Se eu mergulho em mim, derramo amor...prazer... ódio... rupturas. Se eu te mergulho, deságuo em fúrias...feras...feridas...e amar. É sobre o encontro de mágoas às vezes, mas em um vigoroso oceano há sempre vida!
domingo, 18 de abril de 2021
privilégio de estar em casa, vivo.
Ficar em casa não é uma escolha, infelizmente. Quando é uma decisão, mesmo assim pode ser compulsória...vemos tanto isso em relação às pessoas que precisam trabalhar fora de casa. Então, o nosso privilégio está nessa incapacidade de escolha, pois nós é proporcionado o ficar em casa, enquanto que não há esse direito para todos. Aqueles que têm minimamente o poder de decisão real de impacto coletivo permitem ou não permitem. É adoecedor viver em um país com a desigualdade social brutal que nos assaltou desde o golpe de 2016. É contínua e irreversível a construção da miséria de milhões de pessoas, a de milhares e a empobrecimento cruel da esmagadora maioria. Por tudo isso, é doloroso demais reconhecer esse privilégio, é frustrante saber ainda que não temos nem como mudar de modo abrupto, nem imediato esse caos. Nossa luta vai ser de formiguinhas, de andorinhas no incêndio. Porém, o que nos dá esperança é que em nós a coragem não falta, a generosidade não perde o brilho e a união é um instrumento progressivo de revolução. Estamos juntas com muitos companheiros que não perdem a certeza de que lutar vale a pena. Lutar vale a vida, vale o mundo. Lutar, esperançar e seguir, nossos verbos. NÃO RECUAREMOS. "É preciso estar atento e forte!"
sábado, 17 de abril de 2021
filosofia percepcional
SINTO, LOGO EXISTO: A FILOSOFIA ESTÉTICA DE MERLEAU-PONTY
Tradicionalmente, a filosofia ocidental considera a percepção como mera coadjuvante do conhecimento humano, em alguns casos, ela até atrapalha na busca da “verdade”. Cartesianamente, os sentidos seriam fontes do engano, do erro de avaliação, da ilusão sobre o dado empírico. É por isso que a cultura filosófica ocidental será direcionada para a atividade intelectual, cognitiva, racional, desprezando a percepção e a sensibilidade. Não é assim com Merleau-Ponty.
O filósofo francês Maurice Merleau-Ponty nasceu em 1908 e faleceu em 1961. Ponty foi um homem da esquerda marxista francesa (que depois irá se afastar, incluindo uma briga com Sartre) e foi chamado de “existencialista cristão” (ele era católico). As suas reflexões são interessantíssimas para uma visão espiritual da vida, para a centralidade da experiência do corpo e para a arte.
Sua obra central é “A fenomenologia da percepção” onde “critica a psicologia clássica, a fisiologia mecanicista e o cogito racionalista de Descartes por meio do retorno ao fenômeno da percepção segundo a perspectiva fenomenológica. Para o filósofo, perceber não é uma pura sensação e nem tampouco um julgamento intelectual, mas a experiência de se dirigir, intencionalmente, ao mundo pelo corpo.”
Neste livrinho, escrito pelo psicanalista e filósofo brasileiro Iraquitan de Oliveira Caminha (“10 lições sobre Merleau-Ponty”. Petrópolis, RJ : Vozes, 2019), quero destacar alguns pontos que me parecem centrais:
1- Desinflar o ego cartesiano e retomar a postura do não-saber e do espanto diante do mundo. Diz Caminha:
“Para o pensador francês, há uma impossibilidade radical de o filósofo alcançar qualquer tipo de superação definitiva das contradições humanas. Ele deve sempre adotar a postura do não-saber.”
Não se trata de um elogio da ignorância, mas de compreender “o papel do filósofo” como aquele que deve “oscilar entre a ignorância e o saber”.
2- A filosofia é uma obra inacabada e não uma sistematização de verdade totais sobre o mundo. Para Ponty, “o incessante recomeçar da tarefa filosófica é a expressão de renúncia a toda cristalização do pensar num sistema acabado e fechado. Tal perspectiva de compreensão da Filosofia como inacabada é derivada da concepção de que o real é sempre percebido e que não há percepção sem mundo. A percepção é a experiência originária de se dirigir para o mundo, que renova constantemente o pensamento filosófico. Nesse sentido, a Filosofia é considerada, por Merleau- Ponty, como a perpétua experiência de reaprender a ver o mundo.”
3- O mundo é o que percebo e o que percebo é o mundo, portanto, cada sujeito vive dentro de uma experiência de mundo que lhe é peculiar, mas não fechada, nem incomunicável. Nessa perspectiva, “não devemos nos perguntar se nós percebemos realmente um mundo; devemos dizer ao contrário: o mundo é isto que nós percebemos” (MERLEAU-PONTY, 1992a, p. XI). A percepção nos dá, assim, um saber primordial que fundamenta para sempre nosso poder de reconhecer a existência do mundo como uma evidência de fato independentemente de esclarecimentos anteriores ou posteriores.”
Segundo Merleau-Ponty “o que é dado não é a coisa só, mas a experiência da coisa”. Sendo uma experiência — e não um dado objetivo, exterior e inquestionável — não podemos cair na ingenuidade de achar que a percepção é algo “puro”, “desinteressado”, “neutro”, “isento” ou não ideológico. Porque não existe experiência perceptiva pura, pois nossa percepção não é uma vivência desinteressada, pois “para que percebamos as coisas, precisamos “vivê-las”” e ao vivê-las ao deu a estas experiências as cores, os sabores, os sentimentos e os valores e as crenças que me habitam corporalmente.
4- E o que é o corpo para Merleau-Ponty?
Dito de forma simples e direta, o corpo é a nossa totalidade. Ponty tentará fugir do dualismo cartesiano que marca a nossa percepção de corpo como algo dividido (corpo e alma, matéria e espírito, corpo e consciência). Diz Caminha:
“Quando Merleau-Ponty se refere ao corpo próprio ou vivido, está bem claro que não é o corpo considerado de maneira totalmente objetiva, sempre visto como um dado em terceira pessoa, quer dizer, como um “ele é” coisificado (Körper). Isso significa que o corpo não é uma coisa material, de natureza inanimada, ou associada a uma consciência separada de uma vida sensível. O corpo próprio é, para Merleau-Ponty, uma existência indivisa que nós vivemos como uma vida que sempre nos pertence (Leib). Devemos notar que, quando Merleau-Ponty se refere ao corpo, enquanto percebido, ele o considera como fenomenal, cujo modo de ser para nós não passa pelo mundo objetivo considerado em si. O corpo que nós vivemos não é um objeto transparente, que se introduz em nosso campo de visão como um objeto exterior, mas, essencialmente, uma vida que assumimos como uma estrutura sempre presente em todas as nossas ações.”
