Quando vejo as polêmicas jogadas estrategicamente em nossas rodas de conversas, já sei que se trata de aparelhamento ideológico. Primeiro eles jogam a fala solta e controversa, depois eles a retomam em contexto favorável, ainda que ambíguo, e saem como os cordeiros enquanto os lobos são seus opositores. Eles estão fazendo a capa de população amável e familiaresca, já seus desiguais seriam os odiosos e degenerados. Por outro lado, são sempre notícia dentro e fora de seus nichos discursivos (ideológicos). São sempre as mesmas posições, do mesmo lado e de forma clara. Poderemos nos acostumar com esse discurso de tal modo que ele seja ainda mais naturalizado? Sem dúvida! Ignorar de forma estratégica, não reagir de forma cautelosa, silenciar em suas próprias sessões discursivas, não ouvir em suas rodas mais caras pode ser o maior trunfo. Não digo que devemos fingir que não estamos vendo, mas precisamos sufocar a audiência, apagar as luzes do espetáculo deles para não inflá-los. O caminho é complexo mais necessário porque tudo que eles querem é se espalhar na mídia de tal sorte que dominem todos os espaços de discussão sem qualquer esforço de violência aparente, mas através da violação simbólica que produzem ao garantir força aos seus preceitos cruéis. Meu medo é que esse mal se banalize em nós que estamos do lado daqui, em nós que nos afastamos deles por hora. O mal se banaliza mais rápido do que imaginamos.
Se eu mergulho em mim, derramo amor...prazer... ódio... rupturas. Se eu te mergulho, deságuo em fúrias...feras...feridas...e amar. É sobre o encontro de mágoas às vezes, mas em um vigoroso oceano há sempre vida!
sexta-feira, 4 de janeiro de 2019
quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
Vc não foi, vc foi levada. Vc não sentiu prazer, vc foi estimulada para além da sua compreensão, da sua permissão, da sua vontade e da sua capacidade de lutar contra. Não há nenhuma forma de remédio para curar suas lembranças, te fazer esquecer ou te fazer ao menos diminuir a dor. Não há. Eu não posso te dizer o que não existe. Mas existe um meio de vc amar tanto a si mesma que esse fantasma se afaste da sua cabeça, não como quem esquece MAS SIM COMO QUEM SE PERDOA. Por favor, perdoe a si mesma! Vc não fez nada, nada veio de vc, nenhuma característica sua ou qualquer que fosse sua postura, nada freiaria esse monstro. Homens quando desejam oprimir, violentar, destruir e assujeitar mulheres NÃO PARAM POR NADA. O que ele fez foi por pura perversidade, maldade e má índole. Ele se aproveitou da sua inocência, da sua inexperiência, da sua falta de força, da sua incapacidade biológica, da sua ingenuidade racional. Não há como uma criança de 12 anos lutar contra um monstro, contra seu maior inimigo. Vc foi vítima de um monstro. Não há sequer uma dúvida disso. Infelizmente existem meninas que se tornam dependentes emocionalmente desses abusadores e depois levam essa forma de abuso como relacionamento afetivo, quando é puro ato de dominação e de deformação. Se um monstro desse pudesse te matava fisicamente, mas como não pode um pedacinho de vc ele destruiu por um tempo: a sua paz. No entanto, eu não duvido que vc consegue RECONSTRUIR-SE, REENCONTRAR ESSA PAZ É POSSÍVEL. Encontre grupos de apoio, rodas de mulheres abusadas, conversas em grupos de mulheres feministas e qualquer apoio coletivo. Não guarde mais a maldade desse monstro dentro de vc. Ela não é sua. É totalmente dele.
domingo, 16 de dezembro de 2018
Se eu pudesse agora
Eu te sonhava
Em minha noite
Em minha cama
Dentro da minha coberta
E te enrolava
Entre meus dedos
E te sentia
Chegar bem felina
Cheirando meu pescoço
E te pedia
Me nina
Me mima
Menina,
Me ensina
A te mimar
A te amar
A te sonhar
E te ninar
E te ouvia
Respirar de olhos apertados
E te sentia
Subir na minha vida
Dominar minha mente
Ferver minha pele
Deixar meu corpo
Todo refém de ti
Se eu pudesse
Agora mesmo te pegava
Te sonhava em cima de mim
E te enlaçava firmemente
Apesar do medo
Tenho em mente
Teu suor
Teu sussurro
Tenho teu gemer
E sinto um cheiro quente
Vindo das narinas ofegantes
Do teu peito saltitante
Delirante teu quadril
Tudo em ti treme
E faz um frio
Sou eu soprando
Eu te amo
Atrás dos teus ouvidos
Na tua nuca
Nos teus cabelos
Tão meus e tão negros
Vontade de ranger os dentes
E te soltar
Livre levemente
Cheirando teu pescoço
Suavemente
Tudo na gente
Nesse sonho
É quente
Ardente
Vivo
E encandescente
Sonho um dia
De noite
A gente.
