas não menciona suas experiências sexuais na Tunísia.

As afirmações de Sorman surpreenderam especialistas na Grã-Bretanha, onde o último volume da história da sexualidade em quatro partes de Foucault acaba de ser publicado pela primeira vez em inglês. Para Sorman, o comportamento de Foucault era sintomático de um distinto mal-estar francês que remontava a Voltaire. “Ele acreditava que havia dois princípios morais, um para a elite, que era imoral, e outro para o povo, que deveria ser restritivo.”

Ele continuou: “A França ainda não é uma democracia, nós tivemos a revolução, proclamamos uma república, mas ainda há uma aristocracia, é a intelectualidade, e ela teve um status especial. Qualquer coisa serve." Agora, porém, “o mundo está mudando repentinamente”, acrescentou Sorman.

O intelectual disse, no entanto, que Foucault não deve ser “cancelado”. “Tenho grande admiração por seu trabalho, não estou convidando ninguém para queimar seus livros, mas simplesmente para entender a verdade sobre ele e como ele e alguns desses filósofos usaram seus argumentos para justificar suas paixões e desejos”, disse ele. “Ele achava que seus argumentos lhe davam permissão para fazer o que quisesse.”

sábado, 27 de março de 2021

holocausto brasileiro de pandemia

O lockdown termina segunda...
O kit intubação dura pouco 
A vacinação é lenta...
A Páscoa NÃO PODE ser comemorada 
A pandemia e os traumas VÃO ENSINAR mais do que a gente imagina.
Não é preciso chorar pra sofrer , uma sábia MULHER brasileira declarou.
CUIDEM UNS DOS OUTROS porque não está nada fácil lutar ATÉ ENLOUQUECIDAMENTE contra tanta barbárie. 
Humanidade tá enfraquecida...
Que a "economia" seja salva para que AS VIDAS PERDIDAS possam ser SACRIFICADAS nesse holocausto brasileiro de pandemia.
Não está fácil sentir a dor de tanta gente e permanecer sendo chamada de "egoísta" porque não passa fome.
Ser obrigado a escolher entre passar fome e estar vivo NUNCA DEVERIA SER UMA ESCOLHA... isso já é CRUELDADE, injustiça,  INSANIDADE, sabe.
Que as nossas energias não sejam exauridas, que a gente permaneça SENTINDO, SOFRENDO,  tendo empatia. 
Ser insensível, anestesiado ao mal desse mundo contra todas as coisas viventes (natureza, animais, gente) É ESTAR um pouco desumano.
Eu prefiro perder sentindo, sendo humana, exageradamente humana...do que vencer com cemitérios repletos de amores da vida de tanta gente como  eu. 
Antes da Páscoa,  vimos com Jesus,  houve a MALDADE e a INJUSTIÇA.  Um homem foi crucificado mesmo sendo inocente,  entre dois homens que eram apenas ladrões. 
Estar entre "ladrões", para Jesus, era mesmo MELHOR do que entre RELIGIOSOS, POLÍTICOS,  RICOS e até entre amigos e familiares... porque HUMANIDADE é uma luta diária e dignidade não pode ser negociada, parcelada no cartão. 
Não quero ovos de chocolate...não há porque comemorar com o banquete.
Porque o banquete do amor NÃO ACONTECE enquanto há mortes constantes, sem nenhuma solução...
Isso é holocausto,  genocídio...
Eu não como nessa mesa e nem  desse pão.
Eu sou radical, meus amigos.
Sou radicalmente GENTE,  não tem um ser humano que não me seja parente.
O mundo chora a dor da gente...e eu sou oceano. Não tem ainda porque controlar meu luto. Que a maldade não se aproxime de mim, eu tenho um propósito em continuar viva para que não tirem amor por gente que carrego  comigo.
Ser amor incansavelmente.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Para muito além do que a pedagogia OPRESSORA, mas um suspeito...um olhar mesmo que visionário (embora velho já) para uma transformação da humanidade por meio de um educação TRANSFORMADORA