5- E como este “eu-corpo” percebe o mundo?
“Segundo Merleau-Ponty, “a filosofia não é o reflexo de uma verdade prévia, mas, como a arte, a realização de uma verdade” (MERLEAU-PONTY, 1992a, p. XV). Não obstante, essa verdade encontra sempre nosso mundo, onde já há uma “razão preexistente”. Isso quer dizer que o único “logos que preexiste” é o próprio mundo. No fundo, a perspectiva filosófica de Merleau-Ponty é de mostrar que, de um lado, está certa a premissa de que para descobrir uma paisagem escondida atrás de uma colina, nosso olhar precisa encontrar um lugar que dê acesso ao aparecer de tal espetáculo, mas, de outro, é incontestável que essa paisagem não apareceria ao nosso olhar se já não estivesse presente no mundo percebido. Aquele que percebe não é uma consciência que ordena uma matéria sensível da qual ela possuiria a “lei ideal” das formas percebidas. Nesse sentido, a experiência perceptiva comporta, por princípio, a contradição da imanência e da transcendência. Portanto, a percepção é, ao mesmo tempo, vivida por aquele que vê e a expressão do mundo que se mostra. É por essa razão que Merleau-Ponty (1992a) afirma que o mundo é mais velho do que a consciência.”
Antes de nossa percepção de mundo, existe um mundo, um logos que é anterior a nós. A experiência da percepção não é algo objetivo e asséptico como no empirismo e nem é uma experiência universal e “desencarnada” conduzida pelo cogito, pelo intelecto humano. A experiência da percepção, deste eu-corpo, é um todo complexo, é uma experiência da verdade — e não a verdade em sentido absoluto —, é um encontro e, digo eu, uma construção social.
Ao perceber o mundo eu sinto, ao sentir sou afetado e afetado pelo que sinto e percebo do mundo, vivo uma experiência que é corporal e que envolve minhas intenções, meus desejos, não sendo eu mero objeto passivo. Somos então sujeitos de percepção. Caminha explica:
“Sentir não é, para Merleau-Ponty, apenas uma reação motora passiva aos estímulos do ambiente. É bem verdade que toda sensação é sempre de alguma coisa. Logo, só posso dizer que sinto o vermelho porque sou afetado por essa cor. Todavia, essa cor só se define como uma cor identificável por meio de uma série aberta de experiências possíveis operadas por um corpo que se faz sujeito no ato de sentir. Aquele que percebe é antes de tudo um ser de potência ou de possibilidades. Nasce aqui uma questão que é da ordem do uso do corpo, problema típico do mundo humano. Se fossemos máquinas que registram e decodificam informações sensíveis, não precisaríamos colocar o problema do sujeito da percepção.”
6- A carne como superação do dualismo cartesiano de corpo/mente.
Este é um dos alvos da filosofia de Merleau-Ponty. Desfazer-se de nosso passado dualista, mas o dualismo persiste. Ponty fala de um corpo que é físico e psíquico ou physis e psyque. De um eu-corpo que é natureza e cultura. Mas como manter isso unido?
É quando Merleau-Ponty desenvolve o conceito de carne — inspiração católica? — para falar em totalidade corpórea, experiência impossível de delimitar fornteiras dualistas, posto que physis e psyque (natureza e cultura, sujeito e objeto) são uma única coisa: carne.
“É pelo conceito de carne que Merleau-Ponty propõe superar a clivagem ou dicotomia sujeito/objeto, considerando a experiência originária do sentir. O filósofo adota um percurso filosófico cujo fim é uma reabilitação ontológica do sensível. Por esse caminho, ele renuncia os conceitos de sujeito e objeto como instâncias distintas. Nesse sentido, a filosofia de Merleau-Ponty não somente alcança o status de crítica, mas, sobretudo, se renova e permanece aberta. Com o conceito de carne podemos dizer que o corpo se liga ao mundo e o mundo se liga ao corpo de forma ininterrupta e antidualista. Nasce, assim, uma maneira de se pensar o corpo segundo a carne. É no Le visible et l’invisible que esse modo de pensar o sensível se realiza com todo o seu vigor. Com base nessa nova perspectiva filosófica, o corpo próprio ou o corpo-sujeito é concebido como “massa interiormente trabalhada”, que não estabelece uma fronteira nítida entre o dentro e o fora ou entre sujeito e objeto (MERLEAU-PONTY).”
7- A filosofia não pode se afastar do sensível, do sensório, da percepção. Só assim ela se manterá como atividade criativa e criadora.
“O imprevisível de uma percepção renovada nasce da certeza de que o ato de filosofar nunca pode se apartar do sensível. Talvez considerando o sensível em sua radicalidade como presença insuperável, possamos abrir novos caminhos que tragam ventos de esperança para renovar a Filosofia. “Ressensorializar” a atividade filosófica é o grande desafio de Merleau-Ponty. Tal desafio visa retirar o filosofar das repetições esquemáticas e colocá-lo no âmbito da ação criativa. No lugar de desapegar-se da percepção, o chamado aqui é para se deixar contagiar pela percepção.”
Concluindo, esta filosofia que valoriza e prioriza a percepção, o sentir humano, em detrimento de um processo histórico de hipervalorização do intelecto, do cognitivo e da razão, abre a filosofia ocidental para outros saberes como a arte, a literatura, as filosofias orientais, incluindo as experiências místicas e religiosas. É isso que, ao meu ver, faz da filosofia de Merleau-Ponty algo interessantíssimo e muito atual, mesmo não sendo a primeira formulação filosófica a fazer esse movimento de abertura para o sensível.