Eu te sonhava
Em minha noite
Em minha cama
Dentro da minha coberta
E te enrolava
Entre meus dedos
E te sentia
Chegar bem felina
Cheirando meu pescoço
E te pedia
Me nina
Me mima
Menina,
Me ensina
A te mimar
A te amar
A te sonhar
E te ninar
E te ouvia
Respirar de olhos apertados
E te sentia
Subir na minha vida
Dominar minha mente
Ferver minha pele
Deixar meu corpo
Todo refém de ti
Se eu pudesse
Agora mesmo te pegava
Te sonhava em cima de mim
E te enlaçava firmemente
Apesar do medo
Tenho em mente
Teu suor
Teu sussurro
Tenho teu gemer
E sinto um cheiro quente
Vindo das narinas ofegantes
Do teu peito saltitante
Delirante teu quadril
Tudo em ti treme
E faz um frio
Sou eu soprando
Eu te amo
Atrás dos teus ouvidos
Na tua nuca
Nos teus cabelos
Tão meus e tão negros
Vontade de ranger os dentes
E te soltar
Livre levemente
Cheirando teu pescoço
Suavemente
Tudo na gente
Nesse sonho
É quente
Ardente
Vivo
E encandescente
Sonho um dia
De noite
A gente.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
a ciência nas humanidades tem relação com a subjetividade, isso é o que permite o paradigma histórico e dialético. Claro que a gravidade não é uma ciência, ela é uma realidade física. O lugar de fala é uma ciência, ele faz parte de um conceito científico que depende obviamente da subjetividade manifesta histórica e, inclusive, psicologicamente. Não se pode igualar as premissas aritméticas, físicas e químicas com as realidades humanas, apreciáveis nas ciências ditas humanitas. Ninguém irá questionar a princípio de que a gravidade existe, mesmo assim são muitas as discussões científicas sobre os desdobramentos dessa realidade, e nestes casos a historicidade científica se aplica no que é possível compreender e no que ainda não é possível. Nas ciências humanas não lidamos com objetos, com abstrações apartadas do contexto e da subjetividade inclusive que lhe interpreta (como eu disse, é preciso conhecer o livro de professor Japiassú sobre a Ciências Humanas, ele reduziria possíveis lacunas no meu comentário). Quando a palavra fato aparece no seu comentário, ela deixa de ser fato histórico e passa a ser fato absoluto, mas não é sempre assim, principalmente dentro das ciências humanas - exatamente o ambiente acadêmico de onde saiu o artigo em questão. Eu jamais teria a mesma postura analítica diante de um fato físico, químico ou de questões matemáticas, não é está a área do conhecimento a qual estamos examinando especificamente. Quando vc traz a discussão sobre a percepção do real, ou "apreensão do real" eu não pude silenciar em mim a voz de Lacan e a máxima psicanalítica dele sobre a incapacidade da apreensão do real. Para essa ciência humana (psicanálise lacaniana), o real é inatingível mesmo em um esforço teórico. Então, não concordo com sua afirmação sobre o real, embora a palavra realidade estivesse de alguma forma - talvez - mais adequada ao seu contexto afirmativo. Não considero a ciência humana um relativismo epistemológico, e considero o seu comentário uma anticiência porque desqualifica uma área fundamental e funcional do saber científico. As descobertas de Newton são fatos científicos abstratos e as ciências humanas consistem em fatos históricos e subjetivos (no sentido de relacionados às construções dos sujeitos no mundo, é sobre o estado de coisas e não o estado das coisas, no sentido de Wittgenstein). A historicidade, ao contrário do que vc defende não é um limite, mas um aspecto formador que não pode ser ignorado sob pena de - neste caso, sim - restringir, limitar a capacidade analítica do objeto social, histórico e subjetivo. Se vc se opõe ao que a epistemologia da filosofia contemporânea usa como meio de análise, esse é um viés metodológico seu, não precisa ser radicalizado como a única forma verdadeira de se fazer ciência. Não é mesmo? Descarte é sábio em propor em uma das suas últimas discussões teóricas a premissa científica da dúvida. Duvidar é preciso, inclusive duvidar de si mesmo. Por isso, não tem como negar que a ciência exige o debate dentro da realidade, do contexto ao qual se propõe. Lugar de fala não é um confessionário, não é um microfone na mão, nunca será um artifício comunicacional, pois é a comunicação indispensável para a progressão da narrativa histórica. O discurso da história, a partir do lugar de fala, se torna um meio de debates e conflitos subjetivos enriquecedores e mais autênticos, no sentido de representativos. Quando mais interlocutores são ouvidos, maior possibilidade de versões a história terá. O que enriquece a visão de mundo estabelecida pela interdiscursividade, leia-se Patrick Charaudeau sobre isso (Análise do discurso). Nenhuma subjetividade pode ser encarada como uma pessoa no mundo, isso é olhar para o discurso e não enxergar as vozes que lhe antecedem (leia-se Mikail Bahkitin sobre isso "Marxismo e filosofia da linguagem", "Estética da criação verbal"). Somos uma polifonia reverberada na voz de uma simples mulher (isso foi irônico). A experiência não pode ser transmissível, experiências não se transmitem, são sabidas e escutadas, jamais dadas como um objeto de troca material. Experiências são conhecidas e intermediadas para que sua existência seja validada. Um apagamento de experiência é um silenciamento de existências. Os negros foram apagadas da história do Brasil sobre a definição amordaçadora da palavra "escravo", na qual suas identidades foram omitidas criminosamente. Não se está falando de justiça, aqui, mas de ciências humanas. A ética é um princípio no método de muitas ciências humanas como já argumenta Karl Marx, entre outros tratando do discurso do método. A verdade não é obejto da ciência, ela é uma premissa revogável quando está dentro do debate. Reviga-se a verdade absoluta e coloca-se as verdades possíveis. Mesmo porque nem tudo é possível de ser apreensível para a racionalidade humana, somos limitados pela nossa vivência e historicidade. Essa é a premissa de uma ciência humana que se queira possível no século XXI. Por favor, não trate de nenhuma teoria social, subjetiva, linguística e comunicacional como se ela fosse verdade ou fato absoluto porque não é desse tipo de ciência que se está tratando mas da ciência das humanidades e seu olhar deve ser adequado para tal.