Fui professora efetiva  da rede estadual do Maranhão de 2016 até 2019. Profesora do Ensino Médio,  nos 3 anos, com português e redação.  
Minha forma de encarar o papel do professor na escola pública mudou completamente. 
Tivemos resultados sigbificativos em simulados estaduais, URE Zé Doca (IDH médio muito inferior à linha da pobreza ). Nesse caso, eu fui professora em uma sede municipal que fazia o suporte de ensino para POVOADOS, muitos com mais de 60km de distância em chão batido, outros com pontes para dar acesso em rios e até próximas a comunidades indígenas e quilombolas.
O que eu vi:
Alunos no 3° ano que sabiam ler MUITO POUCO, escrever COM MUITA dificuldade e tinham grande parte da família analfabeta.
Quando não havia merenda escolar, passávamos por isso durante alguns PERÍODOS,  até MESES, os alunos tinham um rendimento MUITO MENOR, isso porque a FALTA DE COMIDA é AINDA MAIS IMPORTANTE do que a falta de conteúdo, celular, computador, internet.
Não comer é muito mais grave do que não ter  nem dados móveis para celular, imagine internet BANDA LARGA.
Essa população foi atendida em mais de 75% da sua CARGA HORÁRIA letiva (remota ou híbrida) ano passado. 
Meus amigos professores que são apenas 25% efetivos, isto é,  TEM em sua maioria professores contratados (ganhando 1/3 do salário de um efetivo, sendo  isso mais ou menos R$1500 POR MÊS.   Esses professores fizeram trabalho remoto NO INTERIOR DE UM MARANHÃO sem qualidade de internet,  nem com fibra óptica. 
E os alunos tiveram prejuízos por causa das aulas, mas um pouco, o mínimo possível de alento com o vale alimentação que é MUITO POUCO para alimentar MUITAS VEZES uma família, porque o auxílio emergia do governo federal não chegou exatamente onde deveria porque há muita corrupção,  além de toda a desigualdade social ALIMENTADA pelo sistema genocida do atual irresponsável criminoso da República.
Por isso, o lugar dos alunos deveria ser sempre olhado também por nossa voz política de professores.
Sem o nosso olhar, o olhar da escola enquanto comunidade,  O REAL DIREITO constitucional da educação formal é uma farsa.
Assim que eu vejo.
Todo o apoio qualquer aluno meu, NA SEDUC do Pará,  terá.  Farei o que estiver AO MEU ALCANCE COMO PROFESSORA efetiva que sou, concursado para isso, para dar aos alunos O BÁSICO,  O MÍNIMO que depender de mim.
Assim que penso, porque a minha alimentação está ao menos garantida,  assim como minha saúde enquanto trabalho de casa. É o mínimo da minha parte que vai além do papel de um professor. É a minha ética como educadora em instituição pública nestes tempos DEVASTADORES para todos, mais ainda para aqueles que não tem sequer o básico que eu tenho.
Para mim, isso é romper com uma pedagogia do oprimido e,  ao mínimo mesmo, pensar em uma possibilidade de educação que transformadora e cidadã -  como foi defendido claramente por Paulo Freire, tanto em Pedagogia do oprimido (ou da OPRESSÃO) e "Professora sim, tia não: cartas a quem ousa educar". Esse é  o mínimo mesmo. Nessa situação caótica,  pensar nos alunos que padecem muito mais com esse sistema esmagador de desigual é ética.

[26/3 23:09] Hilda: Se um aluno diz que o governo estadual é ruim por  causa do Lockdown,  a questão  não é política partidária ... A questão é maior
[26/3 23:10] Hilda: O Pará teve HOJE mais mortos do que UM PAÍS na América do Sul,  mesmo com lockdown
[26/3 23:12] Hilda: Se o aluno não tiver de algum modo a ciência de que o Lockdown está salvando a vida dele...e que ir trabalhar "pra poder comer" ou morrer é uma injustiça, uma DESUMANIDADE, ele nunca vai entender a importância da educação  de fato... DAR A DIGNIDADE do conhecimento formal e do reconhecimento, ao menos, da própria cidadania.
[26/3 23:14] Hilda: Esse aluno não está só  expondo o governo estadual...ele está falando do sistema, da educação que é prática e pensada por pessoas.  Minha pergunta é: para  quem é feita a educação pública no nosso país?
Essa pergunta ainda precisamos responder não com palavras...nem com planilhas (com certeza), embora isso seja uma exigência do Ministério Público,  porque se trata de um direito... temos que responder com prática.