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Marcio Sales Saraiva é escrevinhador.
quinta-feira, 15 de abril de 2021
psicopata de gravata, mandato público e diploma na mão
Em resumo:
- a BABÁ do menino - ASSASSINADO E TORTURADO POR UM CRIMINOSO POLÍTICO (coisa normal no brasil ) - pode ser PENALIZADA "coooomo ela deixou ISSO acontecer?" uma mente TENDENCIOSAMENTE classista se perguntaria. A babá TAMBÉM é CULPADA(?) "Condena, ela!"... mentes de um brasil que tem na presidência um genocida
- a MÃE do Henry - namorada de um bandido ASSASSINO PSICOPATA envolvido com a escória da POLÍTICA dw miliciano no brasil - é "CULPADA" (?) pois pensam ATÉ OS ELEITORES que colocaram esse BANDIDO pra ser vereador, filho de BANDIDO de ALTA PERICULOSIDADE no Rio, essas mentes dizem "COMO ELA NÃO CHAMOU A POLÍCIA?" Como ela não foi lá tirar satisfação com ele QUANDO a babá diz que ele ESTAVA SENDO APARENTEMENTE torturado POR ESSE MONSTRO no quarto do monstro, enquanto a MÃE estava no shopping... sendo que a babá é clara ao dizer POR ESCRITO NA MENSAGEN DE WHATSAPP "ele esperou vc sair"
- a professora do menino, a psicóloga do menino, os avós do menino, o pai do menino, os vizinhos desse casal, a escola desse menino, TODO MUNDO é "CULPÁVEL" (?)... e eu digo mesmo: POR QUE NÃO CHAMARAM O CONSELHO TUTELAR??????????????
- mas, enfim, SÓ TEM 1 DIABO que ninguém CONSEGUE APONTAR como tal, criminoso, político corrupto, envolvido com poderes PARALELOS de tráfico a contrabando de armas.... ESSE IMUNDO PSICOPATA... ELE "coitadinho" ... FOI ELEITO VERADOR, vem de uma referência PATERNA escória da POLÍTICA envolvida com corrupção e milícia - UMA DAS MAIS PODEROSAS MILÍCIAS DO brasil -. PORÉM, exatamente ele, lógico, que não estaria AMEAÇANDO, coagindo, VIGIANDO com seus CAPANGAS ninguém.... né?
Até o ADVOGADO DESSE DIABO está sendo investigado...
O diabo pediu "INTERFERÊNCIA " por amizade da parte do ATUAL GOVERNADOR INTERINO do Rio de Janeiro...
Porém, CULPADAS e culpados pela morte do menino HENRY há muitos, muitas justificativas.
Eu quero ver quem vai ter ÉTICA, JUSTIÇA e humanidade PARA CONDENAR o crime organizado em pessoa que já tem AUTORIA comprovada nesse crime.
terça-feira, 13 de abril de 2021
professores
Boa noite, meus amigos. Estou aqui para compartilhar dessa angústia generalizada dos professores no nosso país.
Nenhum lugar no Brasil tem, hoje, alguma segurança para a complexidade da qual a educação - como direito humano - necessita. Está absolutamente enlouquecendo , adoecedor e hostil. Infelizmente, somos uma das classes mais DETERIORADAS com a pandemia. Nossa função social, em nosso país, ESTÁ TOTALMENTE destruída.
Nós como profissionais estamos EXAUSTOS principalmente em nossas mentes, nosso centro de trabalho contínuo.
Parece que a meta do neofascismo instalado nesse DESgoverno federal atingiu MUITOS DOS SEUS OBJETIVOS, pois ser professor hoje parece estar na trincheira da guerra para morrer primeiro. Mortes são também simbólicas... estamos AMIUDADOS, comprimidos... seria um holocausto o nosso destino? Me parece que sim.
Qual é o nosso papel nessas burocracias?????
A mim, só me vem UMA RESPOSTA: sobreviver.
Apenas precisamos continuar vivos, porque o objetivo é a nossa morte.
Que sejamos imortalidade de resistência pela dignidade de ensino, pela esperança dos nossos sonhos (delírios?). Que sejamos, ainda que nos esvaziem as forças, CACTOS no sertão da humanidade.
Como fazemos isso?
Nunca deixemos de acreditar que somos SOBRETUDO profesores porque o país, em que nascemos e estamos, é uma terra onde se tenta destruir tudo que há de humano na gente. Mas, gente é também ideias, pensamentos, até desvarios... e os loucos tem em si uma humanidade demasiada...que para nós hoje é a única bateria para recarregar a realidade insana que sequestrou anos da nossa história.
A luta é estar vivo
Leonardo Vilar acho que mobilizar nas ruas não seria uma boa estratégia, principalmente porque somos os primeiros a defender lockdown de fato, distanciamento, isolamento estratégico e demais exigências sanitárias TÃO indispensáveis, meu amigo. E, CONCORDO COMPLETAMENTE, com o seu desejo latente de invadir as ruas do país que parece que está sendo mesmo ROUBADO das nossas mãos, enquanto parecemos ver inertes. Mas não pense que é inércia, porque neste momento é posição até espacial. O que os fascistas, demais inimigos da humanidade, que se apresentam no nosso cotidiano estão fazendo é ROMPER barreiras SANITÁRIAS e prescrições de saúde pública para chamar uma negação e um suicídio/genocídio generalizados. TEMOS QUE APRENDER NOOOOOOOVAS TÉCNICAS . Nunca foi preciso aprender com eles a lutar. Nossa luta é autêntica, é contemporâneo, é historicamente NOSSA. Esperançar é um verbo elementar, proposto por PAULO Freire, no auge da Ditadura cívico-militar. Enquanto NOS chamam de "acomodados", as sementes estão sendo LANÇADAS, a semeadura está regada de sangue, suor e lágrimas. Mas haverá PRIMAVERA. Não duvide. Se cuide MUITO, cuide de seus amados, de nossos camaradas de lutas e de armas. Estarmos vivos é GUERRA! Não confunda. Viver no meio desse holocausto é luta.