terça-feira, 11 de dezembro de 2018
RABELAIS, obrigado por existir:
"Manguaceiros ilustres! Nobres toscos! Estimados aleijões! Sondas de jarros! Hastes de frascos! Registros rodados! Mordomos de névoas! Discípulos de São Martinho! Irmãos chapados! Irmãos cozidos! Irmãos insaciáveis e arrotadores chumbados! Banqueteiros e toneleiros! Trincadentes e trincalínguas! Vastas gorjas! Panças bombadas! Peidorreiros e trapaceiros! Irmãos doidos e preciosos! Por conclusão, notem bem o seguinte: se quiserem conservar nesta vida saúde e venustade, escutem atentamente estas seis regras:
Nunca bebam sozinhos. A companhia de manguaceiros é uma corja altamente estimada e sua palavra baritonante tem peso considerável nos círculos de gendarmes. E mais: peguem dois bêbados; se um, empanturrado de névoa, perder o passo, o outro logo o levanta.
Sigamos: ao despontar o dia, sob o luar virginal da alba, o melhor é brindar com Matusalém; ao meio dia com Baltazar; no crepúsculo choque a caneca com Nabucodonosor.
Só beba do melhor. Beba do sólido. Plínio convida a distinguir os vinhos imbecis dos vinhos válidos; os bilontras vão preferir a segunda opção. Evitem os mequetrefes e mijos de burro. Evitem vinhos xexelentos.
Evitem a cerveja. O poeta Basselin chama os manguaceiros de cerveja de bocas mijantes e diz com justeza que esse trago é bom para os flamengos e alemães, porque têm alma comum. E beber cerveja é causa de males: Júlio, o santo pai, bebeu cerveja e, mostrando sua barba, provocou grande indignação. Por isso, Erasmo de Rotterdam também diz que a cerveja seja infligida aos desgarrados e apóstatas, pois que é um castigo rudíssimo, tão pesada fora a falta.
Porém mais que tudo, evitem a água: de todos os fluidos, é o mais virulento. Grande número de poetas e lansquenetes sucumbiram desafortunadamente por culpa dela. A água prejudica enormemente por causa de seu fedor e pestilência; Aristóteles, na História dos animais, narra como um grande número de gafanhotos, depois de beberem água, se corromperam e, por causa daquela horrível pestilência, abateram oitenta mil pessoas na cidade de Azi. E os membros da congregação da Santa Sé sabem muito bem o que estão fazendo quando vertem um funil de água nas tripas heréticas, porque quem bebe água tem sempre algo por esconder e dissimula alguma obscenidade.
Vamos! Tomem exemplo no ensinamento de Jesus Cristo em Caná, do adorável milagre do Cordeiro.
Evitem também o sangue. O sangue é pernicioso para o corpo humano, como testemunho diversos escritos e opúsculos medicinais e o camarada Avicena, também ele, recomenda a prática abundante da sangria. Reconhecemos que o sangue é um fluido gravemente nocivo porque esguicha e escorre só de furar alguém com um punhal; porque o corpo humano aproveita a mais ínfima oportunidade para se livrar desse veneno; e Marnardi de Ferrara nos ensina que devemos escutar o que o corpo nos ordena, pois através dele fala o Espírito Santo. Eis por que, erguendo o cálice, o Salvador disse: “Isto é o meu sangue”, o que prescreve que troquemos todo nosso sangue por vinho, que nem uma cunha empurra a outra; e nós ficaremos saudáveis e adoraremos a Deus com fervor. ἄγιος κ᾽ἀθάνατος ὁ Θεός [Santo Deus imortal].
Ah! saibam também o seguinte: vocês têm a vida inteira para gargalhar e toda a morte para repousar."
[Trecho tirado do "Tratado do bom uso de vinho", cujo original francês se perdeu. A pintura é de Adriaen Brouwer, séc. XVII].
"Manguaceiros ilustres! Nobres toscos! Estimados aleijões! Sondas de jarros! Hastes de frascos! Registros rodados! Mordomos de névoas! Discípulos de São Martinho! Irmãos chapados! Irmãos cozidos! Irmãos insaciáveis e arrotadores chumbados! Banqueteiros e toneleiros! Trincadentes e trincalínguas! Vastas gorjas! Panças bombadas! Peidorreiros e trapaceiros! Irmãos doidos e preciosos! Por conclusão, notem bem o seguinte: se quiserem conservar nesta vida saúde e venustade, escutem atentamente estas seis regras:
Nunca bebam sozinhos. A companhia de manguaceiros é uma corja altamente estimada e sua palavra baritonante tem peso considerável nos círculos de gendarmes. E mais: peguem dois bêbados; se um, empanturrado de névoa, perder o passo, o outro logo o levanta.
Sigamos: ao despontar o dia, sob o luar virginal da alba, o melhor é brindar com Matusalém; ao meio dia com Baltazar; no crepúsculo choque a caneca com Nabucodonosor.
Só beba do melhor. Beba do sólido. Plínio convida a distinguir os vinhos imbecis dos vinhos válidos; os bilontras vão preferir a segunda opção. Evitem os mequetrefes e mijos de burro. Evitem vinhos xexelentos.
Evitem a cerveja. O poeta Basselin chama os manguaceiros de cerveja de bocas mijantes e diz com justeza que esse trago é bom para os flamengos e alemães, porque têm alma comum. E beber cerveja é causa de males: Júlio, o santo pai, bebeu cerveja e, mostrando sua barba, provocou grande indignação. Por isso, Erasmo de Rotterdam também diz que a cerveja seja infligida aos desgarrados e apóstatas, pois que é um castigo rudíssimo, tão pesada fora a falta.