quarta-feira, 24 de março de 2021

*À secretária de educação, gestores/as de escolas USES e URES*
Em assembleia geral do Sintepp realizada no dia 23 de março decidimos rechaçar o assédio extremo que alguns gestores vem praticando quanto às exigências da presença de professores na escola, cobrança de relatórios permanentes e em alguns casos da exigência de lançamento de média dos alunos a revelia da situação que nos encontramos, do tipo não fez trabalho lança nota zero.
Saibam todos que vivemos um momento difícil da pandemia e já perdemos inúmeros colegas para essa doença traiçoeira e se caso um de nós servidores venhamos a nos infectar, ou infectar outras pessoas por conta da pressão sofrida pelo superior no cargo isso pode levar inclusive a responsabilização individual pelo dano moral e material sofrido. 
A defesa da vida está em primeiro lugar, saibam que o contato social não ocorre apenas na escola, mas em todos os espaços da vida social e ficar em casa nesse momento é defender o direito de viver, por isso aprovamos coletivamente na assembleia que os relatórios devem ser entregues bimestralmente sem prejuízo dos alunos e da escola.
Atenciosamente.
Abel Ribeiro da Coordenação Jurídica do Sintepp

Carla Diaz e o patriarcado no BBB

Um pai
Eu:  eu te entendo porque conheço também o amor de pai que tens. Vi sempre a tua relação com os meninos ser muito forte. Por isso vou te explicar: não estamos priorizando na discussão ela ter de fato saído ou voltado, sabe. Estamos realmente dizendo que há MILHARES ou talvez MILHÕES de mulheres na MESMA situação que ela, o que é violência.  Ela não ter como perceber o tamanho do abismo em que esteve aprisionada é muito compreensível,  todos os relacionamentos tóxicos ou abusivos nos tornam reféns.  Ela estava,  concordo plenamente contigo, SEQUESTRADA de si. Ela tem o direito de ser devolvida a si mesma, à família e aos seus amigos  de verdade. O ensinamento que fica é: quantas vezes vemos relações ABUSIVAS com mulheres, principalmente,  e NADA FAZEMOS a não ser passar a mão na cabeça do abusador e condenar ela. Por isso  estamos repercutindo em rede nacional um: "acorda, mulher!". No fundo no fundo mesmo, temos a plena convicção ela é MUITO MAIS DO QUE ELE, não poderia estar sendo vista como "boba", "trouxa", "cega de amor", etc. Ela estava sendo sugada por um VAMPIRO EMOCIONAL. É isso. Muito obrigada por você se posicionar. Precisamos de muitos homens com atitudes severas contra outros homens abusivos. ❤❤❤❤❤❤❤❤❤😘❤
*À secretária de educação, gestores/as de escolas USES e URES*
Em assembleia geral do Sintepp realizada no dia 23 de março decidimos rechaçar o assédio extremo que alguns gestores vem praticando quanto às exigências da presença de professores na escola, cobrança de relatórios permanentes e em alguns casos da exigência de lançamento de média dos alunos a revelia da situação que nos encontramos, do tipo não fez trabalho lança nota zero.
Saibam todos que vivemos um momento difícil da pandemia e já perdemos inúmeros colegas para essa doença traiçoeira e se caso um de nós servidores venhamos a nos infectar, ou infectar outras pessoas por conta da pressão sofrida pelo superior no cargo isso pode levar inclusive a responsabilização individual pelo dano moral e material sofrido. 
A defesa da vida está em primeiro lugar, saibam que o contato social não ocorre apenas na escola, mas em todos os espaços da vida social e ficar em casa nesse momento é defender o direito de viver, por isso aprovamos coletivamente na assembleia que os relatórios devem ser entregues bimestralmente sem prejuízo dos alunos e da escola.
Atenciosamente.
Abel Ribeiro da Coordenação Jurídica do Sintepp