A esquerda NÃO ODEIA a Tabata, NÓS ABOMINAMOS a banalidade do mal que faz dela uma ARMA DE GENOCÍDIO sutil e perfumada. SIIIIIIIIIM! EU estou DECLARANDO que a postura PÚBLICA, a voz POLÍTICA que Tabata representa e O MANDATO DE DESSERVIÇO social que ela MANTÉM demonstram que está CLARAMENTE posicionada NA INÉRCIA da maldade que é o próprio governo do GENOCIDA. Por tanto quanto isso, EICHIMAN criou e foi APERFEIÇOANDO a MÁQUINA de holocausto que DIZIMOU milhões de JUDEUS incinerados. Não há como aceitar quem banalize em si o mal. O fascismo é como uma pele embaixo da roupa de "progresso". Tabata SABE EXACTAMENTE a conta que há de pagar. Escória.
sábado, 10 de abril de 2021
O feminismo não é um escudo de defesa de "mulheres ruins" ou de "qualquer mulher ". O feminismo é uma condição de que mulheres são humanas iguais a qualquer outro ser humano, portanto, defeitos e qualidades vão interagir. Porém, vem da visão feminista do mundo a certeza de que existe o patriarcado. O patriarcado é o sistema de opressão que esmaga mulheres e quaisquer pessoas em um nível social de inferioridade, por exemplo, indígenas, outras etnias colonizadas, negros e demais povos em refúgio pelo mundo - INCLUINDO crianças, que são alvos diretos da brutalidade desse sistema mundo a fora. No caso específico da tortura e do assassinato do menino Henry é bastante pertinente pensar que o próprio executor da criança, isto é, o vereador miliciano Jairinho, tenha TODAS as possibilidades do mundo de usar a sua influência para manipular tanto a visão pública sobre ele, quanto para abrandar a sua pena dividindo com ela como coautora ou cúmplice, o que no processo penal geraria, na minha opinião, uma injustiça irreversível à própria memória da vítima porque amenizaria a clara brutalidade do verdadeiro violentador e torturador dessa criança. Sabe-se , já dentro do processo, que mesmo avós, funcionários domésticos, professores e psicólogos estão sendo ouvidos dentro da perplexidade de INÉRCIA diante da situação. Todos se omitiram. Se você me disser que pior de todos no caso foi a mãe, eu posso lhe garantir, o garoto estaria vivo e salvo se o CONSELHO TUTELAR tivesse sido acionado, se o pai tivesse a possibilidade de reagir diante da situação e não deixar o filho retornar. Também não sei como o pai não percebeu que havia alguma situação difernete na saúde do filho que vinha passando por sessões de tortura. O que tudo isso significa? A violência do Estado PATRIARCAL diante de um homem prestes destruir um alvo. Quem poderia ir contra o poderio e a influência pública do filho de um dos milicianos mais fortes do Rio de Janeiro? Eu fico pensando se não há alguma relação na execução política de Mariele Franco que venha dos mandatos claramente inescrupulosos desses homens. Então, não é sobre defender ela. Mas sobre não deixar de olhar a profundidade em que isso chega, já que se ele tiver uma pena amenizada - pela manipulação da imagem pública e das adições no processo de "supostos" vestígios de que a mãe é também culpada - um homem realmente psicopata e genocida continuará seu mandato, com vistas a reeleição. Pode ter certeza.
sexta-feira, 9 de abril de 2021
A relação que mulheres têm com a "performance de inutilidade" é exclusivamente a de serem submetidas, só. Não há parte, parcela, metade. Não há. Homens podem rever seus própria conceitos de vida, pois é o nome desses "deuses" que se encontra ATÉ no OLIMPO da ciência. Então, mulheres não são nem " em parte" responsáveis. NÓS somos CONDENADAS à exploração por causa disso. Dá pra pensar que "são as mulheres de criam, cuidam, ensinam aos homens a serem quem são "? CLARO que não! Não mesmo. Esse sistema CHAMADO PATRIARCADO condena mulheres a "fantasias de privilégios " e coloca os homens no topo do poder, assim como seus pares - isto é, todos (até mulheres) que se mantém ou que colaboram para essa manutenção. Mas não podemos dizer que há uma generalidade de mulheres "parcialmente " culpadas. Não há. Mas há um imenso poder político, econômico, midiático e cultural reforçando isso. Como vamos mudar essa "realidade"? Em primeiro lugar, TIRANDO das nossas costas os homens que carregamos. Em segundo lugar, PARANDO de nos sentirmos as culpadas que devem (através do feminismo???????🤨) mudar a atitude, a mentalidade e a sistemática patriarcal de toda UMA SOCIEDADE. Em terceiro lugar, se amar, se cuidar, se escutar, se rebelar, se comprometer consigo, se proteger, se respeitar , ser a primeira a LUTAR POR SI MESMA - o que aqui é um sentido mais amplo: lutar em si por todas. Jamais NUNCA JAAAAAAAAAAMAIS devemos ser RESPONSABILIZADAS por EDUCAR MACHO, escutar as dores da sua masculinidade tóxica ou repercutir os discursos em que eles sejam o centro, com seus exemplos ESCROTOS , suas metodologias científicas MEDÍOCRES OU suas URGÊNCIAS em.mudar para que consigam conviver bem.conosco. SÓ essas pequeninas 3 certezas, MATAM O LEÃO e fazem com que sejamos AO MÍNIMO menos DESTRUÍDAS, ESMAGADAS e CULPABILIZADAS em nossas subjetividades, que são a nossa própria forma de viver. Então, só quero REFORÇAR, acabar com o patriarcado não significa UMA MULHER PEGAR A LUTA PARA SI E dizer aqui em casa eu vou fazer diferente com ele, ele assim poderá aprender.... NÃO! NÃO! NÃO! Isso é blábláblá de uma tendência liberal que coloca AINDA o homem no centro, até DAS DEMANDAS FEMINISTAS, DAS DEMANDAS de mulheres. Isso não dá. Comecemos por nos cuidar, nos amar, nos ler...se isso afastar homens que talvez se tornassem namorados, maridos ou integrante de uma pseudo situação "amorosa" conosco ...quer dizer BEM CLARAMENTE: talvez você não PRECISA da parceria afetiva romantizada de ninguém. Primeiro, CUIDE-SE e não deixe te CONDENAREM a escravização patriarcal.
quinta-feira, 8 de abril de 2021
Quer saber do que um vereador bolsonarista, cidadão de bem, defensor da família e dos bons costumes é capaz? Vamos ao caso de Jairo Souza Santos Junior, o Dr. Jairinho, médico e vereador eleito pelo partido Solidariedade no Rio de Janeiro.
“O foco de seu mandato está na restituição da dignidade ao cidadão pelo atendimento do poder público no quesito saúde, sem deixar de pensar na educação dos jovens. De espírito empreendedor, apoia as iniciativas que buscam a melhoria da qualidade de vida da população”, diz o seu perfil no site da Câmara.
Curiosamente, ele compõe o Conselho de Ética da Câmara de Vereadores do Rio. É suspeito de ter agredido e matado o enteado Henry Borel, de 4 anos, e foi preso junto com a mãe da criança, Monique Medeiros, por atrapalhar as investigações e ameaçar testemunhas.
