sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Resenha: o patriarcado NAO ME DEFINE

E o lugar de ser a "mulher dele" é tão escravizado, sabe... ela é mulher porque foi "feita" na relação com "ele". Isso nem é cristianismo, nem medieval, nem colonialismo aos moldes europeus ocidentais... É a escravidão das nossas ancestrais há milênios,  por exemplo, no Oriente Médio Próximo (Mesopotâmica,  Babilônia, Assíria, etc.). É um nível de subjetivação tão primitivo que considerava as mulheres como seres atrelados ao domínio de seus "donos", proprietários,  pais, maridos, familiares, etc. É o patriarcado na sua essência. Destruir esse tipo de mito é a maior subversão que uma mulher pode chegar para si mesma. Como diria a Nina Simon, "eu tenho a mim mesma". Não sobre solidão ou sobre não ter uma relação interpessoal afetiva, é sobre autonomia. " Um homem não me define, minha carne não me define, minha casa não me define, eu sou o meu próprio lar", "Triste , louca ou má" na prática.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

rede de afeto

A rede de apoio... infelizmente não é a rede social... é quem vai entender que não precisamos de conselhos, muito menos de julgamentos... A quem tiver qualquer situação delicada de saúde mental, somente a compreensão MUITAS VEZES SILENCIOSA, só no olhar, no abraço e NO RESPEITO já faz parte da cura. 
Falar NÃO É NADA FÁCIL,  por isso psicólogos são profissionais responsáveis, sobretudo, POR ESCUTA, ACOLHIMENTO, CUIDADO E ACOMPANHAMENTO no processo de AUTOCONHECIMENTO.
MUUUUITAS vezes não é a pessoa quem precisa de cura, mas seu ambiente familiar, seu círculo afetivo (amores e amigos), sua cultura sobre ser o que se é,  sobre lugar de mulher e  lugar de amor.  
Drogas são resultado de transtornos, muitas vezes, evitáveis por um acolhimento afetivo não perfeito, mas atencioso. E não estou falando daquelas drogas que "querem liberar", estou falando de BEBIDA ALCOÓLICA usada ABUSIVAMENTE e celebrada nas redes sociais (do bem). Alcoolismo, substâncias psicoativas (até remédios para ansiedade,  insônia,  depressão) TUDO SE TORNA PERIGOSO quando é preciso ser cuidado e a mente repete a mesma ideia de ABANDONO.  
Entre tantas formas de desigualdades sociais, pobreza, ódio contra gays, lésbicas,  trans, racismo , PRECONCEITO com pessoas que possuem peculiaridades genéticas ou cognitivas, etc.
O cotidiano incentiva o sofrimento que parece não ter fim. Não seja mais uma pessoa que está no motivo de suicídio até de quem você ama.

fome

Por isso que entre a fome e a vontade de comer o abismo se chama capitalismo genocida.  Não se come mais o alimento, mas o símbolo que ele representa dentro da sociedade do espetáculo e da autoafirmação, o status quo do capital é a marca e não a necessidade. Então, quem precisa comer terá o que os alimentos simbólicos não dão. E quem se direciona para saciar a vontade de ser alguém que "come bem" também de fato nunca tem o anseio satisfeito. No mundo da satisfação como imagem (foto para ser curtido por exemplo), ninguém está de fato suficientemente satisfeito, todos temos fome, fomes diferentes e nenhuma é melhor do que a outra, mas há fomes que são mais urgentes. E o prato de comida sem um pouco de arroz e de feijão  não ganha nenhuma admiração.  Recebe invisibilidade e desprezo,  mas está na sombra do prato que transborda e deixa cair no chão.  A colonização da percepção humana da fome causa a desnutrição da humanidade, a banalização das mortes por miséria e a desumanização de quem não "pode" ter nem vontade de ser gente.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

A pseudociência atrasa a ciência. 

Imagine ser um cientista pesquisador, e, ao invés de trabalhar na investigação de possíveis curas do câncer, ter que parar tudo para iniciar uma nova pesquisa para descobrir se um composto químico pode curar câncer, porque ele caiu na mídia. O resultado, obviamente, é que o composto não cura câncer. Mas esse é apenas UM resultado da pesquisa. Além do veredito, a pesquisa causou movimentação de dinheiro, de pessoal, equipamentos, políticas, e tempo - elementos preciosos na corrida científica contra doenças mortais.