domingo, 21 de março de 2021

Uma história evangélica

Passei por um situação dramática em 2019. Eu estava em aula quando um aluno se aborreceu porque dei um exemplo de xenofobia a partir do trump (minúsculo que é). Então,  ele se alterou, foi agressivo e ofensivo verbalmente, por fim, saiu da sala batendo porta. No outro dia, eu soube que a mãe do dito cujo havia ido na escola para deixar o recado de que ele não veria mais as minhas aulas até que o pai dele chegasse de viagem e viesse "resolver" a situação comigo. Foi quando eu descobri que ele era filho do pastor estadunidense que havia chegado naquele interior do Maranhão para "ocupar" e "evangelizar" a cidade - em outras palavras, colonização.  Foi assim que mesmo  tendo família no seu país, fez família no Brasil e se tornou diretor em escola evangélica na capital, depois pastor nesse interior por muitas décadas. Respeitado por sua reputação e muito influente, o homem chegou na escola bastante "ofendido" com o fato de que eu havia sido "manipuladora", "doutrinadora", pois falava até palavrão em sala de aula e não estava capacitada para dar aula  - sou formada em letras, área do conhecimento que é afim de artes, disciplina que eu ministrava posto que nos rincões do Brasil o que se faz é o que há para fazer. Enquanto ele me difamava pelas costas para o meu coordenador que estava totalmente chocado com a situação deplorável que se apresentava. Eu simplesmente fui até a sala do coordenador apenas para dizer que havia passado do horário mais uma vez por uma questão específica com alunos que necessitavam da minha dedicação de modo mais direto. Quando abri a porta fui apresentada para ele. Ouvi o que ele tinha para dizer...mostrei minha aula, o assunto, a competência, disse que o filho dele havia faltado a primeira aula e chegou na segunda aula sem o exercício e ainda quis ter o direito de me ofender, mesmo sendo a autoridade instituída ali. Depois de dar uma aula de cristianismo pré-romano para ele na prática, falando sobre o gesto humilde de Jesus diante dos homens que queriam apedrejar uma mulher,  pedi que ele refletisse sobre a educação cristã doméstica que estava exemplificando, pois o filho dele não tinha humildade de primeiro ouvir e me chamar de modo comedido no corredor porque fez questão de me humilhar na frente de seus pares. Saí com um pedido de desculpa solene, com a certeza de que a LDB seria cumprida (já que o aluno tinha direito e os  pais o dever de mantê-lo em escolarização regular com frequência nas disciplinas propostas no nosso currículo) de modo que fiquei conhecida como a esquerdopata que silenciou o pastor por meio do evangelho.

quinta-feira, 18 de março de 2021

sensível demais...demasiado humanamente sensível

Hannah Arendt "As origens do totalitarismo ", uma descrição analítica da ditadura stalinista. Apesar do exército vermelho, isto é,  os soldados RUSSOS socialistas de Stalin terem vencido HITLER e o holocausto de judeus, como a própria Hannah Arendt - apesar de tudo isso -, um indiscutível processo de exame crítico da forma totalitarista soviética foi feita pela autora. Nesse breve dossiê político que a filósofa fez, ela afirma que o mais radical dos revolucionários,  um dia após a Revolução,  será um conservador (citação indireta,  uma paráfrase técnica). O que não consigo discordar. De fato, há entre o extremismo e o embrião da banalidade do mal uma linha tênue,  independente da ideologia que se carregue em bandeiras mais próximas ou não de um humanismo conveniente. De todo modo, ainda arrisco dizer, há que se celebrar vitórias aparentemente tímidas... Como disse Darcy Ribeiro, um humanista radical, jamais extremista,  eu fracassei, mas não estaria me sentindo vencedor no lugar  daqueles que ganharam nesse contexto. Ou como cantaria o passarinho Quintana...eles passarão, eu passarinho. Existe uma liberdade incorrigível na autonomia de um ser que se envolve em determinadas causas próprias de humanidade...uma delas, é a incapacidade de ser insensível às dores do mundo...poetas como Drummond e Adélia Prado  me representam sempre sobre isso. Para Lispector,  há alguns falta o "delicado essencial", que tiros não sejam classificados como dores seletivas...nenhuma dor humana é vitoriosa. Eu assim acredito.