Ao analisar o corpo da criança, a perícia constatou múltiplos hematomas no abdômen e nos membros superiores; infiltração hemorrágica na região frontal do crânio e nas partes lateral e posterior da cabeça; edemas no encéfalo; grande quantidade de sangue no abdômen; contusão no rim à direita; trauma com contusão pulmonar; laceração do fígado e hemorragia retroperitoneal.
É estarrecedor imaginar o sofrimento que essa criança passou, seguimos esperando que a justiça seja feita!!! Meus sentimentos aos familiares e amigos!!!
Isack Reis vc está dizendo que os dois são psicopatas, certo? Eu não concordo. Para mim, quem é o violentador, torturador e o assassino dessa crianças é o PSICOPATA vereador Jairinho que TEM muitas outras condutas da mesma espécie MALDOSA, ELE É um maldito assassino sim! Um psicopata não como os que se pensa em "TRATAR" ele é UM PREDADOR que alcançou nesse garoto e na mãe A OPORTUNIDADE DE SER o pior que conseguiu. Ele é cruel. Está PROVADO que é TORTURADOR, ASSASSINO. Mas todos ainda se questionam " Mas porque a mãe é pior...por que a ela não salvou o filho???" Me diga...esse MONSTRO é um PSICOPATA sabe qual a possibilidade de uma pessoa (mãe, babá, ou quem quer que seja) lidarem com ele. Nenhuma. O pai dessa criança TAMBÉM não teve culpa, mesmo tendo mostrado uma conversa em que a mãe do filho diz COM TODAS AS LETRAS que seria MAIS UMA NOITE DIFÍCIL porque o menino chorava e NEM QUERIA VOLTAR DA CASA DO PAI. Por que o PAI DEIXOU o filho ir????? Por que não se questionou ???? Se há uma conivência COMPULSÓRIA, uma coautoria CULPOSA dessa mãe que ela SEJA PUNIDA. MAS EU ESPERO QUE ESSE DEMÔNIO psicopata PEGUE TOOOOOOOOOODOS os anos de cadeia, VÁ PARA UM SANATÓRIO e NUNCA MAIS VOLTE AO CONVÍVIO SOCIAL ele é um predador de gente e ASSASSINO TORTURADOR DE CRIANÇA.
um perverso infanticida em ação ?
Dizer que a mãe do Henry, menino ASSASSINADO, foi ao salão friamente um dia depois da morte dele, é claramente uma tentativa de ESCONDER a MONSTRUOSIDADE do padastro, o assassino e manipulador de toda essa crueldade. Ele é VIOLENTO REINCIDENTE contra crianças, tendo nas mães as iscas para seus alvos, crianças.
depende muito do que está por trás. Esse tipo de assassino usa todo o seu aparato de coação, por exemplo, ele pode estar dizendo que para ele será muito mais branda a penalização, já que para todos os efeitos ela é cúmplice. O que eu fico imaginando é como, no outro relacionamento que ela tinha com o pai da Henry, ela não teria dado ao menos indícios de que era a favor de agressão em relação ao filho? Isto é, por que ela se colocou em uma situação tão manipulável na relação em que segue sendo ao menos aparentemente submissa? Isso pode estar relacionado ao fato de que as outras mulheres e demais testemunhas, que já estão dentro do processo como vestígios da personalidade violenta do (ainda) suspeito, tiveram dificuldades e até medo mesmo de dar depoimentos. No mínimo, esse suposto investigado, possui uma personalidade altamente perigosa, manipuladora e ameaçadora, o que em determinado contexto pode ajudar no aparente consentimento ou até "autorização " que se está tentando colocar na mãe enquanto isso será, claramente, uma proposta de negociação da defesa do acusado para fins de abrandamento de pena. Infelizmente, em termos jurídicos mesmo, a mãe teve indiscutivelmente conivência, mesmo que psicologicamente induzida. Porém, o assassino é, ao que se percebe, um reincidente em relação à agressão de crianças, que não estará nem constrangido se precisar fazer tal ação mais uma vez. Ele já dava indícios - segundo outras pessoas que já tiveram relacionamento com ele - de que possui um comportamento perigoso em relação às crianças. Por isso que eu acredito que ele seja um verdadeiro covarde, inescrupuloso.
domingo, 4 de abril de 2021
Um pequeno segredo de zaratustra: o ultra-homem não pode ser deus, nem por um dia.
Um prazer fantasiado de "sofrimento", conhecido como sadismo, é uma característica (não doença) em algumas pessoas, o que não tem nenhuma justificativa inata... Esse é o sadismo de caráter, de maldade mesmo e de ausência de humanidade em si. Às almas miseráveis que se agigantaram, se mostraram como uma monstruosa forma de atitude nesse vergonhoso brasil (paupérrimo em cidadania), apenas uma justeza de sentença se sabe: da mesma desumanidade que se veste o outro, será vestido a si mesmo. O genocídio à fascista é como um suicídio em um duelo de roleta russa no qual a primeira bala não mata o outro, mas atinge em cheio a própria cabeça - embora o prazer em imaginar que seria o outro o alvo destruído encha a mente de delírio. O delírio de ao avesso de um deus que cria, se sentir tão poderoso a ponto de ser o não deus que extirpa.
quinta-feira, 1 de abril de 2021
mono poli homo hetero gamia... o sexual e o amor no humano histórico
eu não consegui dizer que faz parte de uma das possibilidades das naturezas do sexual humano tão rico e plural em trânsito histórico. Eu penso , mas de maneira muito minha, que não há uma só definição como ser monogâmico ou ser polígamo... penso que ao longo da nossa vivência sexual as possibilidades acontecem naturalmente, em determinados momentos sendo mais um do que outro... como se fosse um continuum na jornada pessoal e não categorias fechadas que conseguem nos identificar. Então, é como se, para mim, não se pode chamar uma pessoa de monogâmica ou poligâmica porque ao longo da experiência de relações afetivo-sexuais foram vivenciados momentos mais monogâmigos ou mais poligâmicos. A homogamia, relação entre pessoas de uma mesma comunidade ou até família, por exemplo, é compulsória em alguns grupos étnicos, como judeus e também comunidades tribais (o que é identitário). Já a heterogamia é a realidade mais comum nas relações ocidentalizadas. Porém, não se pode tomar como definição ou rótulo, porque deveríamos ter o direito de experienciar as possibilidades sem passar pelo aval ou pelo silenciamento (até sufocamento) da opinião pública, sobre uma situação que deveria ser mais íntima no sentido autodescoberta mesmo. O que amei na tua postagens, como sempre, é a voz de construção de diálogos que você SEMPRE nos propõe. Você é, para mim, uma voz de abertura e emancipação. Eu só te agradeço por me acolher nesse caminho, onde tua sabedoria nos banha... te sinto sempre como um rio gigantesco sobre mim. Mulheres que tô morrendo de saudade do teu abraço abrigo. Obrigada por promover esse debate incrível. Para mim, é oportunidade de estar entre pares.