A cada nova teoria mirabolante espalhada por gente ingênua, mais tempo cientistas e educadores precisam perder para desmentir as fraudes, ao invés de usar esse tempo para fazer avanços. 

Cura com cristais, imposição de mãos, homeopatia, constelação familiar, cloroquina, radiestesia, design inteligente, entre outras, são pseudociências tão populares, que precisam movimentar um mercado inteiro de pesquisas para provar o que o simples bom senso poderia admitir em poucos segundos: que não funcionam. Que não se baseiam em princípios biológicos ou químicos. Que não têm pé nem cabeça. Que não poderiam funcionar, porque não têm lógica.

Para se ter um ideia, universidades religiosas ao redor do mundo já gastaram milhões para estudar se orações seriam capazes de curar  câncer. A pesquisa é tão sem sentido, que mesmo o cálculo do resultado ficou confuso e difícil de concluir. 

Ao invés de partir do ceticismo, a população geral parte da crença. Invertem o ônus da prova, e pedem que a ciência vá atrás de provar que suas alegações fantásticas são falsas. Pedem que se prove a ineficácia antes mesmo de haver alguma eficácia comprovada. 

E assim, cientistas de todo o mundo precisam abandonar seus trabalhos que poderiam salvar milhões de vidas, para tentar engarrafar o vento de ideias absurdas e mentirosas que caem no gosto do cidadão médio sem conhecimento básico de ciência. 

Uma pessoa que tem noção da realidade não precisa de estudo para saber que homeopatia é uma farsa. Basta saber que "reverberação a níveis subatômicos" é uma afirmação ridícula e sem qualquer conexão com física. Qualquer um que sabe o mínimo sobre pesquisas com aceleradores de partículas sabe que o nível subatômico ainda é um campo quase desconhecido, e que, portanto, nenhuma "medicina" milenar seria capaz de afirmar qualquer coisa embasada em ciência.

E para aqueles que insistirem que é preciso ter fé e considerar a experiência individual com tratamentos alternativos, apenas insisto: você não sabe como a ciência funciona. 

Parem de criar curas milagrosas. Deixem a ciência trabalhar em paz.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

vai pro caralho

Ninguém está preocupado com o suposto "chifre" de ninguém,  o que se quer é DIFAMAR E DEPRECIAR A IMAGEM DE UMA MULHER.  Não podem mais nos apedrejar impunes porque aqui "tá fora de moda", mas podem nos ASSEDIAR MORALMENTE POR MEIO DAS REDES SOCIAIS. Sempre lugares muito tóxicos para mulheres e, principalmente,  terríveis espaços discursivos sobre relacionamento porque acolhem e fomentam a HETERONORMATIVIDADE COMPULSÓRIA, isto é,  a relação em que um domina e o outro é dominado. Uma forma colonizadora de afetos, adoecedora e destrutiva. Casais homoafetivo ou não heteronormativos são clandestinizados, hostilizados e até perseguidos por amigos ou familiares nas redes sociais. Em pleno setembro amarelo, eu que ia lembrar da moça que casou consigo e em seguida se suicidou, como se estar sozinha ou ser "deixada" por um homem fosse o fim da vida de uma mulher. Uma sociedade doente que estimula suicídios, discriminação,  assassinatos e muitas formas de violência  verbal, psicológica, moral é, por tudo isso,  simbólica.  Eu fico encaralhada com essas frescuras.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Infelizmente ,  muitos são os colegas (professores) nas escolas públicas do Brasil que se colocam no lugar de moralizadores, e isso é, ao meu ver, antiético e, dependendo da situação,  anti-humanitário. Há,  nas salas de aula, performances carregadas de uma ideologia teocrática ,  tecnocrática,  misógina e obscurantista. Precisamos também melhorar enquanto educadores as nossas concepções de humanidade,  urgentemente.  Não sei se isso é algo que eu ouço nas salas de professores que já frequentei ou que frequento... mas é tão comum que causa desânimo.  Aos professores,  deve ser garantido o livre direito de cátedra sem jamais esquecer que somos fontes de repercussão cultural.  Devemos cuidar bastante da nossa capacidade ética e nunca relativizar direitos humanos, tais como o direito ao aborto seguro conforme previsto em lei, para além de quqluer credo que possamos adotar. Nossos alunos não podem ser recrutados  e influenciados por nossas ideologias quando essas são atentados à própria humanidade.  Então,  é preciso cuidar da concepção dos educadores , principalmente nas escolas públicas onde se inscrevem discursividades conflitantes, em pleno diálogo,  mas não a ponto de legitimar desumanidade.  A educação deve ser para humanização e  não mais um meio de manter a barbárie.