Professor x Educador... uma distância ainda incorrigível

Meus colegas de profissão, há uma distância imensa entre o educador e o professor de fato. Enquanto muitos de nós estamos com carga horária extrapolada, trabalhando com as ferramentas possíveis, recebendo o nosso salário fixo, fazendo até o impossível para transmitir aulas, conteúdos e demais documentos (como as planilhas). Há os educadores . Educadores de uma pandemia extraordinária . Gente,  sem diploma, sem salário às vezes, doando TUDO QUE POSSUEM de tempo, de mínima estrutura (às vezes somente o celular mesmo, comumzinho) e uma VONTADE INCONTROLÁVEL de transformar o tempo tenebroso em alguma história mínima de esperança. 
CADA VEZ MAIS, eu sinto a plena necessidade de nós professores sermos educadores.  Infelizmente,  nosso diploma, nossas pós-graduações,  nosso concurso e nossa competência no conteúdo específico de uma disciplina, de uma ciência É POUCO. É REALMENTE pouco para o mundo em que de fato vivemos.
Fomos formados em graduações antiquadas, com iniciativas tímidas em relação ao conhecimento DE GENTE.  NÓS NÃO TRABALHAMOS COM CONTEÚDO CIENTÍFICO. Professor é um dos profissionais que mais é desafiado porque trabalha COM GENTE, COM SUAS HISTÓRIAS  DE VIDA,  com seus afetos e desafetos. Pior do que tudo isso, NÓS TRABALHAMOS com o futuro de muita gente.
Vem da nossa CANETADA a ir pra frente de alguém,  em muitos situações - apesar do que garante a LDB, a CONSTITUIÇÃO FEDERAL e o nosso popularesco PAULO FREIRE.
Eu sei...infelizmente,  muitos de nós conhecemos apenas o nome de Paulo Freire e do que ouvimos falar, ou lemos com pressa...eu até acho que lemos penas trechos ou frases  soltas. O caminho de um professor que ouve Paulo Freire é muito diferente do que vemos nos nossos cotidianos até nas lutas sindicais.
Além de Freire, deveríamos conhecer Anísio Teixeira, DARCY RIBEIRO, Rubem Alves  e muitos outros educadores que não pouparam nenhum esforço em QUERER MUDAR A HISTÓRIA  DE UM PAÍSA, e jamais imaginaram ser lembrados ou louvados,  APENAS POR CUMPRIREM SUA FUNÇÃO: ensinar cidadania, dignidade e humanidade para uma população carente do básico.  Honestamente, como professora de português e literatura, PARA MIM, crase e romantismo SÃO infinitamente IRRELEVANTES diante da fome.

A fome é mais relevante do que qualquer conteúdo. A saúde é mais importante do que qualquer competência do Enem.  Nossa frequência é ter ou não ter o VALE ALIMENTAÇÃO de R$80, 00.
Deixo claro, meus parabéns por estarmos fazendo o nosso trabalho pelo qual estamos sendo pagos SEM ATRASOS. 
E, também,  deixo claro meu respeito por uma equipe técnica que ARRISCOU TANTO SUA VIDA e a VIDA DE SEUS FAMILIARES para que o nosso trabalho fosse facilitado no ano de 2020 e agora em 2021.

Aos alunos, eu só quero ser UMA FACILITADORA e não alguém que se soma a toda A ATRAPALHAÇÃO que já está esse país,  COM O GENOCIDA que é presidente . Não sejamos ATRAPALHAÇÃO tal qual esse presidente que sequer votamos. 

Meus colegas professores,  os tempos são de PACIÊNCIA,  humildade e solidariedade.

Desejo um bom dia a todos e saúde para as nossas famílias.

domingo, 14 de março de 2021

eugenia à brasileira????

O inacreditável nessa fantasia eugenista de um percentual significativo de sulistas do Brasil é como eles não representam sequer os segmentos provincianos na Alemanha do século XXI.  É uma coisa tão fantasiosa que nem mesmo Alemães conseguem se referenciar com a alucinação de "raça pura" dessa gente.

Não querer ser "brasileiro" por estar em nossa origem a miscigenação de etnias africanas e ameríndias é de uma pobreza instrucional em História, Geografia, Antropologia e Sociologia que fico imaginando O SACRIFÍCIO de uma pessoa que seja professora dessas disciplinas  nessa circunstância.
Porém, há uma justificativa histórica vergonhosa, pela semelhança com um provincianismo etnocêntrico, supremacista branco,  DOGMÁTICO, nos Estados Unidos que  envergonhou as Américas com o mandato do abutre Trump.