Eu tenho uma visão muito minha sobre esse assunto. Queria muito compartilhar porque acho que nessa postagem o essencial é o que não se pode mais ser calado, silenciado e apagado mesmo. Infelizmente, a experiência histórica precisa ser considerada sobre a interrelação pessoal afetiva, mesmo também esses termos sendo aparentemente repetitivos colocados assim. Então, o que se faz necessário para mim sobre isso é que monogamia, poligamia, heterogamia e homogamia são possibilidades na nossa jornada particular. Eu vejo mesmo que ser ou não ser mono, poli, homo, heterogâmico são estados transitórios, mesmo não sendo legitimados assim, por isso seja bem mais definida a monogamia nesse formato patriarcal de civilização em que nos encontramos. Porém, mesmo a monogamia precisa ser olhada com certa atenção porque faz parte da natureza sexual da gente; muito embora seja a versão artificial patriarcal de violência corpórea de monogamia como monopólio (exclusiva sexualidade com um par predefinido, como o casamento heterossexual teoricamente seria), a versão posta como única. Monogamia não é monopólio em si, mas monopólio é a parte de controle sexual feminino mais exercida pela mentalidade civilizatória centrada no binarismo machológico e, por tudo isso, machocêntrico. Isso não é estritamente sobre homens que impõe uma dominação sobre mulheres, mas sobre a concepção de mulher como objeto para o homem que assim, no capitalismo e no liberalismo, se torna o seu proprietário, com o aval político institucional da microfísica do poder patriarcal que entra em nossas casas, tranca os armários em que nos escondemos e rouba o lençol na hora da sessão de autoconhecimento.
Monogamia não é monopólio
Eu tenho uma visão muito minha sobre esse assunto. Queria muito compartilhar porque acho que nessa postagem o essencial é o que não se pode mais ser calado, silenciado e apagado mesmo. Infelizmente, a experiência histórica precisa ser considerada sobre a interrelação pessoal afetiva, mesmo também esses termos sendo aparentemente repetitivos colocados assim. Então, o que se faz necessário para mim sobre isso é que monogamia, poligamia, heterogamia e homogamia são possibilidades na nossa jornada particular. Eu vejo mesmo que ser ou não ser mono, poli, homo, heterogâmico são estados transitórios, mesmo não sendo legitimados assim, por isso seja bem mais definida a monogamia nesse formato patriarcal de civilização em que nos encontramos. Porém, mesmo a monogamia precisa ser olhada com certa atenção porque faz parte da natureza sexual da gente; muito embora seja a versão artificial patriarcal de violência corpórea de monogamia como monopólio (exclusiva sexualidade com um par predefinido, como o casamento heterossexual teoricamente seria), a versão posta como única. Monogamia não é monopólio em si, mas monopólio é a parte de controle sexual feminino mais exercida pela mentalidade civilizatória centrada no binarismo machológico e, por tudo isso, machocêntrico. Isso não é estritamente sobre homens que impõe uma dominação sobre mulheres, mas sobre a concepção de mulher como objeto para o homem que assim, no capitalismo e no liberalismo, se torna o seu proprietário, com o aval político institucional da microfísica do poder patriarcal que entra em nossas casas, tranca os armários em que nos escondemos e rouba o lençol na hora da sessão de autoconhecimento.
quarta-feira, 31 de março de 2021
Eu tenho uma visão muito minha sobre esse assunto. Queria muito compartilhar porque acho que nessa postagem o essencial é o que não se pode mais ser calado, silenciado e apagado mesmo. Infelizmente, a experiência histórica precisa ser considerada sobre a interrelação pessoal afetiva, mesmo também esses termos sendo aparentemente repetitivos colocados assim. Então, o que se faz necessário para mim sobre isso é que monogamia, poligamia, heterogamia e homogamia são possibilidades na nossa jornada particular. Eu vejo mesmo que ser ou não ser mono, poli, homo, heterogâmico são estados transitórios, mesmo não sendo legitimados assim, por isso seja bem mais definida a monogamia nesse formato patriarcal de civilização em que nos encontramos. Porém, mesmo a monogamia precisa ser olhada com certa atenção porque faz parte da natureza sexual da gente; muito embora seja a versão artificial patriarcal de violência corpórea de monogamia como monopólio (exclusiva sexualidade com um par predefinido, como o casamento heterossexual teoricamente seria), a versão posta como única. Monogamia não é monopólio em si, mas monopólio é a parte de controle sexual feminino mais exercida pela mentalidade civilizatória centrada no binarismo machológico e, por tudo isso, machocêntrico. Isso não é estritamente sobre homens que impõe uma dominação sobre mulheres, mas sobre a concepção de mulher como objeto para o homem que assim, no capitalismo e no liberalismo, se torna o seu proprietário, com o aval político institucional da microfísica do poder patriarcal que entra em nossas casas, tranca os armários em que nos escondemos e rouba o lençol na hora da sessão de autoconhecimento.
domingo, 28 de março de 2021
Conta a tradição cristã a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém. Sentado sobre um burrinho, foi saudado pela multidão em delírio. Os evangelistas narram que foi recebido por gente que estendia as suas vestes sobre o chão poeirento. As patas do burrinho pisavam os ramos das árvores espalhados para enfeitar seu caminho. Adiante dele, os devotos clamavam, entre delírio e brados de amor e fé: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!
Menos de uma semana depois, o mesmo Jesus Cristo estava morto. Após humilhações públicas e torturas, foi crucificado – a mais degradante morte que o Império Romano destinava aos que infringiam a Lex Julia Majestatis. Horas antes fora traído, negado e abandonado pelos amigos mais próximos; vira o governador Pilatos lavar as mãos em público e a multidão preferir salvar um conhecido criminoso. Dos que o saudaram dias antes, nem sinal. Na hora decisiva, amargou plena e profunda solidão, a beber vinagre quando estava sedento, a ver suas roupas serem sorteadas entre desconhecidos. Aos pés da cruz, apenas sua mãe e alguns raríssimos amigos.