Porém mais que tudo, evitem a água: de todos os fluidos, é o mais virulento. Grande número de poetas e lansquenetes sucumbiram desafortunadamente por culpa dela. A água prejudica enormemente por causa de seu fedor e pestilência; Aristóteles, na História dos animais, narra como um grande número de gafanhotos, depois de beberem água, se corromperam e, por causa daquela horrível pestilência, abateram oitenta mil pessoas na cidade de Azi. E os membros da congregação da Santa Sé sabem muito bem o que estão fazendo quando vertem um funil de água nas tripas heréticas, porque quem bebe água tem sempre algo por esconder e dissimula alguma obscenidade.
Vamos! Tomem exemplo no ensinamento de Jesus Cristo em Caná, do adorável milagre do Cordeiro.
Evitem também o sangue. O sangue é pernicioso para o corpo humano, como testemunho diversos escritos e opúsculos medicinais e o camarada Avicena, também ele, recomenda a prática abundante da sangria. Reconhecemos que o sangue é um fluido gravemente nocivo porque esguicha e escorre só de furar alguém com um punhal; porque o corpo humano aproveita a mais ínfima oportunidade para se livrar desse veneno; e Marnardi de Ferrara nos ensina que devemos escutar o que o corpo nos ordena, pois através dele fala o Espírito Santo. Eis por que, erguendo o cálice, o Salvador disse: “Isto é o meu sangue”, o que prescreve que troquemos todo nosso sangue por vinho, que nem uma cunha empurra a outra; e nós ficaremos saudáveis e adoraremos a Deus com fervor. ἄγιος κ᾽ἀθάνατος ὁ Θεός [Santo Deus imortal].
Ah! saibam também o seguinte: vocês têm a vida inteira para gargalhar e toda a morte para repousar."
[Trecho tirado do "Tratado do bom uso de vinho", cujo original francês se perdeu. A pintura é de Adriaen Brouwer, séc. XVII].
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
Ela simplesmente não vai acontecer
Eu tô indo embora mais um vez
A hora de chegar foi tão natural
Mas a de partir não vai ser
Não queria dizer adeus
Mas ela foi dizendo antes
E eu nem li
Nem notei
nos meus devaneios
nos meus devaneios
Nas minhas burrices
Espantei ela da janela do mundo
Ela fugiu mesmo
Como disse desde sempre
Mas algo dela ainda persiste
Mas sua sombra, sua vagueza
Sua imagem na minha tela
Não são ela
São minha mente
Impondo um presente
Que não existe
Eu conheço suas armadilhas
Querida razão doente,
Não me derrube de novo
Os voos estão proibidos
Mas eu tenho que prosseguir
Uma queda deliberada
No olhar dela sobre a gente
No falar dela sobre o mundo
E eu caminho incoerente
Cega mente tenho
Busco uma inspiração
Encontro um muro
Em minha frente, enfrentar
Não tem por quê
Eu sou um passarinho no ar
Nem sei como pude sobreviver
Vou dizendo muito obrigada
Por mais uma chance
Vida, sua boba
Eu compreendi
- Adeus, agora
Sem ela
nem uma poesia faz sentido
Meus olhos percorrem
por todo lugar
Ela quem querem
em todas as letras
e as formas abstratas vistas
à distância dela
Sem ela
nenhuma música
encaixa com a rima
e os poemas de amor
perderam a cor
Não tem melodia
Onde ela foi ?
meus sentidos perguntam
Minha boca sente
o perfume do seu corpo
Ela não é minha
Minha mente repete
A alma sozinha
Cria o gosto da sua pele
E eu sou inteira vazio
Sem ela
nem uma poesia faz sentido
Meus olhos percorrem
por todo lugar
Ela quem querem
em todas as letras
e as formas abstratas vistas
à distância dela
Sem ela
nenhuma música
encaixa com a rima
e os poemas de amor
perderam a cor
Não tem melodia
Onde ela foi ?