terça-feira, 2 de junho de 2020

 eu gostei bastante da discussão que você proporcionou na postagem da Cássia Nascimento porque faz algum tempo que alguns filósofos (no Brasil, Luis Felipe Pondé) já estão tratando da concepção de democracia. Desde a Grécia, origem etimológica do termo, não se tratava de um governo realmente do "povo", era apenas a representação das intenções coletivas de uma parcela da população que se considerava representativa. Aí já vemos que a proposta de democracia nunca foi plena, como a tradução literal costuma insinuar. Alguns estudiosos, por exemplo, tratam da condenação de Sócrates dentro da democracia ateniense como uma fratura na ideia de "poder popular", já que esse filósofo tinha uma autonomia clara em relação ao governo institucionalizado (ele era contrário a essa forma de governo). Sem tentar impor verdades, eu queria mesmo que se fizesse uma reflexão crítica sobre a própria viabilidade da democracia como ela se estabelece dentro do neoliberalismo que se torna cada dia mais tirano. Me parece uma tirania "legalizada" pela forma de governo pautado em liberdades individuais que se cristaliza, o que é possível dentro das democracias liberais no mundo todo. Quando comparado ao sistema republicano romano, por exemplo, nossa também chamada república é repetitiva porque elege formas de ditaduras em que há um representante militarista (um líder) que concentra as decisões sobre as demandas coletivas e não é justo obviamente. E, no caso da República, houve um pretenso deslocamento do poder centralizado, o que jamais chegou a ser compartilhado em nenhuma parte do mundo "civilizado". A questão de gestão que você colocou é realmente a concretização desse sistema. Governo, Estado e Gestão não são a mesma coisa. E no Brasil nenhum dos três funciona em relação ao bolsonarismo. Apesar de tudo, acredito que o debate sobre a forma de governo precisa começar a ser levado a sério no nosso país. Muito implosiva essa forma de presidencialismo na qual se proporciona autoridade máxima a uma figura (liderança). Essa concepção está antiquada e não nos garante mais direitos (nem à maioria da população). Embora, desde a República Velha, saibamos que nossos senadores, as "vossas excelências" aqui são de uma origem saqueadora da pátria (Machado de Assis não apoiava o republicanismo por isso), temos que testar alternativas. A era Temer-Bolsonaro nos constata que o liberalismo é genocida e qualquer forma de governo que se baseie apenas nele também será assim. Espero que a pluralidade de representação nas diversas instâncias seja um caminho para um governo melhor no nosso país.
Por favor, pessoal, vamos parar de propagar esse tipo de discurso do nazista. O que ele quer é propaganda gratuita, e nós sem querer fazemos! Parem! Parem com isso! Ele quer publicidade para o ódio, espalhar dor! Tem muita gente que ao ver ou ouvir isso sofre MUITO e isso é combustível para o nazismo. Nazismo gosta de SOFRIMENTO EM MASSA. Uma, duas ou estas e aquelas pessoas morrendo e sofrendo para o Nazismo é nada. Espalhar dor e sofrimento é o que o fascismo mais gosta. Parem! Por favor não propaguem!

sábado, 23 de maio de 2020

Fascismo na América do Sul

E que esquerda é essa?! Parece que fazer propaganda eleitoral é mais lucrativo - sendo que esse adjetivo chega a ser ofensivo para quem é realmente da esquerda - do que derrubar o fascismo em franca instauração. A mim, não me importo que este ou aquele legalista ou parlamentarista seja uma proposta em um regime de transição até a próxima eleição presidencial (que eu gostaria que fosse para ontem, mas não pode ser). A mim, me importa que a gente não seja assassinada em um sistema genocida que mais parece um holocausto sul-americano do que qualquer outra coisa. Haverá uma diáspora da nossa gente enquanto essa tirania estiver vigente. E, aos povos tradicionais que não podem sequer se mover pois estão sitiados, nos resta chorar e sangrar em bandeiras funestas. Infelizmente, somos um país anestesiado e a banalidade sucumbe já muita gente. Então, lutar com agressividade, exigindo o impedimento é a única saída. #ForaGenocida #ForaBolsonaro #ForaFascista