Jesus não é caso isolado na história da humanidade. Antes e depois dele, oradores, filósofos, poetas, astrônomos, imperadores e modernos cientistas desabaram da glória ao subsolo. De Julio Cesar a Bonaparte; de Hipatia de Alexandria e Alan Turing; de Sócrates a Oscar Wilde.
É do temperamento coletivo a frivolidade. As multidões mudam de opinião ao sabor das circunstâncias. Hoje, herói aplaudido; amanhã pária, candidato à negação pública. Basta uma palavra mal posta, um gesto impensado, uma contrariedade a um tirano.
Em tempo de redes sociais, o fenômeno é ainda mais rápido. Instantâneo, por vezes. É um constante perseguir de popularidade, uma permanente fixação pela ideia de ter milhares de amigos. Ilusão. Modas passam, gostos mudam, os queridinhos da vez cedem lugar aos novos e – já disse o poeta – a mão que afaga também apedreja. Ai de quem se apega.
Mais que isso. Nossas vidas, a virtual e a real, são ruidosas. Pouco permitem que desfrutemos de nossa própria companhia. Estamos sempre a nos reunir, festejar, visitar, numa sucessão de compromissos. Em todos os intervalos, celular à mão, inclusive na cama, antes de dormir. Ao acordar, lá está ele, bem ao lado, na cabeceira, com sua vertiginosa espiral de novidades e emoções. Curtir, comentar, reagir, replicar, comprar brigas, bloquear, adicionar e começar tudo outra vez. As horas escorrem rápidas e nunca estamos sós.
A quarentena impôs uma solidão nova, um obrigatório estar consigo mesmo. Mudança grande. Sem as demais atividades, restou-nos horas demais para a vida virtual. E ela cansa, consome. Por isso estranhamos. Mesmo os que estão acostumados a viver sós se inquietam.
É que farejamos o perigo. Neste terreno pantanoso do olhar para si mesmo, não há certeza da pisada. O que vemos no espelho é mistério e, vá lá, um certo medo da descoberta.
A questão que pulsa nos subterrâneos do espírito humano não é dita em voz alta: e se faltassem, em meio a tudo isso, as muletas que carregamos? Se não houvesse filmes, séries, energia elétrica, livros, parentes, amigos? Qual seria a nossa reação? Haveria algo em nós capaz de sobreviver a tal paisagem desolada sem enlouquecer de tédio, sem amargar revolta?
A resposta a essa pergunta é reveladora – e cabe a cada um, óbvio. O saber estar consigo mesmo – arte algo esquecida em meio às modernidades tão sedutoras – é essencial quando se pensa em meditação, tranquilidade da alma. A propalada mente calma nada mais é do que adaptação às circunstâncias, autocontrole, resiliência. Ela não se curva ao desespero, mesmo em meio à adversidade. Sabe que cólera, medo e paixões desenfreadas são péssimas conselheiras.
Alcançar este estado de graça é um árduo e longo caminho. Exige treinamento, perseverança, disposição. E, se há de começá-lo, que seja agora, pois, creia-me, será necessário uma hora ou outra.
Neste exato instante, em hospitais do mundo inteiro, há gente isolada. Sem televisão, sem celular, sem viva alma para conversar. Nas UTIs dos mesmos hospitais, muitos morrerão sem que a mão de um ser amado se despeça ou traga conforto. Sozinhos.
Estes não escolheram a solidão. Outros a desejaram.
Sócrates morreu cercado de discípulos, mas, a rigor, estava só. Não havia ali quem estivesse em comunhão com a sua serenidade. Os discípulos estavam aflitos e ele teve de lhes dar exemplo de fidelidade às próprias ideias. Suas horas finais foram usadas para demonstrar o valor de suas teses. Não queria choro ou descontrole. Bebeu a cicuta até a última gota, sem que a mão tremesse. Na hora final, pediu que lhe cobrissem o rosto. Queria a solidão de si mesmo. Não se consegue isso de uma hora para outra.
Na história narrada nos evangelhos ocorre exatamente o mesmo. O Jesus que morre é ainda o homem que ensina, perdoa e exemplifica, apesar do corpo que se finda entre dores. Uma de suas últimas frases é emblemática: Eli, Eli, lamá sabactani (Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?). Não é um pedido de ajuda, nem reclamação. Estava apenas recitando antigo Salmo, o 22, que inicia com esta exata frase.
O poema de Davi fala de um homem desprezado, cujas vestes foram repartidas e as forças secaram. Um homem que morre sozinho e faz da finitude um instante de poética contemplação: “Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas.(…) Mas tu, Senhor, não te afastes de mim. Força minha, apressa-te em socorrer-me“.
Os instantes finais de Jesus são voltados inteiramente para si; a divindade e companhia que evoca estão nele mesmo.
O que fez não é impossível para nenhum outro ser humano. Preparar-se para isto é o desafio que hoje se põe à mesa.
Coragem, pois. Ao olhar no universo de si mesmo, pode-se descobrir galáxias e nebulosas, planetas que giram docemente, estrelas de alta magnitude. Talvez seja assim que o homem aprende a se amar e a estar feliz consigo.
***
Ilustração. Edward Hopper. Morning sun
feminista do bbb
A gente ensina MULHERES que elas SERÃO imediatamente PUNIDAS... é certeza de SÚBITA condenação...
Mas aos homens...as chances , as muitas (até infinitas) OPORTUNIDADES são a todo momento renovadas...
Notem... as mulheres que estão DENTRO do confinamento OUVIRÃO - se for a saída de MAIS UMA MULHER - que ELAS estão SEMPRE erradas...
Mesmo aquelas MAIS SEGURAS DE SI vão ENTENDER - pela clareza da RESPOSTA DE UM PÚBLICO - que ELAS não têm segunda, terceira, quarta, décima, enésima CHANCE...
Mas quem sai GANHANDO mesmo...é o MACHISMO, o patriarcado e a MISOGINIA porque defendem homens CONDENANDO TODO DIA MAIS UMA MULHER.
(essa é só a minha opinião, não é uma verdade absoluta. RESPEITO completamente visões diferentes, CONTANTO QUE não se promova o fascismo, o bolsonarismo e o genocida)
Foucault e abuso
Gente, vocês viram isso? Uma verdadeira bomba. Gravíssimo, caso se confirme. Segue o texto para quem não é assinante:
Filósofo que exerceu grande influência sobre intelectuais contemporâneos, Michel Foucault seria um pedófilo que teria feito sexo com crianças árabes enquanto viva na Tunísia no final dos anos 1960. A bomba foi disparada pelo escritor e professor franco-americano Guy Sormon, que contou ter visitado Foucault nos arredores de Túnis à época.