Uma banalidade do mal talvez explicável em um embrião ideológico que coloca na fantasia do ser superior a incapacidade de sentir porque racionaliza demais. Sem nenhuma função científica,  somente com a proposta de explicar em si mesmo a realidade de tudo. Um ser sem sensibilidade para o outro e sem capacidade de humanizar-se, acredito eu que temporariamente. Essa patologia não pode ser inata, isso eu desacredito. O que me faz ser professora,  educadora... já que a educação de fato humaniza a gente.

terça-feira, 9 de março de 2021

álcool, cerveja, mulher, violência doméstica e feminicídio ...uma perspectiva histórica

Lendo "História da sexualidade 3: o cuidado de si", de Foucault,  lembrei de um regime cuja intenção era purificar a sexualidade , equilibrar e promover hábitos saudáveis.  Entre diversas sugestões,  a prática de beber vinho era a melhor avaliada porque tinha princípios masculinos. Isto é, assim como a prática clerical de assimilar o vinho ao sangue do Cristo exaltava essa bebida e seu vínculo patriarcal,  havia outra que era inferiorizada. Adivinha? O costume de beber cerveja. Uma bebida historicamente relacionada ao trabalho de mulheres. Outra leitura indispensável me ratificou isso. Gerda Lerner, em "A criação do patriarcado : história da opressão das mulheres pelos homens", comprova que as fazedoras de cerveja eram as subalternas em propriedades profundamente patriarcais. A misoginia sempre explicaria historicamente a inferiorização do gênero de bebida assimilado ao feminino. Então, essa prática muito atual de cervejaria artesanal é um apagamento (gourmetizador) da relação entre mulheres e cervejas. Um apagamento que garante o maior status para a cerveja artesanal. E, cruelmente, demonstra a relação macabra entre o consumo abusivo de bebida alcoólica (em especial a cerveja, pelo consumo nas classes proletárias) com o índice explosivo de feminicídios. É,  tristemente, diretamente proporcional a relação entre maior consumo de álcool e maior número de violência doméstica  e morte de mulheres. Tudo que escrevi aqui, me perdoe pelo textão, é um desabafo. Eu mesma fui criada em um ambiente com violência doméstica, tentativa de feminicídio e abuso psicológico intenso intimamente ligado com alcoolismo. Eu precisa dizer.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Eu não estou no mundo sozinha. Ao meu redor, andam MUITAS MULHERES MARAVILHOSAS. Então, quando se aproximar,  venha em paz. Eu jamais vou pensar apenas em minha própria "fome de vida". Eu tenho sedes insaciáveis,  eu tenho desejos inomináveis,  eu tenho lutas QUE VOCÊ NÃO PODE NEM NUNCA SABERÁ uma letra... Se vier, venha em paz.
A minha irmandade é pelas MULHERES DA MINHA VIDA.
Minha alma-gêmea é minha irmã Hel Freitas , minha rainha e guia, minha MÃE luz dos meus caminhos. As mulheres que me cercam entre amigas, familiares e pessoas que escolhi fazerem parte do meu universo, TODAS ELAS são MUITO RESPEITADAS por mim.
Se vier, venha em paz.
Nunca esqueça.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

carta à Audre lorde

https://diariosincendiarios.wordpress.com/2018/09/25/carta-a-audre-lorde/amp/

(em resposta ao texto A Transformação do silêncio em linguagem e ação)

“Eu estou aqui como poeta Negra lésbica e sobre o significado de tudo isso repousa o fato de eu ainda estar viva, coisa que poderia não ter sido.”

Audre, em minhas muitas tentativas de romper os silêncios que atravessam meu corpo, eu aprendi que o lugar onde ele se instala é justamente onde mais faz ruídos. E o ruído rasga cada sopro de voz, por dentro, muito antes de se tornar vento.

Desde muito cedo eu fui ensinada a calar, a catar todas as palavras que me vinham à boca e amassar, amordaçar, frear. Aprendi a silenciar todos aqueles rasgos a mim direcionados. Os olhares que me lançavam, como navalhas, reafirmavam cortantes, o peso de tudo.

Eu ainda era menina quando todas essas dores me alcançaram. E não sabia ao certo porque doía, mas sabia o quanto doía. Não conseguia falar, não tinha com quem falar, eu estava diante de mim mesma e sem saber o que fazer com aquela imagem que ecoava dolorosa frente aos meus olhos e sentidos. Fui durante muito tempo o espelho daquilo que me diziam ser errado, feio, sujo. Tentei ser diferente e a cada tentativa frustrada um pouco de mim se esvaia. E você sabe, Audre, o quão é doloroso passar pelas violências que a lesbofobia atrelada ao racismo impõe sobre nossos corpos.