segunda-feira, 18 de maio de 2020

E ainda colocam a nutrição nesse lugar de descaso em que vemos no mundo. Saciar a fome, nesse tipo de mentalidade, é secundário porque a vontade de comer é demonstração de poder. Nutrir as pessoas de maneira digna não é um objetivo, ao contrário disso, é o privilégio de poder comer o que se quer que seduz e, realmente, domina a mentalidade. Precisar se alimentar, como acontece com as crianças recém-nascidas é uma posição de inferioridade política a ponto de ser silenciada e apagada qualquer voz nesse sentido. O patriarcado não quer "matar a fome" com uma variedade de comida, quer saciar a própria gana de ver a escassez de alguns alimentar a sua tirania. Quem pode come, quem não come é desigual e está submetido a morrer sem saciar desejos elementares, como o desejo de ser ouvido e visto. Para mim, o sistema patriarcal é um núcleo de desumanidade.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Nenhuma novidade. Nas crises domésticas TODOS SABEM QUE É ASSIM. Somos adestradas para "dar conta" das coisas enquanto os homens se lançam em maravilhosas aventuras. Os heróis não são só invenção, são em certa medida mentira, ao menos os das telonas.  As mulheres vencem guerras constantes e aprendem a comunicar medo e cuidado desde cedo. Elas sabem ser porta-vozes de gente comum, já os super homens estão a mercê do mito, que lhes fez o que são, protagonistas de uma cultura de hipocrisia.
E isso não resultado de informação, mas de amedrontamento. Sim, a população está amedrontada e o medo segue impune. Enquanto em uma esperteza manipuladora alguns "vendem" milagres, na tv aberta (maior canal de informação) o entretenimento se tornou cruel. A arma para combater o vírus poderia ser a informação, mas o que se percebe é alarme. Alarde também. Alarme que gera por um lado paralisação e por outro negação. A prova disso é o efeito de ansiosidade na gente. Assistir jornal de tv aberta virou teste psicotécnico para guerra, embora eu suspeite de sadismo e masoquismo. Uma população carente de educação e naturalmente manipulável é mais que isca, é o alvo da guerra das forças, quem aliena mais. Para mim, a falta de uma linguagem realmente acessível e didática na imprensa desencadeia amedrontamento, aparelho ideológico de um Estado tirânico. Enquanto há os que inventam curandices para angariar a atenção de quem se desesperar tanto que nega. Nega com veemência. O bolsonazismo existe e é uma mentalidade genocida, não é nenhuma invenção isso. Mas "a única saída é pela alarmamento da população", não é bem o que vejo. Não se ensina "tocando o terror", há ao contrário disso uma didática da esperança, entusiasmada por Freire na luta pela emanciapação e da cidadania. Por que seria diferente neste caso? Até carta suicida vale a pena reverberar contra o insano... Que se tornou presidente em uma narrativa de salvaguardado de uma facada pavorosa. Agora o pavor é um vírus potente e a gente é imunizada pela negação ou pelo medo irrefreante? Talvez. Não vejo com bons olhos a forma como a informação anda sendo promovida no Brasil. Parece um espetáculo de terror. Isso não é eficiente, já se vê há tempos. Estava na hora de mudar a forma de falar com a nossa gente simples e que realmente precisa acreditar que é vontade de salvar e não de nos matar mais rápido o que fazem...
A linguagem da tv aberta no Brasil é orientada pelo despertar do medo. Primeiro, medo de ser brasileiro agora. Segundo, medo de ser pobre. Terceiro, medo de ser infectado. Quarto, medo de infectar. Quinto, medo de tudo. Sexto, medo de números. A lista vai longe. Até medo do "presidente" tem. Tudo é uma motivação para o medo que por hora move a população. Umas são movidas para o alerta, outras para a negação. Faces de uma informação sem piedade das desigualdades entre as massas. Vejo os programas de televisão e entendo como há tanta alienação. Enquanto a tv aberta trata em rede nacional com a banalização do amedrontamento da gente, há os espertalhões que trabalham no "acolhimento" das formas não remediadas de medo. Explico-me: enquanto quem deveria informar, espetaculariza a dor e o sofrimento através do medo para provavelmente conter à força o inimigo (que é simplesmente nesse caso o governo); há quem se aproveite e venda até "bago de feijão" milagroso, curando as famílias impotentes. Então, esse é o resumo. Não há didática na estratégia da mídia em vencer seus inimigos. Não há pedagogia ética da informação tentando acolher a natureza humana da população. Há alarme tocando enquanto uns são levados e outros são pisoteados, não há certeza quem não irá ou quem sofrerá com isso. Por isso, profissionais da saúde não sentem redução. O governo federal é realmente genocida. O medo é intuitivo e ao mesmo tempo real nos brasileiros, mas a imprensa não informa, encrenca. Isso é bem notável. Dizer na língua da gente que morrer não é o único caminho previsível perdeu a graça.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Meu chefe colocou no grupo de trabalho que esses tempos exigem do professor mais expertise e "um estúdio" para que possam executar a profissão de maneira satisfatória. Perguntou no grupo quem dominava três instrumentos: flash, PowerPoint e animações. Na lista de mais de 100 educadores, a maioria a declarar domínio pleno foram homens, uma maioria evidenciadora. Enquanto estamos ajudando nossas famílias durante essa quarentena, cuidando da casa, colaborando e até nos dedicando aos cuidados com as crianças, os homens estão se aprimorando profissionalmente, porque as casas são para as mulheres como a casa grande aos escravos, nossas celas de exploração. "O que vamos fazer pra mudar isso?" É só o que a minha mente inflamada grita. "Vamos nos aprimorar nas horas em que eles descansam..." E vamos sangrar pelo nosso lugar. O mundo nunca foi fácil para mulheres mesmo!