A referência de Sormon aos crimes sexuais do filósofo francês, que morreu em 1984 aos 57 anos, foram publicadas este mês em seu livro "My dictionary of bullshit" e depois reiteradas pelo autor em um programa de TV. O apresentador ficou pasmo: “Você está falando de Foucault, para você um pedófilo, algo que as pessoas não costumam lembrar quando falam dele”.
Sorman, de 77 anos, disse que visitou Foucault com um grupo de amigos em uma viagem de férias de Páscoa no vilarejo de Sidi Bou Said, onde o filósofo morava em 1969. “Crianças pequenas corriam atrás de Foucault dizendo 'e eu ? me leve, me leve'”, lembrou ele em entrevista ao jornal britânico "The Sunday Times" deste domingo.
"Eles tinham oito, nove, dez anos, ele estava jogando dinheiro com eles e dizia 'Vamos nos encontrar às 22h no lugar de costume'". Este, ao que parece, era o cemitério local: "Ele faria amor lá nas lápides com meninos. A questão do consentimento nem mesmo foi levantada".
Sorman afirmou que "Foucault não teria ousado fazer isso na França", comparando-o a Paul Gauguin, o impressionista que fez sexo com meninas que pintou no Taiti, e André Gide, o romancista que perseguia meninos na África. "Há uma dimensão colonial nisso. Um imperialismo branco".
Sorman disse lamentar não ter denunciado Foucault à polícia na época ou denunciado na imprensa, chamando seu comportamento de “ignóbil” e “extremamente feio moralmente”.
Mas, acrescentou, a mídia francesa já sabia sobre o comportamento de Foucault. “Havia jornalistas presentes naquela viagem, havia muitas testemunhas, mas ninguém fazia histórias assim naquela época. Foucault foi o rei filósofo. Ele é como um deus na França."
Foucault, filho de um cirurgião, foi um dos primeiros intelectuais célebres do século XX, autor de obras que até hoje seguem como referências absolutas na academia, como "Vigiar e punir", "Microfísica do poder" e os volumes de "História da sexualidade". O filósofo também é lembrado por assinar uma petição em 1977 para legalizar o sexo com crianças de 13 anos.
A biografia mais conhecida dele, "The passion of Michel Foucault" (1993), de James Miller, descreve seu interesse pelas casas de banho gays e sadomasoquistas da América — ele foi uma das primeiras figuras assumidamente homossexuais na vida pública e morreu de Aids — mas não menciona suas experiências sexuais na Tunísia.
As afirmações de Sorman surpreenderam especialistas na Grã-Bretanha, onde o último volume da história da sexualidade em quatro partes de Foucault acaba de ser publicado pela primeira vez em inglês. Para Sorman, o comportamento de Foucault era sintomático de um distinto mal-estar francês que remontava a Voltaire. “Ele acreditava que havia dois princípios morais, um para a elite, que era imoral, e outro para o povo, que deveria ser restritivo.”
Ele continuou: “A França ainda não é uma democracia, nós tivemos a revolução, proclamamos uma república, mas ainda há uma aristocracia, é a intelectualidade, e ela teve um status especial. Qualquer coisa serve." Agora, porém, “o mundo está mudando repentinamente”, acrescentou Sorman.
O intelectual disse, no entanto, que Foucault não deve ser “cancelado”. “Tenho grande admiração por seu trabalho, não estou convidando ninguém para queimar seus livros, mas simplesmente para entender a verdade sobre ele e como ele e alguns desses filósofos usaram seus argumentos para justificar suas paixões e desejos”, disse ele. “Ele achava que seus argumentos lhe davam permissão para fazer o que quisesse.”
sábado, 27 de março de 2021
holocausto brasileiro de pandemia
O lockdown termina segunda...
O kit intubação dura pouco
A vacinação é lenta...
A Páscoa NÃO PODE ser comemorada
A pandemia e os traumas VÃO ENSINAR mais do que a gente imagina.
Não é preciso chorar pra sofrer , uma sábia MULHER brasileira declarou.
CUIDEM UNS DOS OUTROS porque não está nada fácil lutar ATÉ ENLOUQUECIDAMENTE contra tanta barbárie.
Humanidade tá enfraquecida...
Que a "economia" seja salva para que AS VIDAS PERDIDAS possam ser SACRIFICADAS nesse holocausto brasileiro de pandemia.
Não está fácil sentir a dor de tanta gente e permanecer sendo chamada de "egoísta" porque não passa fome.
Ser obrigado a escolher entre passar fome e estar vivo NUNCA DEVERIA SER UMA ESCOLHA... isso já é CRUELDADE, injustiça, INSANIDADE, sabe.
Que as nossas energias não sejam exauridas, que a gente permaneça SENTINDO, SOFRENDO, tendo empatia.
Ser insensível, anestesiado ao mal desse mundo contra todas as coisas viventes (natureza, animais, gente) É ESTAR um pouco desumano.
Eu prefiro perder sentindo, sendo humana, exageradamente humana...do que vencer com cemitérios repletos de amores da vida de tanta gente como eu.
Antes da Páscoa, vimos com Jesus, houve a MALDADE e a INJUSTIÇA. Um homem foi crucificado mesmo sendo inocente, entre dois homens que eram apenas ladrões.
Estar entre "ladrões", para Jesus, era mesmo MELHOR do que entre RELIGIOSOS, POLÍTICOS, RICOS e até entre amigos e familiares... porque HUMANIDADE é uma luta diária e dignidade não pode ser negociada, parcelada no cartão.
Não quero ovos de chocolate...não há porque comemorar com o banquete.
Porque o banquete do amor NÃO ACONTECE enquanto há mortes constantes, sem nenhuma solução...
Isso é holocausto, genocídio...
Eu não como nessa mesa e nem desse pão.
Eu sou radical, meus amigos.
Sou radicalmente GENTE, não tem um ser humano que não me seja parente.
O mundo chora a dor da gente...e eu sou oceano. Não tem ainda porque controlar meu luto. Que a maldade não se aproxime de mim, eu tenho um propósito em continuar viva para que não tirem amor por gente que carrego comigo.
Ser amor incansavelmente.
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