meus sentidos perguntam
Minha boca sente
o perfume do seu corpo
Ela não é minha
Minha mente repete
A alma sozinha
Cria o gosto da sua pele
E eu sou inteira vazio
Sem ela
Achei muito interessante a tua visão sobre o esse falastrão, desculpa eu não consigo concordar com a comparação com o Marx, porque realmente diferentemente deste, aquele nunca será um filósofo mesmo. Vc está muito certa de colocar a palavra filósofo entre aspas. Enquanto Marx , muito além de lutar pelo fim do liberalismo tirânico, era um consagrado leitor e um dos mais importantes analistas da filosofia clássica (socrática); o jornalista e comentarista de cotidiano brasileiro nunca terá nenhum reconhecimento acadêmico. Marx é estudado por universidades das maiores potências capitalista, que possuem filósofos neoliberais que refizeram a leitura de seus clássicos sobre os problemas e os vícios que a geração de capital poderia criar para o próprio capitalismo. E no séc XXI é estudado como um dos maiores analistas sobre os problemas do liberalismo radical. Por exemplo, existem análises dele que antecipam as crises do capital, tais como a Crack de 1929 (bolsa de valores de NY) às implicações diplomáticas entre conservadorismo e democracia liberal do nosso século. Eu concordo plenamente com a sua visão sobre a retórica viciada do pequeno brasileiro que está amando a popularidade, mesmo ruim, que estão lhe dando. Ele é um cidadão da "sociedade do espetáculo", como analisa o filósofo alemão Guy Debord (1931), no capítulo "A negação e o consumo da cultura". No livro "A sociedade do espetáculo", trata exatamente dessa forma de "intelectualidade" falsa, que não se apoia em conceitos científicos, mas em análises pessoais, verdadeiras opiniões. Ter opinião e expressá-la não pode ser considerado errado, mas querer que essa opinião seja ciência ou teoria é, antes de tudo, uma enganação. Eu considero qualquer palpitero que possui livro publicado como um palpitero de livro e somente isso. Mesmo tendo graduação e pós-graduação, não podemos considerar as opiniões deste ou daquele ciência. Se tem livro, não significa ser um homem das ciências e das filosofias. Ao contrário, acho que algumas obras desse comentarista espetacularista está muito mais para ficção, para não dizer fantasia, do que para análise crítica. Não aceitar contraditório realmente é um dos piores indícios para alguém que se queira científico. É necessário, principalmente dentro da filosofia, a consideração e a inclusão das críticas para que o debate, a tese e a proposta de análise seja ciência ou filosofia. Platão é um dos teóricos mais importantes sobre o método da filosofia clássica, e elege a dialética como o princípio da filosofia. Marx, na sua releitura sobre os métodos da filosofia moderna, elege a dialética histórico-cultural como o princípio ético para qualquer ciência, incluindo a filosofia. Para Marx, a práxis é o única forma de garantir uma ciência ética, isto é, a capacidade de uma teoria ser praticada e transformar realidades ruins para a humanidade em boas formas de viver em sociedade. Eu acredito plenamente, que esses princípios filosóficos são no mínimo ignorados pelo palpitero brasileiro. Infelizmente, ele sabe apenas espalhar opinião e sequer se preocupa com aqueles que não concordam com o que ele determina. Também, não está preocupado com o bem comum, esse é um princípio da dialética marxista, consagrada como origem da filosofia moderna. Antes de tudo, Marx era um filósofo perseguido cruelmente por ser judeu e considerado, juntamente com seu parceiro de filosofia, Engels, pessoa não grata pelo império da Prússia (tirano imperador Frederico Guilherme V, um republicano liberal), porque lutava através da filosofia pela igualdade de classes. Já, o brasileiro em questão, é autor de livros sobre opiniões de cunho "científico" bastante duvidoso, por ser ensaísta, por não aceitar debate dentro da academia sobre suas opiniões, sobre suas ideias, que por ter condições financeiras consegue publicar. Infelizmente, eu considero um atraso vergonhoso pro Brasil considerar esse homem uma pessoa digna de opinar sobre qualquer assunto da nossa realidade histórica.
terça-feira, 20 de novembro de 2018
JULIANA
Cavalgando com suavidade
Lentamente,
umedecida,
olhos fechados
e os cabelos no rosto
Deslizando com vontade
Subindo,
descendo
ao ritmo da nossa respiração
Ela descansa a cabeça
no meu ombro
Mas logo se ergue,
se empina
e continua
Suas mãos se apoiam
no meu peito
Ganha força,
ritmo,
intensidade
Feito uma águia selvagem
ela parece voar
por cima da cama,
por cima de mim
É uma fera incontrolável
que me doma,
me engole
E eu, totalmente entregue,
sou a sua presa.
( Cleydson Ramones )
-
Ps: Fique à vontade para COMPARTILHAR ou MARCAR o seu namorado(a), crush, amigo, amiga.
Cavalgando com suavidade
Lentamente,
umedecida,
olhos fechados
e os cabelos no rosto
Deslizando com vontade
Subindo,
descendo
ao ritmo da nossa respiração
Ela descansa a cabeça
no meu ombro
Mas logo se ergue,
se empina
e continua
Suas mãos se apoiam
no meu peito
Ganha força,
ritmo,
intensidade
Feito uma águia selvagem
ela parece voar
por cima da cama,
por cima de mim
É uma fera incontrolável
que me doma,
me engole
E eu, totalmente entregue,
sou a sua presa.
( Cleydson Ramones )
-
Ps: Fique à vontade para COMPARTILHAR ou MARCAR o seu namorado(a), crush, amigo, amiga.
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segunda-feira, 19 de novembro de 2018
Eduardo Bolsonaro: “Eu começo a ‘entender’ a importância da figura masculina na vida de uma mulher quando minha ex-namorada que já se declara feminista é vista em uma balada LGBT acompanhada de um médico cubano, usando uma roupa vulgar e, como se não bastasse, rebolando até o chão. E ainda posta isso na internet, como se fosse uma atitude louvável. Lembrando que antes do feminismo ela andava com roupas discretas, não rebolava até o chão, e namorava comigo. ;) #FeminismoÉDoença”
Patrícia Lélis: “Eu comecei a entender a importância do feminismo quando fui abusada por seu amigo de partido e você me pediu para ficar calada, mesmo sabendo que era verdade e me vendo machucada fisicamente e psicologicamente. Foi daquele dia em diante que eu comecei a entender o feminismo. Até então eu aceitava as suas grosserias, abusos e traições. Foram 3 anos e 8 meses em um relacionamento abusivo. Eu estou percebendo que tudo na vida evolui, menos você. Falta de elegância ficar pedindo para terceiros te passarem informações sobre onde e com quem estou. Você consegue desrespeitar até mesmo pessoas que você nunca viu na vida, menosprezando e desvalorizando o próximo. Sabe qual foi o principal motivo que nos levou ao término? Eu descobrir que eu sou dona de mim, descobrir que sou um ‘mulherão da porra’, e quando descobri isso, você ficou com medo. Moleques não aguentam mulheres fortes. Só para terminar esse post: esse médico cubano que você tentou menosprezar nesse post, além de ser um baita ‘homão da porra’, me leva pra balada, não reclama das minhas roupas e maquiagem, dança comigo, e cá entre nós: tem uma ‘pegada’ que você nunca teve na vida. Beijo, Eduardo. E vê se para de me ligar e mandar mensagens dizendo que tá com saudades, tá chato já!”