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Cada um tem uma receita que cura... Não tem problema... Vamos nos curando... Que a cura não seja uma única promessa, não tenha um único jeito e não seja uma única saída... Que a minha cura esteja mais perto do que eu possa imaginar e que a sua cura chegue a tempo... Cura é uma palavra libertadora!
#FiqueEmCasa ❤️

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Que verdade perfeita! Muitas vezes, olhar para o outro e motivar a sua competência, nada mais é do que elogiar para que continue nos servindo. Infelizmente, isso é muito comum nas relações que temos com as mulheres (seja entre homens e mulheres ou entre pares). As mulheres são tão incentivadas a determinadas características exaustivas que só se percebe que a finalidade era a servidão através do incentivo cínico do elogio depois que ela cai de tão explorada e é condenada no imediato momento. Como se não tivesse prestado pra nada...

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Eu queria dizer que tanto concordo quanto cada vez mais vejo o meu lugar de branca (embora periférica) gritar seus privilégios. Sou das únicas entre as amigas que demorou para trabalhar, demorou para se sustentar, não pega quase em uma vassoura mas foi cuidada por empregadas e babás. Mamãe trabalhou a a minha infância inteira, regada em um lindíssimo lema "estudem para que não dirijam fogão, não crio filhas para que sejam pilotos de fogão". Foi o exemplo mais revolucionário, porém com uma dose de cruel ao mesmo tempo. Queria explicar o que pressinto hoje, mas nem consigo enxergar com exatidão. Não consigo morar sozinha porque dependo afetivamente da minha família que depende afetivamente de mim. Um ciclo adoecedor. Mas, para além dessa prisão familiar comum no patriarcado (brancocêntrico), percebi que na minha casa relacionamos diretamente trabalho doméstico ao desprezo que temos pela histórico desse trabalho, isto é, por racismo. É um racismo forte na minha família imaginar mulheres, brancas, criadas para serem as patroas sendo as "donas de casa que fazem tudo". Se não somos quem cozinha, advinha quem faz? Se não somos quem cria os filhos, quem fará por nós? Se queremos alçar vôos extraordinários na Academia, quem nos sustentará? Infelizmente, a resposta é devastadora. 😣 Eu sempre achei lindo o fato de eu me sentir muito feminista, com uma mãe como exemplo de mulher que não é "do lar". Foi quando caí na real. Aqui em casa não lutamos por libertar mulheres. Não. Só a nossa própria ascensão é objetivada. Se para isso outra mulher, em geral negra e periférica tiver que ocupar esse lugar, não nos revelaremos. É duro dizer com todas essas letras, mas o racismo no patriarcado é alma do negócio. Sem uma emanciapação de TODAS as mulheres, iniciando pelas negras e minorias (indígenas, ribeirinhas, amazonidas, quilombolas, mulheres trans e etc.) não tem feminismo que funcione. É puro blá blá blá. Eu percebi isso na minha vida da pior forma.