Desde a minha infância fui muito introspectiva, muito silenciosa, muito para dentro. O meu primeiro impulso para fora do silêncio, foi quando, ainda na escola, numa aula de português, sem querer, tropecei em um poema num livro didático e algo em mim se movimentou de uma forma diferente e me impulsionou à escrita.  Pensei: talvez pôr as dores no papel as façam menos doloridas.

Logo quando comecei a escrever não tinha uma consciência exata do que eu pretendia com aquilo e tampouco enxergava a escrita como uma forma de resistência – embora fosse -, só queria um pouco de alívio. O intuído era aliviar tudo aquilo que insistentemente latejava em meu corpo. Busquei nas palavras uma maneira de ressignificar e transformar essas dores em alguma coisa que não me desse um soco dentro da boca. Não foi fácil e ainda não é. Ainda estou nesse exercício de transformar o silêncio em linguagem e ação. Pergunto: um dia deixaremos de ter silêncios a romper? E, certamente, a resposta será não. Porque entre os ruídos e os não-ditos há tantas outras coisas.

Uma vez enquanto conversava com uma amiga sobre toda essa minha dificuldade em romper o silêncio, ela me disse algo que me fez parar por alguns minutos e logo após esse breve momento de paralisia, aquela fala me deslocou. Ela me disse: “As coisas só começam a existir quando você fala sobre elas. Você só vai começar a existir enquanto uma poeta negra e lésbica quando você começar a se enxergar (e se enxergar é estabelecer um diálogo consigo e com os outros) e a falar sobre quem você é e sobre o que é estar nesse lugar”. E isso me causou um imenso estranhamento e espanto logo quando ouvi.  Porque, pela segunda vez, eu saí do seio do silêncio, porque eu queria e precisava existir, e foi como se eu tivesse ouvindo: “Fala para elas de como nunca se é uma pessoa inteira se guardas silêncio, porque esse pedacinho fica sempre dentro de ti e quer sair, e se segues ignorando-o, ele se torna cada vez mais irritado e furioso, e se nunca o deixa sair um dia diz: basta! E te dá um soco dentro da boca.”

Esse sentimento de possível inexistência misturado à necessidade de existir ecoou em mim durante alguns dias. A sensação foi de imersão em mim mesma e nos meus medos. Afinal, o que me paralisava? Após dias em uma conversa muito íntima com o silêncio, cheguei à conclusão de que o que me emudecia era o medo. O medo da visibilidade e do seu enlace mais profundo: a vulnerabilidade. Ao tomar uma assustadora consciência de meus próprios abismos, adentrei uma percepção ainda mais funda: meu corpo sempre foi o alvo e a vulnerabilidade nunca esteve distante de tudo que represento. Continuar cultivando o silêncio se configura como uma autopreservação forjada e agora o meu corpo já tinha consciência disso.

E foi nessa de conversar com o silêncio e apalpar as suas minucias que o atravessei.
Em alguns momentos, trocamos: fui silêncio e ele música, fui nota e ele ficou calado, no escuro. Repare, eu disse, nota. Fui nota, notada, acordes e música. Fui ouvida e falada. Fui a palavra cantada nos meus próprios ouvidos.

Mas, o medo de falar ainda rasga a segurança que cuidadosamente vem sendo construída.
A boca do silêncio ainda arranha as tantas possibilidades de sopro.

Concordo com você, Audre, quando diz que: “Podemos aprender a trabalhar e a falar apesar do medo, da mesma forma que aprendemos a trabalhar e a falar apesar de cansadas.”

E acredito que o silêncio pode ser configurado de duas maneiras: como uma potência significativa ou sendo capaz de produzir a própria noção de silenciamento, que para muito além de estar em silêncio, configura-se como pôr um sujeito em silêncio.

Eu quero poder tocar o silêncio, poder estar em silêncio por escolha, não por medo. Claro, é sim necessário e importante romper o eixo onde o silêncio aprisiona, mas podendo preservar o ponto onde ele é conforto.

O silêncio não é só o que está visível, ou seja, aquilo que está além da boca, ele pode estar também fazendo sentido e significando em outros lugares – às vezes como conforto, noutras vezes, como prisão –  e produzindo nas próprias palavras os ecos desses trânsitos internos. Podermos escolher o momento de falar e o momento de estar em silêncio é um ato de autopreservação, reconhecimento dos nossos limites e respeito aos nossos cansaços.

Eu quero poder me libertar do medo de pôr o meu corpo em evidência, mas ainda restam tantos silêncios para romper.