Patrícia Lélis: “Eu comecei a entender a importância do feminismo quando fui abusada por seu amigo de partido e você me pediu para ficar calada, mesmo sabendo que era verdade e me vendo machucada fisicamente e psicologicamente. Foi daquele dia em diante que eu comecei a entender o feminismo. Até então eu aceitava as suas grosserias, abusos e traições. Foram 3 anos e 8 meses em um relacionamento abusivo. Eu estou percebendo que tudo na vida evolui, menos você. Falta de elegância ficar pedindo para terceiros te passarem informações sobre onde e com quem estou. Você consegue desrespeitar até mesmo pessoas que você nunca viu na vida, menosprezando e desvalorizando o próximo. Sabe qual foi o principal motivo que nos levou ao término? Eu descobrir que eu sou dona de mim, descobrir que sou um ‘mulherão da porra’, e quando descobri isso, você ficou com medo. Moleques não aguentam mulheres fortes. Só para terminar esse post: esse médico cubano que você tentou menosprezar nesse post, além de ser um baita ‘homão da porra’, me leva pra balada, não reclama das minhas roupas e maquiagem, dança comigo, e cá entre nós: tem uma ‘pegada’ que você nunca teve na vida. Beijo, Eduardo. E vê se para de me ligar e mandar mensagens dizendo que tá com saudades, tá chato já!”
terça-feira, 13 de novembro de 2018
Incondicionalmente amar de novo
A inspiração para que possamos recomeçar não está colocada onde queríamos. Ao contrário disso, ela sempre nos pega de surpresa, nos toma para si feito uma chuva repentina acalmando o ardor de tantas incertezas.
Recomeçar, então, é encarar as dúvidas, as dívidas e as reticências. Não há como não ter perguntas e anseios sobre o futuro, não há como esquecer que já errou tanto por ser ingênuo. Duvidar é acreditar no próprio eu do presente perdoando os erros que se foram, almejando alento no porvir.
As promessas vão sendo deixadas de lado e ficamos devendo algumas explicações incoerentes e outras reflexões que chegarão na hora exata. São dívidas que ficaram de ser pagas e nós deixamos de cobrar por pura vontade de seguir pra nunca mais voltar. São as nossas desculpas esfarrapadas livres, leves e soltas.
Enfim, restam solenes as continuidades soberanas. Sim, a vida continua mesmo que quiséssemos estagná-la! Não, não há como remediar os três pingos de vida que seguem sem nos deixar pedir "licença pode me esperar". Vida que segue que chama, né?
É! A vida não deixa de ser companheira do tempo, passando por entre os dedos divinos e escapando feito menina liberta, livre para re(a)mar. Em uma rota de tempestades no mar, tememos continuar. Amar é persistir mar adentro, em mar aberto, amar e pronto.
Não, amar não é de erro, não há equívoco. Se errar por isso, perdoe-se imediatamente, e jamais se arrependa de recomeçar a acreditar no amar da vida. Não há como viver sem recomeçar quantas vezes for preciso para reaprender, reinventar. Reamar é amar quantas vezes for indispensável por ser de amor movido.
Recomeçar, então, é encarar as dúvidas, as dívidas e as reticências. Não há como não ter perguntas e anseios sobre o futuro, não há como esquecer que já errou tanto por ser ingênuo. Duvidar é acreditar no próprio eu do presente perdoando os erros que se foram, almejando alento no porvir.
As promessas vão sendo deixadas de lado e ficamos devendo algumas explicações incoerentes e outras reflexões que chegarão na hora exata. São dívidas que ficaram de ser pagas e nós deixamos de cobrar por pura vontade de seguir pra nunca mais voltar. São as nossas desculpas esfarrapadas livres, leves e soltas.
Enfim, restam solenes as continuidades soberanas. Sim, a vida continua mesmo que quiséssemos estagná-la! Não, não há como remediar os três pingos de vida que seguem sem nos deixar pedir "licença pode me esperar". Vida que segue que chama, né?
É! A vida não deixa de ser companheira do tempo, passando por entre os dedos divinos e escapando feito menina liberta, livre para re(a)mar. Em uma rota de tempestades no mar, tememos continuar. Amar é persistir mar adentro, em mar aberto, amar e pronto.
Não, amar não é de erro, não há equívoco. Se errar por isso, perdoe-se imediatamente, e jamais se arrependa de recomeçar a acreditar no amar da vida. Não há como viver sem recomeçar quantas vezes for preciso para reaprender, reinventar. Reamar é amar quantas vezes for indispensável por ser de amor movido.
A inspiração para que possamos recomeçar não está colocada onde queríamos. Ao contrário disso, ela sempre nos pega de surpresa, nos toma para si feito uma chuva repentina acalmando o ardor de tantas incertezas da vida.
Recomeçar, então, é encarar as dúvidas, as dívidas e as reticências. Não há como não ter perguntas e anseios sobre o futuro, não há como esquecer que já errou tanto por ser ingênuo, duvidar é acreditar no próprio eu do presente.
As promessas vão sendo deixadas de lado e ficamos devendo algumas explicações incoerentes e outras reflexões que chegarão na hora exata; são dívidas que ficaram de ser pagas e nós deixamos de cobrar por pura vontade de seguir pra nunca mais voltar.