terça-feira, 21 de abril de 2020

É triste demais perceber que, por sermos mulheres, somos condicionadas ao amor para o outro, pelo outro e nunca de si. É uma tormenta ser uma mulher que decidi amar a si mesma e seguir seu caminho sem até necessitar de um outro para quem devorar amor. Não digo que a solidão é o único caminho de felicidade, mas não é o monstro que pintam. E infelizmente acreditamos no que falam sobre esse monstro. Acreditamos que ser só é ser seca, ser amarga, ser inferior. Tenho certeza que muitas de nós está em uma condição familiar estritamente adoecedora por isso. Viu tentar explicar o que quero dizer com isso: muitas de nós convive dentro de suas famílias com obrigações absurdas que nos adoecem e não nos fornecem o mínimo de amor e cuidar. Isso é traumático. A maioria das mulheres se sente apenas obrigada a dar e nunca receber praticamente nada em troca. Acreditamos, primeiro, em uma falsa interpretação bíblica de que esse é o único sentido do verdadeiro amor. Mas o que me intriga mais nessa história toda é que os homens recebem muitos amor e não se sentem mal por isso. Não se sentem menos cristãos, há até os que justificam esse tipo egoico de relação interpessoal afetiva doentia, perversa mesmo. Há que se pensar ainda muito sobre as relações humanas em relação a vivência das mulheres. Somos o tempo todo exploradas e isso não é justo!
Será que eu posso?

Eu tenho um drama em mim
Uma questão profunda
Bem dentro
Nada na margem
É um prazer intenso e escondido
Mas para mim
Segue como uma miragem
Desgasto por conter
Sigo exausta por impedir
Bloquear minhas entregas
Sou inibição e censura
Por quê?
Quem me condenou?
O que eu fiz de tão errado?
Parece que eu nunca fiz nada
De fato, eu nada fiz até hoje de meu
Não tem minha assinatura
Em nenhuma cena da vida
Eu não ajudei, fui comandada
Me sinto uma marionete
Sem alma até
Nunca me perguntei por que não posso
Por que é errado desaguar
É errado beber e jorrar?
Não pode fumar? Mas eu fumo, eu quero
Não pode beber? Mas eu amo, eu deliro
Meu delito é querer?



terça-feira, 14 de abril de 2020

Eu ainda acho que essa manutenção do Enem é uma pressão sistêmica para o retorno à rotina. Infelizmente, o extremismo está mostrando as suas presas. Para mim, há uma estratégia de eugenia. E isso é fascismo na prática. Infelizmente, não consigo ver de outra forma

Com certeza. Retornar às escolas ainda neste semestre me parece utopia ou irresponsabilidade. Junho, se houver sucesso por parte da maioria dos governadores, teremos um isolamento social mais significativo. Eu acredito que a partir de meados de junho já poderemos começar a pensar no retorno e sem pressa. Pressa agora é fatal. Estarmos vivos é a melhor meta de todas

E eu ainda acho que datas são irrelevantes. Eu sei que elas têm uma função óbvia de justificar questões de planejamento, principalmente de escolas particulares e suas burocracias financeiras (por exemplo, o pagamento ou não de aulas ou férias durante janeiro em relação à preparação do alunado). Porém, chegamos a uma certeza: rigidez de planejamento agora é trabalho perdido. Deverá ser refeito quantas vezes for necessário. Quando deveríamos pensar em melhores estratégias de orientação dos alunos e de organização de conteúdo. O que para o Enem, antes não funcionava exatamente assim, mas agora é cada vez mais "conteudista". Como professores nessa batalha, eu desejo a vcs ânimo. Essa história irá nos formar mais do que qualquer curso em nossas vidas. A prática de hoje é mais que mil livros repetidos. Está mais do que na hora de levarmos leituras acadêmicas sobre uma educação melhor para a realidade do nosso país de fato. Eu acredito plenamente que vamos ter um efeito real mas escolas depois disso. Tenho essa esperança.

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Movimento_eug%C3%AAnico_brasileiro