Enfim, restam as continuidades soberanas. Sim, a vida continua mesmo que quiséssemos estagná-la! Não, não há como remediar os três pingos de vida que seguem sem nos deixar pedir "licença pode me esperar"... Vida que segue que diz né?
É! A vida não deixa de ser companheira do tempo, passando por entre os dedos divinos e escapando feito menina livre, liberta para de re(a)mar. Amar não deve ser um erro. Se errar por isso, perdoe-se imediatamente, e jamais se arrependa de recomeçar a acreditar na vida. Não há como viver sem recomeçar quantas vezes for preciso para aprender a amar.
Recomeçar, então, é encarar as dúvidas, as dívidas e as reticências. Não há como não ter perguntas e anseios sobre o futuro, não há como esquecer que já errou tanto por ser ingênuo, duvidar é acreditar no próprio eu do presente.
As promessas vão sendo deixadas de lado e ficamos devendo algumas explicações incoerentes e outras reflexões que chegarão na hora exata; são dívidas que ficaram de ser pagas e nós deixamos de cobrar por pura vontade de seguir pra nunca mais voltar.
Enfim, restam as continuidades soberanas. Sim, a vida continua mesmo que quiséssemos estagná-la! Não, não há como remediar os três pingos de vida que seguem sem nos deixar pedir "licença pode me esperar"... Vida que segue que diz né?
É! A vida não deixa de ser companheira do tempo, passando por entre os dedos divinos e escapando feito menina livre, liberta para de re(a)mar. Amar não deve ser um erro. Se errar por isso, perdoe-se imediatamente, e jamais se arrependa de recomeçar a acreditar na vida. Não há como viver sem recomeçar quantas vezes for preciso para aprender a amar.
segunda-feira, 5 de novembro de 2018
Até um dia desses éramos os que ajudavam a construir o futuro da nação, agora somos os maiores inimigos. Somos "inimigos" da família de bem; "opositores" do governo de bem; "adversários" da empresa de bem; "rebeldes" contra a ideologia de bem; "revoltados" contra a igreja de bem. Somos do mal, do contra e do lado avesso. Até um dia desses éramos os que deveriam ser respeitados, os que deveriam ser abraçados pelo tamanho da responsabilidade que temos maior do que cuidar da nossa própria família. Agora somos os que devem se calar ou repetir o que o livro escolhido por eles disser. Seremos papagaios de estimação????? Querem uma legião de pessoas sem criticidade andando pelo mundo a esmo??? Querem sucumbir a alma de um povo???? A alma é a capacidade de sentir, de se indignar e de se contrapor ao que considera injusto. Se a educação não desenvolver a criticidade, QUEM FARÁ? A TV? A INTERNET? AS FAKENEWS??? A SUA TIA APOSENTADA QUE JÁ NÃO LÊ NEM MAIS PALAVRAS CRUZADAS SÓ olhando bobagem no wtsp??? Fomos largados. Eu já sinto o peso. Irei resistir. E mesmo que me tirem os livros, não conseguiram tirar o conhecimento tatuado no meu corpo e na minha mente. Educarei independentemente de tudo. A luta é por uma nação de gente e não de zumbis!
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
O que eles querem é bloquear qualquer forma de liberdade garantida. A única "liberdade" que eles aceitam é a liberalidade, isto é, o princípio liberal tal qual os clássicos desse pensamento preconizavam, Smith, Locke, Stuart Mill. Nada de liberalismo soa como liberdade, nem mesmo quando garante os direitos individuais. Por isso que devemos nos cuidar bastante. O liberalismo estipula o que e como é ser "livre" e garante que seja de fato apenas "liberado". Quem regula essa lei? O pensamento dos donos do meio de produção. E está liberado apenas aquilo que pode ser consumido. Daí o princípio falho do senso comum "o dinheiro traz a felicidade".
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
Eu li uma vez em artigo de um historiador, desses que estão fora de moda no Brasil, que o nosso país é das contradições gigantescas. Monarquia que faz independência ao império; Império que faz golpe e instaura a república; república que faz golpe militarista; operário que faz modernização do sistema liberal ultrapassado para a democracia neoliberal mais contemporânea possível. Aqui a surpresa não acaba. Mas fico feliz da vida de ver, essa radicalidade da nossa esquerda sendo jovial e contemporânea! Boulos representa a nossa diversidade faraônica. Somos contraditoriamente um país de surpresas! Enquanto todos esperaram de Ciro a luta democrática, mesmo que fosse apenas por uma reverência ao criador do partido que lhe acolhe Brizola; somos surpreendidos por um radical de esquerda fazendo o aceno livre pela democracia plena! Meu presidente seria Boulos, votei sem medo de ser feliz e livre!
quinta-feira, 25 de outubro de 2018
Esse caos é o efeito mesmo que eles querem. Quanto maior a dor, o sofrimento e a angústia gerada mais eles crescem. Eles se alimentam da nossa dor e nós jamais somos culpados por de certa forma sermos suas presas. Ao contrário, sonos na mesma medida o veneno. Uma pessoa que sofre ao ver tanto horror e desumanidade, só pode ser totalmente contra essa forma de poder e por isso é sua oposição. O que enfraquece esse mal é quando nós o DESPREZAMOS. DEVEMOS DESPREZAR ESSE IMPRESTÁVEL! A luta agora é para apagar ele da mente das pessoas e só faremos isso falando, fazendo e reverberando outras coisas e outras energias. Tire ele da sua vida. Se purifique . Purifique a sua família. Pense, fale e reverbere outra coisa . Não se deixe dominar por esse mal, que eles querem exatamente é serem os senhores das nossas mentes. E não serão!
terça-feira, 23 de outubro de 2018
Um trecho do sensacional e fundamental "Introdução à vida não fascista" do Foucault:
Essa arte de viver contrária a todas as formas de fascismo, estejam elas já instaladas ou próximas de sê-lo, é acompanhada de certo número de princípios essenciais, que resumirei como segue, se eu devesse fazer desse grande livro um manual ou um guia da vida cotidiana:
• Liberem a ação política de toda forma de paranóia unitária e totalizante.
• Façam crescer a ação, o pensamento e os desejos por proliferação, justaposição e disjunção, e não por subdivisão e hierarquização piramidal.
• Livrem-se das velhas categorias do Negativo (a lei, o limite, as castrações, a falta, a lacuna) que por tanto tempo o pensamento ocidental considerou sagradas, enquanto forma de poder e modo de acesso à realidade. Prefiram o que é positivo e múltiplo, a diferença à uniformidade, os fluxos às unidades, os agenciamentos móveis aos sistemas. Considerem que o que é produtivo não é sedentário, mas nômade.
• Não imaginem que seja preciso ser triste para ser militante, mesmo se o que se combate é abominável. É a ligação do desejo com a realidade (e não sua fuga nas formas da representação) que possui uma força revolucionária.
• Não utilizem o pensamento para dar a uma prática política um valor de Verdade; nem a ação política para desacreditar um pensamento, como se ele não passasse de pura especulação. Utilizem a prática política como um intensificador do pensamento, e a análise como multiplicador das formas e dos domínios de intervenção da ação política.
• Não exijam da política que ela restabeleça os “direitos” do indivíduo tal como a filosofia os definiu. O indivíduo é produto do poder. O que é preciso é “desindividualizar” pela multiplicação e o deslocamento, o agenciamento de combinações diferentes. O grupo não deve ser o liame orgânico que une indivíduos hierarquizados, mas um constante gerador de “desindividualização”.
• Não se apaixonem pelo poder.
Essa arte de viver contrária a todas as formas de fascismo, estejam elas já instaladas ou próximas de sê-lo, é acompanhada de certo número de princípios essenciais, que resumirei como segue, se eu devesse fazer desse grande livro um manual ou um guia da vida cotidiana:
• Liberem a ação política de toda forma de paranóia unitária e totalizante.
• Façam crescer a ação, o pensamento e os desejos por proliferação, justaposição e disjunção, e não por subdivisão e hierarquização piramidal.
• Livrem-se das velhas categorias do Negativo (a lei, o limite, as castrações, a falta, a lacuna) que por tanto tempo o pensamento ocidental considerou sagradas, enquanto forma de poder e modo de acesso à realidade. Prefiram o que é positivo e múltiplo, a diferença à uniformidade, os fluxos às unidades, os agenciamentos móveis aos sistemas. Considerem que o que é produtivo não é sedentário, mas nômade.
• Não imaginem que seja preciso ser triste para ser militante, mesmo se o que se combate é abominável. É a ligação do desejo com a realidade (e não sua fuga nas formas da representação) que possui uma força revolucionária.
• Não utilizem o pensamento para dar a uma prática política um valor de Verdade; nem a ação política para desacreditar um pensamento, como se ele não passasse de pura especulação. Utilizem a prática política como um intensificador do pensamento, e a análise como multiplicador das formas e dos domínios de intervenção da ação política.
• Não exijam da política que ela restabeleça os “direitos” do indivíduo tal como a filosofia os definiu. O indivíduo é produto do poder. O que é preciso é “desindividualizar” pela multiplicação e o deslocamento, o agenciamento de combinações diferentes. O grupo não deve ser o liame orgânico que une indivíduos hierarquizados, mas um constante gerador de “desindividualização”.
• Não se apaixonem pelo poder.
Minha amiga, o silêncio do corpo é a dormência da mente. Os antigos gregos diriam "mente sã, corpo são", em igual proporcionalidade. Nem uma medida de consequência será deixada para trás. Os que apoiam com medo e pensam "estamos seguros", se enganam. Uma cadela raivosa e faminta não escolhe sua comida. Quem de longe enxerga o cheiro de sangue e se afasta - está em perigo, mas se protege. Quem de perto cheira e consome os restos, não sabe a hora que os olhos que lhe enxergam são a bocarra que lhe dilacera.
Reduzir a maioridade penal é dar a autorização institucional do Estado matar os pobres e negros ainda mais cedo. O extermínio da nossa juventude negra é um péssimo sinal de que, o que o Estado não dá conta, ele elimina. Elimina jogando para baixo do tapete, para 7 palmos do chão. Um Estado sádico, tirano e desumano. Esse é o Estado neoliberal. O mesmo que "deu certo" em vários lugares do mundo é só fazer um "comparação espontânea" com o socialismo radical "pra vc ver". Eric Hobsbawm não seria tão radical: "Ambas as tentativas de viver à altura dessa lógica totalmente binária dessas definições de 'capitalismo' e 'socialismo' faliram". E nós ainda buscando agulha no palheiro. Esse Estado tirano é o que não combina humano e produção porque só pensa na lucratividade e na produtividade. Ser um estado democrático antes e tudo no século XXI será superar a tensão entre gente e suas criaturas. Superar o desequilíbrio entre ter e ser. Conduzir o bem comum em direção ao bem das pessoas e não das suas criaturas, como o mercado. As pessoas, enfim, devem estar acima de qualquer outro "bem" social. Quando pensamos mais no celular roubado do que no menor que o roubou, não pensamos como pessoas. Pensamos como parentes de objetos pelos quais vivemos, trabalhamos condenadamente e por quem morremos ou matamos. E essa humanidade é triste.
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